A subida dos juros nos EUA e Brasil

Gilmar Mendes Lourenço.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), pertencente ao Federal Reserve (FED), banco central dos Estados Unidos (EUA), elevou a Federal Funds Rate em 0,25 ponto percentual, passando-a da faixa de 0,50% a 0,75% ao ano para 0,75% a 1,00% a.a., independentemente da evolução das propostas do presidente Trump, na direção da aplicação de retaliações comerciais à China, diminuição da carga de impostos incidentes sobre as corporações e das amarras regulatórias e ampliação dos dispêndios públicos em infraestrutura e defesa.

A Federal Funds Rate, taxa básica daquele País, serve de referência para a fixação dos juros cobrados entre as instituições financeiras nas operações de empréstimos de um dia. É a terceira vez, em menos de um ano, e a segunda, em três meses, que a autoridade monetária norte-americana decidiu subir a taxa primária. Em dezembro de 2016 também houve aumento de 0,25 ponto percentual.

A deliberação do FED já era esperada pelos mercados, em razão dos desdobramentos inflacionários da recente recuperação da economia dos EUA. Enquanto o PIB vem crescendo a um ritmo superior a 2,0% a.a. e o desemprego recuou para o patamar de 4,7% da população economicamente ativa (PEA), pré-crise de 2008, a inflação já rompeu a barreira de 2,5% a.a. De acordo com o FED, há espaço para majorações graduais dos juros, provavelmente duas, até o final de 2017.

O que deve acontecer com o Brasil como consequência da decisão do Fomc? À primeira vista, em clima de acirramento da concorrência intercapitalista, qualquer alteração para cima na remuneração dos papéis de curto prazo americanos constitui estopim para a deflagração de rearranjos nas carteiras de ativos financeiros em todo o planeta, em detrimento das posições ocupadas pelos mercados emergentes.

Porém, se esforços para a restauração e/ou reforço dos fundamentos da estabilização e da retomada do crescimento prosseguirem de forma firme e transparente por aqui, não há o que temer. Ao contrário, em caso de a política econômica permanecer surfando na onda de cortes mais encorpados da taxa Selic, em dimensão de um ponto percentual, a partir da reunião do Copom de abril de 2017, em linha com o consistente declínio da inflação, parece pouco provável a ocorrência de qualquer efeito negativo na macroeconomia nacional associado à deliberação do FED.

É prudente sublinhar que a inflação despencou no País por causa da recessão, pois, por ora, o ajuste fiscal não passa de uma mera promessa baseada na aposta de aprovação da reforma da previdência, sem alterações relevantes no projeto original, enviado pelo executivo ao legislativo, o que, por sinal, depende do desate do nó político, algo bastante complicado na “terra das delações premiadas da Lava Jato” e da segunda lista do Rodrigo Janot.

Logo, urge persistir na busca de erro zero na gestão monetária, fiscal e cambial, desprovida de ranços ideológicos, condição essencial para a sustentação do embrião de recuperação econômica – ainda demasiadamente ancorada na dupla formada por agronegócio e exportações – que, na melhor das hipóteses, deve manter a produção e os negócios estagnados até ao menos o final do ano, escorados na utilização da capacidade ociosa das empresas, acumulada durante os onze trimestres seguidos de recessão.

Por certo, há aqueles que discordam, não gostam e até desprezam esse tipo de argumento ou hipótese de interpretação da dinâmica cíclica dos níveis de atividade. Tais posturas devem ser respeitadas com a advertência de que, em regimes capitalistas, o organismo econômico funciona desse jeito.

O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, que é economista e consultor, professor da FAE Business School e ex-presidente do IPARDES.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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