Franquias: uma oportunidade na crise

Maurício Dantas Góes e Góes
Maurício Dantas Góes e Góes

O crescimento do mercado de franquias tem previsão de ser mais alto do que o crescimento econômico brasileiro. Isso porque, segundo dados do IBGE, o crescimento do PIB brasileiro em 2014 foi de 0,1% e, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o faturamento das franquias cresceu 7,7% no mesmo período, alcançando um faturamento de R$ 128,8 bilhões. Ou seja, investir em franquias pode ser uma boa alternativa neste cenário de crise financeira.

Outro aspecto relevante é a baixa taxa de mortalidade das franquias, que atualmente é de 3,7%. No mesmo segmento de franquias, mas considerando apenas as microfranquias, a taxa de mortalidade é um pouco maior e, em 2014, foi de 8,4%. De qualquer forma, na comparação com as taxas do varejo restrito em geral (franquias e não franquias), as taxas de insucesso no setor de franquias são menores.

Segundo dados do Sebrae, a taxa de mortalidade de empresas constituídas em 2007 e com dois anos no mercado, está em 24,4%. Outro índice que podemos considerar para demonstrar a pujança do setor de franquias é o des (das) ofertas de vagas de empregos. O setor de franquias ampliou em 6,5% suas contratações no mesmo período que a taxa de desemprego brasileira alcançou 6,8%.

Considerando a previsão de crescimento do PIB em 0,2% em 2015, a projeção do franchising brasileiro está mais otimista, contando com previsão de crescimento entre 7,5% a 9% de faturamento. E este dado tende a ser alcançado, pois no 1º trimestre de 2015 já obteve um crescimento de 9,2% em faturamento. As vendas reais do varejo restrito (franquias e não franquias) tiveram crescimento de 2,2% em 2014 e, já neste ano, o resultado acumulado do varejo referente ao primeiro semestre de 2015 apresenta queda real de -2,2%, segundo dados do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV).

Para quem pretende empreender e adquirir uma franquia, o primeiro passo é verificar junto à ABF (Associação Brasileira de Franchising), se o franqueador é associado, uma vez que a entidade obriga a apresentação de documentos que mostram que ela pratica franchising de acordo com a legislação.

O futuro franqueado não deve ficar deslumbrado com os números apresentados pelo franqueador. Deve sim, sempre, consultar um advogado para avaliar o negócio por meio da Circular de Oferta de Franquia (COF). Este é um documento entregue pelo franqueador para análise do franqueado, objetivando a formalização do contrato e nele devem constar informações sobre o valor do investimento, das despesas e taxas para a constituição do negócio e contratação de empregados. Portanto, para evitar armadilhas, é importante que a análise seja realizada com apoio de profissional da área jurídica com experiência no setor.

Outro fator importante é fazer uma consulta aos atuais franqueados que poderão esclarecer dúvidas sobre o cotidiano do negócio. Além disso, é essencial verificar em órgãos governamentais e entidades comerciais a situação financeira da empresa franqueadora. Ainda é aconselhável verificar a origem dos produtos comercializados, uma vez que eventuais irregularidades dos produtos adquiridos por determinação da franquia serão de responsabilidade do franqueado.

Mais uma questão importante é a negociação e renovação de contratos de locação, que requerem auxílio jurídico para garantir permanência no ponto. Isso porque cada franqueadora realiza um estudo aprofundado do local onde irá implantar uma nova franquia para que ele atenda a estratégia do negócio como um todo: público-alvo, posicionamento da marca, faturamento e distância de outras unidades são apenas alguns dos aspectos levados em conta. Por isso, deixar de ocupar um ponto comercial onde já se está estabelecido é algo altamente indesejável.
Há ainda questões relacionados ao Direito Societário, se a empresa será individual ou sociedade e, nesse caso, que tipo de sociedade. Existem também questões relevantes de Direito Tributário, como se a atividade se enquadra no regime do simples ou deverá ser lucro real ou lucro presumido. E não se pode esquecer dos custos trabalhistas e das formalizações dos contratos de trabalho.

O acompanhamento jurídico é imprescindível também para resolver questões que envolvem relação de consumo, Cláusula de não Concorrência, Viabilidade e Contrato de Franquia, Concorrência Desleal, Conjunto Imagem e Trade Dress, bem como o esclarecimento da responsabilidade entre franqueadora e franqueadas.

Portanto, é um bom investimento ter um advogado especialista para atender tanto o franqueador, quanto o futuro franqueado. E o sucesso do negócio, principalmente neste cenário de crise, está ligado a uma estratégia e planejamento jurídico.

O artigo foi escrito por Maurício Dantas Góes e Góes,  advogado mestre em Direito Público, sócio fundador do escritório Lapa & Góes e Góes Advogados Associados e professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Gabriela Almada R. Rocha, estagiária e colaboradora do escritório Lapa & Góes e Góes Advogados Associados, bacharela em Humanidades com área de concentração em Estudos Jurídicos pela UFBA e graduanda em Direito pela UFBA.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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