Empresas se reúnem para discutir aposentadoria de seus colaboradores

Enquanto os deputados aprovavam a mudança do fator previdenciário na última quarta-feira (13), empresas de diferentes setores como GRPCOM, Sanepar, Fundação Itaipu e Novozymes se reuniram em Curitiba para discutir sobre o processo de transição da aposentadoria de seus colaboradores. As mudanças nos cálculos de idade e contribuição reacenderam os debates em torno do tema, não só quanto aos cofres públicos, mas também em relação ao preparo dos profissionais para encerramento de carreira. Segundo dados do IBGE, de 1991 a 2011, o número de pessoas com mais de 60 anos no Brasil dobrou. Em 2060, a expectativa é que a população com mais 65 anos seja de 26,8%, enquanto em 2013 esse percentual era de 7,4%.
Diante do envelhecimento acelerado da população, algumas organizações já se prepararam com iniciativas para suportar seus profissionais antes da aposentadoria. Para o administrador Luiz Névoa, a assistência da empresa nesta etapa de vida fez toda a diferença. “Quando chegou a hora de deixar a cadeira do trabalho, me perguntei: e agora? Mas alguns anos antes, já estava me preparando para o momento e esse processo tornou a mudança mais confortável: hoje, atuo como coach e dou continuidade ao meu conhecimento”, afirma. Luiz é um dos aposentados que passaram pelo “De Olho no Futuro”, programa da Volvo que tem como objetivo preparar o funcionário que tenha até 60 anos para a aposentadoria. Além do planejamento sucessório, os participantes passam por aconselhamento psicológico, consultoria financeira e previdenciária e orientações médicas.
Para o coordenador da Rede Ubuntu em Curitiba, que está lançando o “EUpreendedoria”, programa para pessoas acima dos 50 anos e que estão em busca de novas reflexões e experiências, é muito importante que a pessoa se aproprie do conceito de “Eupreendedorismo”, para se entregar a novos projetos. “Essa é a hora de colocar em prática tudo aquilo que desejou, mas que nunca se deu ao direito: dedicar-se a um esporte, a uma viagem, a amigos e familiares, a um jardim ou a uma nova profissão. O mais importante é saber que também é possível realizar pequenas e grandes conquistas nesta etapa de vida”, explica José Sarria.
Jaime Cervatti, aposentado pela KPMG e atual membro do Conselho de Administração do Grupo Boticário, compartilha do pensamento de Sarria. “Encerrar o ciclo de trabalho não significa o fim da vida. Ninguém se prepara para a morte. Da mesma forma, quando encaramos a aposentaria como um fim, nos sentimos desvalorizados e ficamos resistentes à ela. E se não nos preparamos, o dia chega e ficamos sem saber o que fazer”, afirma.
A coach e consultora Lucia Helena Dermengi, acrescenta que atribuir um olhar positivo para este momento de vida pode trazer novas perspectivas. “Esperamos a vida toda para ter tempo de realizar nossos sonhos e quando chega a hora, acreditamos que não somos mais capazes. Mas não se trata do final, é uma oportunidade para reinventar-se. Isso é o que chamamos de “desaposentadoria”: o romper com o conceito de improdutividade para fazer algo novo”, completa.
O programa EUpreendoria é destinado a pessoas com mais de 50 anos que estão em fase de transição para aposentadoria e buscam novos projetos. Baseado no conceito de Eupreendedorismo, combinação do empreendedorismo com o protagonismo, os participantes se reúnem durante nove encontros, com o objetivo de olhar para suas histórias de vida, e identificar valores e talentos para construção de objetivos. www.redeubuntu.com.br.








