Sem previsão de recuperação, setor de máquinas quer esquecer o ano de 2014

O faturamento bruto do setor de máquinas e equipamentos deve apresentar uma queda maior que a esperada para este ano, afirmou Mario Bernardini, assessor econômico da presidência da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), durante apresentação dos números do setor no mês de agosto. “Esperamos que o ano termine logo, já que não existe mais possibilidade de recuperação”, afirmou, salientando que a expectativa é que o estrago deva ser maior que o previsto, com decréscimo em termos reais superior a 15%, “mais próximo de 20%”, frisou.
No mês de agosto, o faturamento da indústria brasileira de máquinas e equipamentos foi de R$ 5,379 bilhões, uma queda de 5,5% sobre o mês anterior. No ano, o índice já contabiliza faturamento 16,6% inferior ao mesmo período de 2013. Bernardini acredita que tais índices podem comprometer o crescimento econômico do país no futuro.
Também, os preços do setor passaram a crescer menos do que a variação dos custos, reduzindo, assim, suas margens. Para o dirigente, o mercado anêmico ajuda a explicar o comportamento dos preços. “Reduzindo margens, a indústria produz mais e fatura menos”, disse.
Em agosto, as exportações do setor bateram em US$ 1,149 bilhão. O principal comprador das máquinas e equipamentos brasileiros foram os Estados Unidos. Em seguida, os países da América do Sul. Sobre a preocupação com atrasos de pagamentos por parte dos argentinos, Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq, afirmou que eles não apresentam um problema grave para o setor. “Temos tido, de fato, problemas recorrentes, mas a Argentina não tem interesse de nos prejudicar, também precisa da nossa ajuda. Há dificuldades, mas aos trancos e barrancos estão sendo administradas”, afirmou.
O presidente afirmou, por exemplo, que as exportações para o Mercosul no acumulado de janeiro a agosto estão apenas 1,9% abaixo do volume observado no mesmo período do ano passado. A Argentina responde por cerca de 80% das vendas para o Mercosul, acrescentou. Na América Latina, a queda é de 6,1%.







