Informações do questionário de risco podem baratear ou encarecer o seguro do automóvel

Alguns perfis de clientes apresentam maiores riscos de sinistro do que outros. Por isso, a diferença de valores é imensa .
Alguns perfis de clientes apresentam maiores riscos de sinistro do que outros. Por isso, a diferença de valores é imensa .

Foi-se o tempo em que preço e modelo do automóvel eram suficientes para determinar o valor da apólice do seguro do carro. Segundo o diretor da Senzala Corretora de Seguros, André Coutinho, embora esses fatores ainda continuem tendo relevância para a precificação da cotação, essa mensuração deve-se muito às informações que constam no “questionário de risco” que identifica o perfil e estilo de vida do condutor. Os dados mais solicitados pelas seguradoras são CPF, idade, sexo, estado civil, profissão, tempo em que o condutor possui carteira de habilitação, além do CEP de pernoite do veículo.

Coutinho diz que, numa escala de zero a dez, o “questionário de risco” tem peso de 10 na cotação. “Acredito que, segundo as estatísticas recolhidas pelas seguradoras ao longo dos anos, percebeu-se que certos perfis de clientes apresentavam maiores riscos de sinistro do que outros. Por isso, a diferença de valores é imensa entre segurados de perfis diferentes”, comenta. Sendo assim, algumas situações podem contribuir para baratear o seguro do automóvel. Entre elas, estão os casos em que o seguro do automóvel é renovado sem registro de sinistro. “Não é possível assegurar que essa afirmação se aplica a todos os casos, mas à maioria deles, sim”, ressalta Coutinho.

Ele explica que o bônus tem pontuação que vai de 0 a 10, proporcional a cada ano de vigência completado do seguro do carro sem sinistro, de forma cumulativa. Quando a pessoa faz o seguro do automóvel pelo primeiro ano, parte da classe 0. Para cada ano sem sinistro, ganha-se um ponto. Ao contrário, para cada sinistro ocorrido no período de vigência do seguro do carro, retrocede-se uma classe quando da renovação da apólice. Por exemplo, se o contratante era cliente classe 6 de bônus e teve dois sinistros, retrocede para 4 em vez de passar à classe 7. “O seguro do veículo não precisa necessariamente ser renovado com a mesma seguradora para obtenção do desconto, já que o bônus está vinculado ao contratante”, observa o corretor de seguros.

Além disso, o condutor que tem habilitação há bastante tempo consegue desconto no seguro do automóvel. Coutinho diz que, geralmente, a faixa etária de condutores com 18 a 25 anos é considerada a com maior risco de sinistro pelas seguradoras. Ao contrário, se a pessoa possui a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) emitida há mais de 10 anos, o valor do seguro do carro tende a ser menor. “Algumas profissões, como professor, dentista e médico, também costumam dar desconto no seguro de automóvel”, destaca Coutinho.

Gênero e estado civil também têm impacto no valor final da apólice. “O seguro do carro costuma ser mais barato para a mulher do que para o homem, pois, estatisticamente, considera-se que elas são mais prudentes no trânsito. Se a mulher for casada, o bônus é ainda maior”, explica o diretor da Senzala Corretora de Seguros. Como exemplo, ele cita a seguinte situação: seguro para condutor que mora em Curitiba (PR), com 27 anos, casado, e que tem um Volkswagen Gol Trendline 1.0 – 2015 – 4 portas. Para um homem, o valor do seguro do veículo custaria na faixa de R$ 1.817,00, enquanto que, para uma mulher, seria na faixa de R$ 1.741,00.

A existência de garagem na residência e no trabalho também contribui para reduzir o valor do seguro, garantindo descontos médios entre 10% e 15% na apólice. Além disso, é importante verificar se o modelo do carro não está na “lista negra” das seguradoras. Coutinho diz que cada uma tem a sua própria relação de automóveis mais suscetíveis a sinistros, entretanto, alguns exemplos que costumam fazer parte dessa relação são os modelos: Honda Civic, Gol, Uno, Saveiro e os modelos mais antigos de Audi A3. Por exemplo, considerando a contratação de seguro de carro para condutor que é homem, mora em Curitiba, tem 27 anos, é casado, para carro 1.0 – 2014 – 4 portas, se o modelo do carro fosse um Gol, o valor custaria na faixa de R$ 2.651,00. Já se fosse um Palio, ele ficaria na faixa de R$ 1.854,00.

Os vilões – Se alguns itens ajudam a baratear o preço do seguro do automóvel, outros acabam influenciando em sentido contrário e contribuem para elevar a cotação. Nesse quesito, o diretor da Senzala Corretora de Seguros, André Coutinho, diz que o CEP pode ser um grande vilão. “Essas áreas de risco são identificadas por meio de estatísticas realizadas pelas próprias seguradoras. Os veículos atrelados a essas localizações mais visadas costumam ter preços maiores para o seguro”, avalia.

Entretanto, nem sempre é verdadeira a afirmação de que o valor da apólice para condutores que residem em cidade grande é maior do que para quem mora numa cidade menor. Por exemplo, numa simulação para contratação de seguro de carro para um homem, com 27 anos, solteiro, com curso superior e emprego fixo, para um Volkswagen Gol Trendline 1.0 2015 4-Portas, que mora em Curitiba, o valor da apólice seria de R$ 1.932,00, enquanto que se ele morasse em Quitandinha, o valor ficaria em R$ 2.358,00.

Automóveis com modelo esportivos também têm cotação mais elevada. “O entendimento das seguradoras é que esses modelos são fabricados com a intenção de obter uma velocidade final maior do que os demais, o que aumenta a possibilidade de ocorrência de sinistro e, portanto, encarece o seguro”, explica Coutinho.

O mesmo vale para os carros que foram blindados. “Isso dificulta a aceitação do risco, tanto que algumas seguradoras nem aceitam fazer o seguro desses automóveis. Elas entendem que, se o carro é blindado, a família é muito visada, aumentando o risco de um sinistro por roubo ou por colisão numa eventual perseguição, por exemplo”, explica o corretor de seguros

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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