Teremos uma recessão branda ou longa?

Lucas Lautert Dezordi
Lucas Lautert Dezordi

A desconfiança em relação ao futuro da economia brasileira está cada vez mais estampada em nossa sociedade. Infelizmente, observamos com mais frequência empresários reduzindo seus investimentos, consumidores revendo seus gastos e governos adotando medidas impopulares, de aumento de impostos e reduções de despesas. São apenas alguns sinais de forte desaquecimento da atividade produtiva. O setor industrial, no ano passado, registrou uma queda na produção física e precisamos entender se essa a atual recessão poderá afetar mais setores da economia. Caso isso ocorra, teremos uma recessão mais prolongada, impactando negativamente o nível de emprego, por um período considerável. Fazer essa análise, não é tão simples. Os fatores são complexos e difíceis de serem previstos com exatidão.

Relembremos da recessão de 2008/09 nos EUA. Pouquíssimos economistas conseguiram prevê-la. Contudo, podemos traçar uma linha lógica do atual processo inflacionário e analisar com consistência qual será o caminho mais provável de nossa economia. Mesmo que seja o caminho mais doloroso.

Gostaria de chamar a atenção que, entre os anos de 2010 a 2014, a inflação anual rodou entre 6 a 6,5%. Não ultrapassou o limite superior, pelo fato do governo ter segurado os reajustes de energia e gasolina, por exemplo. E, mesmo segurando os preços artificialmente, os custos de produção subiram e a competitividade externa das empresas domésticas foi reduzida. Para se ter uma ideia, o superávit da balança comercial passou de U$20 bilhões em 2010 para um déficit na ordem de US$3,9 bilhões, em 2014.

Como consequência natural, de preços mais elevados e desequilíbrios externos, nossa economia passou a registrar uma taxa de câmbio mais elevada. Muito provavelmente teremos que conviver com um câmbio acima de R$3,00 por um longo período de tempo. E, quanto maior o preço do dólar, maior será a inflação dos bens comercializáveis. Na verdade, há uma relação direta entre os principais produtos que fazem parte da pauta da balança comercial e a taxa de câmbio. É por isso que estamos pagando mais caro os alimentos e os produtos importados.

Nossa linha de raciocínio está quase finalizada. Temos o diagnóstico de pressão da inflação de bens monitorados – energia e gasolina vão continuar subindo – e dos bens comercializáveis. Ambos continuarão subindo acima de 7% para os próximos dois anos. Um problema enorme para a Autoridade Monetária.

Neste contexto, o Banco Central (BC) está em uma situação desconfortável: terá que combater fortemente a inflação de serviços. O fato é que os aumentos na taxa de juros deverão ser o suficiente para reduzir o ritmo de expansão do mercado doméstico e os níveis de emprego e renda, variáveis sensíveis à dinâmica da inflação do terceiro setor Infelizmente, o ajunte vai ser pesado e tudo indica que a atual recessão irá se prologar para atividades do comércio e serviços, ocasionando aumento na taxa de desemprego da força de trabalho.

Sabemos que o cenário atual é de greves e de grandes insatisfações populares e tudo indica que poderemos ter, nos próximos anos, um período de maior conflito social. A deterioração rápida do mercado de trabalho é muito preocupante e danoso para o tecido social brasileiro. Lamentamos o fato de a economia brasileira ter chegado nessa encruzilhada tão perversa.

O artigo foi escrito por Lucas Lautert Dezordi, doutor em Economia e coordenador do curso de Ciências Econômicas da Universidade Positivo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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