Dólar encerra primeiro trimestre com queda de 3,4%. Para abril, aprovação da reforma trabalhista pode trazer valorização do real
Apesar das variações diárias, ao longo de março a cotação do dólar esteve em patamar estável, após acumular perdas por dois meses. Na comparação com o mês anterior, o recuo foi de apenas 0,12%. No primeiro trimestre de 2017, a retração foi de 3,40%. A menor cotação em março foi de R$ 3,0717, no dia 20, um dia útil após a operação Carne Fraca ser deflagrada pela Polícia Federal. O patamar havia sido atingido pela última vez em 22 de fevereiro. Com isso, a menor cotação de venda do dólar em 2017 permanece a de R$ 3,05, registrada em 23 de fevereiro. Já a cotação mais alta do mês foi de R$ 3,1947, em 9 de março, um dia após a divulgação do aumento em 298 mil vagas de emprego nos Estados Unidos. O resultado do emprego, considerado muito acima do esperado por analistas, fortaleceu a expectativa de alta dos juros no país. O nível do dólar não era atingido desde 19 de janeiro, quando atingiu R$ 3,2002, informa o economista e fundador da Beetech, Fernando Pavani.
Segundo Pavani, para abril, os investidores devem se manter atentos aos avanços da operação Carne Fraca, que poderá afetar as exportações e impactar a balança comercial brasileira. De acordo com declaração do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a jornalistas, a expectativa é de que a reforma trabalhista seja votada a partir de 17 de abril.
O CEO da Beetech lembra que o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços no Brasil divulgou, em 24 de março, que a média diária das exportações de carnes recuou 19% na semana, em comparação com a média diária até a semana anterior, antes da operação Carne Fraca. O patamar abaixo de R$ 3,10 daquela semana ainda foi atrativo para os investidores que buscavam recompor carteiras. Esses fatores seguraram a tendência de queda, e com isso o dólar fechou em R$ 3,1083. No saldo da semana, a alta foi de 1,19%. De acordo com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, “num volume de US$ 15 bilhões que exportamos por ano nessas carnes, vamos ter US$ 1 bilhão, US$ 1,5 bilhão de prejuízo por ano”.
Lava-jato
Além disso, em 15 de março foi divulgada a lista com 83 pedidos de abertura de inquérito junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra políticos detentores de mandato, com base nos acordos de delação premiada de 77 executivos da Odebrecht com a operação Lava-jato.
Entre os alvos de pedidos de inquérito estão os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia e Comunicações), Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Bruno Araújo (Cidades), além dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). A imprevisibilidade na política nacional pode ter segurado o patamar do dólar para que a cotação não tenha sido ainda menor, explica Fernando Pavani.
Investimentos apontam para recuperação
O leilão dos aeroportos de Fortaleza (CE), Salvador (BA), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS) garantiu ao governo uma arrecadação de R$ 3,72 bilhões em todo o período da concessão. O resultado é cerca de 23% maior do que o esperado pelo governo, de R$ 3,014 bilhões. As concessões fazem parte do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), anunciado em setembro pelo governo Michel Temer. No início do mês o Governo anunciou que serão apresentadas 55 novas concessões, além de propostas de renovações de atuais concessões, entre elas rodovias, ferrovias, terminais portuários e linhas de transmissão de energia.
Atuação do Banco Central
Em 16 de março o Banco Central voltou a atuar no mercado por meio de leilão swaps cambiais tradicionais –equivalentes à venda futura de dólares– para a rolagem dos contratos que vencem em abril. Até 29 de março foram 10 leilões que reduziram a 4,711 bilhões de dólares o estoque que vence em abril. “O mercado tem recebido as operações do BC como positivas para manter a estabilidade da moeda”, justifica Pavani.








