Condições do setor industrial pioram em junho

As condições operacionais no setor industrial do Brasil pioraram ainda mais em junho, com os declínios contínuos nas entradas de novos negócios levando as empresas a reduzirem novamente os seus níveis de produção. Além disso, as empresas cortaram empregos por um ritmo recorde e compraram uma quantidade menor de insumos para uso no processo de produção.
Ao mesmo tempo, as iniciativas de corte de custos exerceram pressão sobre as reservas de mercadorias, com os estoques de pré-produção e de produtos finais caindo por taxas recordes para a pesquisa. Com relação aos preços, foram indicados aumentos acentuados nos custos e nos preços cobrados. Ao registrar, pelo décimo sétimo mês consecutivo em junho, um valor abaixo do nível de 50,0, indicativo de ausência de mudanças o Índice Gerente de Compras™ da Markit, Brasil (PMI™), sazonalmente ajustado, destacou outra deterioração nas condições de negócios do setor industrial.
Apesar de ter aumentado em relação ao recorde de oitenta e sete meses de baixa de 41,6 registrado em maio para 43,2, o índice permaneceu preso em território de contração. Em meio a relatos de um clima econômico difícil, o volume de pedidos recebidos diminuiu pelo décimo sétimo mês consecutivo em junho. Embora tenha sido o mais lento desde março, o ritmo de contração permaneceu acentuado. Tanto o mercado interno quanto o externo se revelaram pontos fracos, com o volume de negócios para exportação caindo pela primeira vez desde novembro do ano passado e de modo significativo em mais de quatro anos e meio.
Como resultado, os volumes de produção foram reduzidos novamente. O nível de produção diminuiu pelo ritmo mais brando desde março, mas mesmo assim foi acentuado. As necessidades mais baixas de produção aliadas às iniciativas de redução de custos levaram os produtores de mercadorias a cortar empregos em junho. A diminuição mais recente nos níveis de pessoal foi a décima sexta em dezesseis meses, e a mais rápida desde o início da coleta de dados em fevereiro de 2006. Ao mesmo tempo, as cargas mais elevadas de custos continuaram a se propagar para os preços de venda.
Os preços de compra aumentaram pelo segundo ritmo mais rápido desde julho de 2008, enquanto que a inflação de preços cobrados atingiu um recorde de alta de quatro meses. Segundo os entrevistados, o dólar americano relativamente alto continuou a empurrar os preços das matérias-primas importadas para cima.
Com as necessidades de produção num nível baixo, os fabricantes compraram uma quantidade menor de matérias-primas e de produtos semiacabados em junho. Isto, por sua vez, levou a outra queda nos estoques de compras. Os estoques de pré-produção caíram por um ritmo recorde igualando o observado em maio. Uma tendência semelhante foi registrada para os estoques de produtos acabados, que se contraíram pelo ritmo mais rápido na história da pesquisa.
Os dados de junho destacaram um grau crescente de excesso de capacidade entre os fabricantes brasileiros, visto que os negócios pendentes caíram pela taxa mais acentuada em mais de sete anos. Por fim, o desempenho dos fornecedores melhorou, com as empresas indicando, em média, prazos mais rápidos de entrega.








