Eficiência: por que o setor público não tem?

Mário Lanznaster.

Às vezes tenho a impressão que existe no Brasil uma lei não escrita (mas sempre acatada) segundo a qual o serviço público não pode ser eficiente. Isso explicaria o aparente e patológico descompromisso dos servidores no atendimento aos cidadãos e na execução dos serviços de natureza pública.

Não vamos generalizar. Existem centros de excelência na imensa estrutura estatal brasileira nas esferas municipal, estadual e federal como o demonstram alguns centros de pesquisas, hospitais, universidades e até empresas de economia mista. Mas, em se tratando da administração direta, é notório o baixo nível de eficiência e qualidade.

Alguns antropólogos já se ocuparam de estudar esse fenômeno tipicamente brasileiro. O Brasil foi uma monarquia até 1889 quando essa forma de governo deu lugar a uma nova organização política com a Proclamação da República. Essa forma de Estado, entretanto, nasceu aristocrática sem a intensa participação popular, como ocorreu na gênese de outras nações. O funcionalismo refletiu essa não-prioridade no atendimento aos anseios das comunidades e das demandas populares.

Até as últimas duas décadas do século passado, a formação dos quadros técnicos e funcionais do Estado brasileiro dependia muito das indicações de lideranças dos partidos políticos instalados no poder, apesar dos habituais concursos públicos de acesso aos cargos da burocracia oficial. Foi com o advento da Carta Constitucional de 1988 que os três níveis da administração pública adotaram em caráter pleno, total e definitivo os concursos públicos como via única de acesso às carreiras públicas.

Esse avanço regulatório não contribuiu em definitivo para a elevação geral da eficiência do serviço público. Muito disso é atribuído à estabilidade na função (se fosse no setor privado seria emprego) que a lei conferiu aos aprovados no concurso e no período de estágio probatório. A estabilidade, dizem os críticos, leva ao relaxamento e a desídia, derrubando o interesse e a dedicação dos trabalhadores do setor público.

Outro fator que contribui com esse baixo empenho é a absoluta falta da adoção de princípios de meritocracia. Não há programa de avaliação de desempenho e nem controle de produção e produtividade. Avança-se na carreira de forma orgânica e vegetativa, apenas com o passar do tempo.

A verdade é que os cidadãos continuam sendo mal atendidos nas repartições públicas quando demandam por serviços de saúde, educação, segurança, justiça, coleta de lixo, energia elétrica, programas sociais ou assuntos de natureza fiscal e tributária. Ironicamente, a Previdência do setor público é a mais generosa e oferece privilégios e vantagens pagas pelo contribuinte que o trabalhador do setor privado jamais terá – mas isso é assunto para outra abordagem.

É preciso reagir, cobrar e denunciar, somente assim essa malévola cultura da omissão, da indolência e da incúria será superada. Serviço público exige vocação e formação. Tenho grande admiração pelos verdadeiros servidores públicos, aqueles que entendem seu papel e cumprem seu dever. Os outros, são traidores da Pátria, sanguessugas e parasitas.

O artigo foi escrito por Mário Lanznaster, que é presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos e vice-presidente para o agronegócio da FIESC.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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