Mercado imobiliário do Paraná está preocupado com as modificações do ITCMD

 Luiz Carlos Borges da Silva, vice-presidente do Secovi.
Luiz Carlos Borges da Silva, vice-presidente do Secovi.

As modificações na atual sistemática do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doações (ITCMD), previstas no pacote anticrise do Governo do Paraná, que tramita na Assembleia Legislativa, está preocupando o setor imobiliário paranaense porque causará muita insegurança jurídica podendo, inclusive, ser um entrave nas vendas de imóveis.

Hoje, por exemplo, a Lei 8.927 que rege o ITCMD desde 1988, fixa em seu artigo 12 a alíquota de 4% para transmissão ou doações de bens, sendo que quem herdou um único imóvel e mora nele está isento. Já pelo projeto de lei do governo, a alíquota do imposto cobrado sobre o valor da herança recebida por parentes de pessoas que morreram ou sobre doações de bens feitas ainda em vida, será progressiva, podendo chegar a 8% do valor total do bem. A proposta prevê isenção do ITCMD apenas para imóveis até R$ 200 mil e cujo viúvo ou viúva ou o único herdeiro morar no apartamento ou casa. Em Curitiba, dificilmente se encontram imóveis valendo menos de R$ 200 mil.

Eu conversei  com o vice-presidente do Secovi/PR, Luiz Carlos Borges da Silva, e ele me disse que este pacote do governo vai prejudicar principalmente os viúvos e viúvas que construíram sua vida em cima de um imóvel, vivem apenas da aposentadoria e não conseguiram fazer uma poupança. Segundo o vice-presidente do Secovi, quando um dos membros do casal vier a falecer, o que ficar, terá sérias dificuldades para poder permanecer no imóvel, já que terá que pagar o ITCMD, que ficará bastante elevado. Muitos, inclusive, não terão dinheiro nem para pagar um advogado para fazer o inventário, quanto mais para quitar o imposto. Outro empecilho será a venda, pois se o imóvel não estiver regularizado, o negócio não se concretizará. E é aí que está a preocupação das imobiliárias.

Borges da Silva cita um caso bem comum em Curitiba, como o de um casal que comprou um terreno há 30 anos no bairro Capão Raso, que na época valia US$ 10 mil, ou o equivalente atualmente a R$ 40 mil e construiu uma casa onde moram até hoje. Nessas três décadas, o imóvel valorizou acompanhando o crescimento do bairro e hoje vale R$ 600 mil. Mas isso não significa que um casal que mora num imóvel de R$ 600 mil é rico. Quando da morte de um dos cônjuges, o que permanecer, vai ter que pagar R$ 12 mil só do ITCMD para morar no imóvel. Agora, se o herdeiro for o filho, o imposto cobrado dobrará para R$ 24 mil.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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