O caixa da empresa está no vermelho. O que fazer?
Contas negativas, investimentos que não rendem o esperado… Muitas situações podem disparar o sinal de alerta de uma empresa e a tentação de buscar uma ajuda externa é bem grande. Mas, quando será o momento de buscar este tipo de ajuda? Para Marcelo Valério, professor de Finanças convidado da Fundação Dom Cabral, buscar ajuda financeira é a última alternativa. O especialista aponta que antes de buscar ajuda financeira, o mais importante é fazer um bom planejamento e entender o porquê desta situação e tentar perceber onde é possível melhorar. “Alguns empresários confundem seus gastos pessoais com os gastos da empresa”, exemplifica.
Marcelo Valério entende que, antes de tudo, é preciso estudar a estrutura de capital da empresa. “Sobre vantagens e desvantagens na hora de buscar recursos, seja qual for, a vantagem que vejo é que com estes recursos ele pode ampliar seu negócio, com novos projetos ou ampliando a operação existente. A tendência é ter maior lucro, mas precisa avaliar se o retorno adicional gerado será suficiente para pagar os empréstimos”, explica.
Sobre qual seria a desvantagem no caso de um empréstimo, o professor pondera que o empresário se vê obrigado a gerar lucro suficiente para pagar a dívida e comprometer, como garantia, coisas das quais não se pode abrir mão, como equipamentos essenciais para a operação. Se uma empresa está com as finanças no vermelho, Marcelo Valério afirma que é preciso entender a situação. “Presume-se que a empresa não está dando lucro, ou seja, que o volume de receitas/vendas mensais é insuficiente para pagar todas as despesas/custos. Antes de procurar linhas de crédito, é preciso fazer alguns ‘deveres de casa’, como analisar quais são os gastos que estão extrapolando, adotar medidas para economizar nas despesas fixas e custos, fazer uma avaliação criteriosa de todos os gastos inclusive as retiradas dos sócios e implantação de um controle de gestão”, enumera.
Com estes levantamentos e entendimentos, Marcelo Valério entende que a empresa terá melhor visão do negócio. “Muitas vezes não precisa recorrer a linhas de crédito, basta melhorar seus processos, prazo médio de pagamento e recebimento, preços cobrados, apenas para citar alguns exemplos”.
Antes de renegociar as dívidas, a empresa precisa descobrir a origem do problema. Marcelo orienta que, se está ocorrendo prejuízo operacional, é preciso descobrir a causa. “Pode ser custos elevados, aumento das despesas, queda no volume de vendas, etc. A única forma de ter condições para pagar as dívidas é com geração de caixa”.
Marcelo Valério destaca muitas prioridades que visam à mudança na gestão, correção das falhas de planejamento, entre outros. Listados na ordem de dez, ele aponta a seguinte forma:
1. Fazer uma análise profunda de quais fatores levaram a Empresa ficar em uma situação de risco.
2. Identificar os principais gargalos do negócio(falha na gestão financeira, custo elevado, posicionamento de mercado, como exemplo);
3. Procurar o mais rápido possível seus credores;
4. Na renegociação da dívida procurar estabelecer condições de pagamento compatíveis com a situação financeira atual;
5.Tributos atrasados, deve procurar os órgãos para parcelamento do débito;
6. Transparência perante os credores e funcionários;
7. Busca constante por baixos custos que é fundamental para a Empresa continuar a ser competitiva;
8. Mudança cultural, não adianta elaborar estratégia de recuperação se o Empresário continuar a repetir os mesmos erros;
9. Definir prioridades e metas de curto, médio e longo prazo que devem ser compartilhadas com os demais colaboradores;
10. Buscar ajuda, seja uma consultoria empresarial, com o cuidado que seja viável financeiramente pagar por este apoio, acho que pode ser interessante neste momento de dificuldade.








