Empresas organizam estratégias para os jogos da Copa em horário de trabalho
A poucos dias do início da Copa do Mundo no Brasil, as empresas precisam definir como vão administrar suas equipes durante os jogos que ocorrem no expediente de trabalho. Como as dúvidas ainda são muitas, o Instituto Brasileiro de Governança Trabalhista (IBGTr) realiza nesta quinta-feira (15) seminário que reúne empresas, sindicatos e profissionais de recursos humanos. O evento, que acontece na Universidade Positivo, traz discussões sobre faltas, ausências, atestados, organização da empresa e uso da internet em dias de jogos, bolões, entre outros assuntos. “Para não afetar a produtividade, as empresas devem elaborar Acordo Coletivo específico, prevendo a compensação do tempo despendido com os jogos da Copa do Mundo em outro dia”, orienta a advogada e coordenadora do IBGTr, Danielle Vicentini Artigas.
De acordo com a diretora da ZHZ Consultores, Susane Zanetti, cada organização está em um segmento diferente, em um negócio específico e todos têm suas particularidades. É diferente para área financeira, para o comercio, serviços ou para as indústrias. “Há empresas que vão dispensar os colaboradores em forma de rodízio, outras vão disponibilizar televisores nos setores para que os profissionais acompanhem os lances no próprio local de trabalho”, conta.
Porém, os 90 minutos de jogo podem ser compensados posteriormente para que não prejudique as atividades empresariais. Estima-se que as perdas financeiras podem chegar a R$ 5 bilhões no país.
Na ArcelorMittal Gonvarri, que tem fábrica em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, a Copa do Mundo é tratada como oportunidade de integração. A indústria possui 380 funcionários divididos nas unidades do Paraná e São Paulo. De acordo com o gerente de pessoas da Arcelormittal Gonvarri, Paulo Cavalcante, a produção vai parar para assistir aos jogos do Brasil, com direito a telão, refrigerante e pipoca. “É fato que teremos aproximadamente duas horas a menos de produção no dia do jogo, mas não acreditamos em redução de produtividade, mas integração”, ressalta.
Na Ibema, terceira maior fabricante brasileira de papel cartão com 700 funcionários, foi elaborado um plano conforme o perfil de cada unidade e setores internos. A Ibema possui fábrica em Turvo, na região central do Paraná, um centro de distribuição em Araucária e administração em Curitiba. “Para quem mora perto de onde trabalha e atua em especial nos setores administrativos, estamos dando a opção de ir para casa assistir os jogos. Como a empresa opera 24 horas, os que atuam no setor operacional precisam ficar na empresa. Nesses casos, estamos instalando telões para que possam acompanhar os jogos. Mesmo com esse planejamento, devemos ter uma queda de 10% na produtividade”, relata o diretor de Operações da Ibema, Clecio Chiamulera.
O seminário terá a presença do presidente da OpusMúltipla, Rodrigo Rodrigues, do gerente de pessoas da Arcelormittal Gonvarri, Paulo Cavalcante, da advogada da TIM, Maria Carolina Castilho, da diretora da ZHZ Consultores, Susane Zanetti, do diretor de Operações da Ibema, Clecio Chiamulera, e do IBGTr, Leonardo Zacharias. De entidades representativas de funcionários no setor turístico, estarão presentes o presidente da Fethepar (Federação dos Empregados em Turismo e Hospitalidade do Estado do Paraná), Wilson Pereira, e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio Hoteleiro, Meios de Hospedagem e Gastronomia de Curitiba e Região (Sindehotéis), Luís Alberto dos Santos.


