Empreendedores narram histórias de sucesso no CEO Summit

A segunda edição do CEO Summit em Curitiba reuniu cerca de 400 participantes, que foram em busca de experiências de empresários de sucesso para inspirar seus negócios. No estilo talk-show, que consagrou a apresentação dos empreendedores, o evento ocorreu na última segunda-feira (4) na Fiep, sendo correalizado pela EY (antes Ernst & Young), Endeavor e Sebrae. Na abertura do encontro, o sócio-líder da EY no Paraná, Claudio Camargo, enfatizou a importância de preparar a empresa para o crescimento, especialmente através de treinamento. “Precisamos unir esforços entre governo, iniciativa privada e organizações da sociedade para fomentar o empreendedorismo”, ressaltou. Já o coordenador regional da Endeavor Paraná, José Rodolpho Bernardoni, afirmou que o intuito do CEO Summit é plantar uma semente para os empresários tirarem ideias do papel.
O primeiro painel, moderado pelo sócio da EY, Marcos Quintanilha, apresentou a trajetória de crescimento da indústria catarinense WEG, pelo olhar de Décio da Silva, presidente do Conselho de Administração e filho de um dos fundadores da empresa. A WEG foi fundada em 1961 por Werner, Egon e Geraldo (as iniciais que geraram o nome da companhia) e hoje, é uma gigante internacional com quase 30 mil funcionários. Décio contou que a sinergia entre os fundadores foi o segredo para o crescimento da WEG. “Eram habilidades e personalidades diferentes, mas que se complementavam. Para fazer sociedade, é preciso pensar mais do que para se casar. E ali teve química”, contou.
Silva também elencou o que considera as características do empreendedor. “É preciso ter ambição. Se você tiver metas medíocres, corre-se o risco de obtê-las”, brinca. Em seguida, tratou sobre sucessão de empresas familiares. “As empresas têm de entender que não se muda sempre suas lideranças, mas por outro lado, não provocar mudanças é perigoso”, relatou.
O segundo painel dedicado à sustentabilidade foi apresentado por Valério Gomes, presidente do empreendimento Pedra Branca e moderado por Caio Bonatto, fundador da TecVerde. Gomes expôs que “pensar fora do quadrado” sempre foi a tônica da empresa desde o início de suas atividades. Por isso, acredita no projeto do bairro sustentável que está sendo construído a 20 quilômetros de Florianópolis, que já reúne faculdade e cerca de 8 mil moradores.
“Estamos vivendo uma época em que as pessoas estão carentes do encontro pessoal, da humanização das cidades, e de uma mobilidade urbana adequada. São essas soluções que estamos oferecendo. Queremos que ali as pessoas morem, trabalhem e tenham acesso a serviços. Tudo a pé e de bicicleta”, ressalta.
Segundo o empresário, um dos desafios é precificar a inovação por metro quadrado. “Há um custo a mais ao construir um empreendimento sustentável. Esse custo é amortizado ao longo da projeção de 50 anos de vida útil do empreendimento, quando claramente demonstra-se o retorno do investimento. É nisso que apostamos”, assinala.
No terceiro painel, o curitibano Carlos Martins, fundador da Wizard e dono do grupo Multi, contou como hoje ele é líder mundial em escolas de inglês, com 3.500 unidades. Mediado pelo coordenador regional da Endeavor Paraná, José Rodolpho Bernardoni, Martins relembrou a origem humilde, com a mãe costureira e o pai motorista de caminhão, que não podiam custear o sonho do filho de 12 anos em estudar inglês. Com ajuda dos mórmons, aprendeu o idioma e, foi estudar nos Estados Unidos. “De volta a Curitiba, aos 30 anos, consegui emprego e fui demitido seis meses depois. Comecei a dar aulinhas de inglês para colegas na minha casa para uma, duas, três turmas”, contou. Com visão de longo alcance, ele sabia que não devia abrir uma escola, mas uma rede, e criar a própria metodologia. Assim, nasceu a Wizard, coincidindo com a abertura da ABF (Associação Brasileira de Franchising). “Não acredito na sorte. Para mim, o sucesso é vinculado ao trabalho. É a convergência da preparação e oportunidade”.
No quarto painel, mediado pelo diretor de novos negócios do GRPCOM, Eduardo Fontana, Benjamin Quadros, presidente da BRQ, empresa pioneira na implantação da tecnologia Internet Banking no país, contou como arriscou para atingir o sucesso. Depois de um emprego estável na IBM, ele saiu da empresa para assumir um projeto do Unibanco com prazo determinado de um ano. “Foi uma decisão motivada por paixão e irracionalidade”, brinca. A aposta deu certo. Hoje, a BRQ possui 4 mil funcionários, fatura aproximadamente R$ 500 mil por ano e cresce à taxa média anual de 30%.
Fundador no passado da e-bit, Quadros afirma que poderia ter vendido mais tarde a empresa para o grupo Buscapé, já que em 2006 a internet ainda estava morna. Mas tira lições valiosas de todas as experiências. “Nunca pensei em desistir, porque são nos momentos difíceis que a gente se transforma”, aponta. Quadros reforça a importância do mentoring, que não existia na época. Se tivesse um coaching, ele acredita que o processo de crescimento seria mais rápido. E finaliza observando o desafio do país em empreendedorismo. “No Brasil, não é o dinheiro que falta, mas times e projetos”, conclui.








