Posigraf é a primeira indústria brasileira a receber Certificação Life

A Posigraf, uma das maiores gráficas da América Latina, é a primeira indústria do Brasil a obter a Certificação Life. E, no último dia 14, durante a 12ª Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica (COP12), na Coréia do Sul, recebeu oficialmente o certificado de reconhecimento. Criada em 2009, a certificação desenvolvida pelo Instituto LIFE reconhece a eficácia do sistema de gestão ambiental da organização, a adoção de fundamentos sólidos de sustentabilidade e uma agenda voluntária de conservação da biodiversidade. “Trata-se da busca conceitual pelo impacto zero ao se analisar inúmeras variáveis, combinada com a compensação voluntária de impactos não evitáveis cientificamente estimados” afirma Miguel Milano, presidente do Conselho do Instituto Life.
Antes de se tornar a primeira indústria a receber a Certificação LIFE, verificada pelo TECPAR (Instituto de Tecnologia do Paraná), a Posigraf escalou vários patamares de processos de gestão alcançando certificações setoriais específicas nos campos da gestão da qualidade, gestão ambiental, procedência florestal do papel usado na sua produção industrial e gestão de emissões de carbono.
De acordo com o gerente industrial da Posigraf, Cesar Augusto Lima Costa, representante do Grupo Positivo na COP12, é um grande orgulho ver a companhia ser uma referência no engajamento – tanto da comunidade empresarial quanto dos funcionários – na conservação da biodiversidade. “A Posigraf tem como filosofia a identificação, qualificação e o controle de sua cadeia de suprimentos e conta com parceiros que praticam ações de controle e minimização dos impactos ambientais”, afirma. “A obtenção da Certificação Life, para nós, representa estarmos na vanguarda do mercado brasileiro em termos de ações efetivas relacionadas ao meio ambiente”, ressalta.
O Instituto Life desenvolveu um método para avaliar os impactos causados pelas companhias e reconhecer ações voluntárias de conservação da biodiversidade, conforme a análise dos impactos à biodiversidade (área da empresa, geração e gestão de resíduos, consumo de água, consumo de energia e emissão de gases de efeito estufa, entre outras variáveis) em conformidade com o porte da empresa e seu segmento de atuação. Embora estabeleça todas as regras, com sólidos e reconhecidos fundamentos científicos, o Life não é o órgão certificador, sendo o reconhecimento conferido por auditor independente acreditado pelo Instituto. No caso da Posigraf, o TECPAR verificou o cumprimento de todas as exigências. “Criamos uma metodologia que precisou ser testada e detalhada para vários setores, com critérios bastante específicos”, explica Milano.
Além do cumprimento das normas legais, pré-requisito inicial de qualquer processo de gestão, o do controle total dos seus fornecedores, a Posigraf tem políticas e práticas próprias para evitar e mitigar danos ambientais. Dentre as muitas iniciativas, um foi a troca das tintas de impressão tradicionais, à base de óleo mineral, por produtos de origem vegetal, renováveis e, portanto bem menos poluente. Outra foi o ganho de eficiência na iluminação das áreas industrial e do centro de distribuição, que gera significativa economia de energia. Mas uma ação fundamental para este processo de certificação foi a adoção voluntária do compromisso de compensação dos impactos ambientais ainda não mitigáveis, o que se deu com a adoção da Mata do Uru, uma reserva natural localizada no município da Lapa (PR) que protege um importante remanescente natural da Floresta com Araucária no Estado do Paraná.
Em 2003, a Posigraf e a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) desenvolveram em conjunto o Projeto de Adoção de Áreas, uma parceria inédita e inovadora no Brasil. Em 2004, o local foi transformado em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), medida legal que limita o uso e a exploração das áreas. Em 2012, a iniciativa da Posigraf se tornou política pública no Estado do Paraná. Hoje, essa parceria se estendeu e o Grupo Positivo, por meio do Instituto Positivo, estendeu as ações de educação ambiental e de pesquisas na área.
A Reserva Mata do Uru passou a receber pesquisadores e acadêmicos, a fim de possibilitar novas pesquisas científicas na área. Além disso, em parceria com os cursos de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil e Programa de Mestrado e Doutorado em Gestão Ambiental da Universidade Positivo, foi construído um quiosque com mínima intervenção ambiental para o acolhimento dos visitantes que participam de iniciativas de educação ambiental. Já com o curso de Publicidade e Propaganda foi incorporada ao site da Reserva uma ferramenta que possibilita realizar um tour virtual pela Mata e conhecer as principais espécies da fauna e flora do local.
“Por sermos um Grupo do setor de Educação, estamos ampliando as possibilidades de engajar nossos professores, alunos e também a comunidade para que, por meio da Reserva Mata do Uru, conheçam mais sobre a importância da conservação da biodiversidade. Sabemos que o exemplo é uma ferramenta poderosa na educação, e, por esta razão, para nós a conquista da certificação Life pela Posigraf extrapola os objetivos de mitigação e compensação dos impactos ambientais. Para o Grupo Positivo esta é mais uma forma de difundirmos, na prática, com a nossa comunidade acadêmica e com a sociedade mais um exemplo de iniciativa que integra a academia, o setor produtivo e a sociedade civil organizada em prol do respeito ao meio ambiente”, afirma Eliziane Gorniak, diretora do Instituto Positivo.
Para o diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Clóvis Borges, toda empresa deveria ter uma ação de conservação da biodiversidade. “A iniciativa privada também não tem feito a parte dela. A maioria que faz é por obrigação legal, empresas voluntárias são raríssimas. Deferentemente da grande maioria das empresas, a Posigraf, desde 2003, considera essa ação como um investimento estratégico da empresa e não filantropia. O momento agora é de provocar o setor empresarial para que se tenha pró-atividade. A conservação da natureza deve ser parte do negócio”, diz.
De acordo com Milano, a Certificação Life, além de garantir a mitigação e compensação dos impactos causados pelas empresas, um imperativo ético da boa gestão nos dias de hoje, oferece ganho competitivo. “É cada dia mais comum, especialmente nos negócios chamados B2B (de empresa para empresa), as áreas de suprimentos das empresas exigirem garantias de seus fornecedores quanto a vários aspectos do processo produtivo, além das questões regulares de qualidade, preço e pontualidade. E diversos aspectos relacionados à gestão sustentabilidade e à proteção da biodiversidade estão entre os novos critérios exigidos na atualidade. Dessa forma, contar com a certificação LIFE é competir melhor”, revela.


