Um terço dos jovens deixou de investir na carreira no último ano por falta de recursos

Dados de um levantamento exclusivo feito pela Companhia de Estágios – consultoria e assessoria especializada em programas de estágio e trainee – revelou que a crise tem afetado mais do que o acesso dos jovens ao mercado de trabalho. Além de ser a mais impactada pela redução dos postos, essa parcela da população também tem enfrentado dificuldades na hora de valorizar o currículo. Números da pesquisa apontam que mais de 40% dos candidatos a estágio adiaram planos de aprender um idioma ou se especializar em sua área de estudo em virtude da crise. Além disso, quase um terço deles deixou de fazer qualquer investimento na carreira no último ano devido à falta de recursos financeiros. Em tempos nos quais o nível de exigência dos recrutadores está elevado, conseguir demonstrar algum diferencial é um desafio ainda maior, sobretudo para uma parcela da população que, na maioria dos casos, sequer possui experiência. Ainda assim, esses jovens mantém o otimismo e creem numa melhora do panorama.

O estudo realizado agora em abril contou com 2.193 participantes de todas as regiões do país, atingiu, em sua maioria, jovens estudantes. Quase 92% dos entrevistados estão realizando algum curso superior e 3,4% ainda estão no ensino médio. Quanto à faixa etária, eles representam a parcela mais jovem da mão de obra brasileira: quase 70% têm entre 18 e 23 anos e está em busca de colocação profissional, sobretudo uma vaga que proporcione aprendizado. Dentre os que estão na fila do emprego, 74% aspiram vagas de estágio. Porém, como reflexo da crise, 22,4% dos participantes visam qualquer oportunidade de trabalho e apenas uma parcela ínfima, pouco mais de 3%, procura exclusivamente postos celetistas.

De acordo com Tiago Mavichian, diretor da consultoria responsável pelo levantamento, esses números evidenciam uma mudança no comportamento do jovem que tenta ingressar no mercado de trabalho “Com a alta competitividade e nível de exigência dos processos seletivos, as vagas formais ficaram mais distantes para estes candidatos. Sobretudo pelo fator experiência: num momento onde sobram profissionais vividos no mercado, o estudante fica claramente em desvantagem, pois geralmente não possui bagagem profissional. Diante disso, sua principal alternativa tem sido os programas de estágio, pois proporcionam justamente a chance de aprendizado sem exigir qualquer experiência prévia”.

Contudo, se para o mercado celetista o histórico profissional é um dos critérios mais importantes na hora de escolher um candidato, nos programas de aprendizado outra área do currículo é alvo dos recrutadores: a qualificação profissional. Neste momento, fatores que vão além da formação acadêmica como cursos de idioma, informática, especializações e, até mesmo, trabalhos voluntários podem ser decisivos. Tais parâmetros se tornam ainda mais relevantes diante do número recorde de inscritos em processos seletivos voltados exclusivamente para este tipo de vaga: de acordo com a recrutadora, somente no último ano foram quase 200 mil inscritos, um crescimento de 12% em relação a 2015.

Porém, diante do período conturbado que o país atravessa, encontrar formas de melhorar o currículo se tornou mais um desafio para estes candidatos. Com o orçamento apertado, muitos deles não encontram recursos para melhorar essas habilidades. Mais de 30% afirma, inclusive, não ter feito nenhum investimento em educação justamente pela dificuldade financeira. E quando questionados qual plano foi deixado de lado no último ano, 43,4% responderam que cursos de idiomas ou especializações ficaram para depois. Outro ponto revelado pela pesquisa é que neste momento projetos pessoais como viajar, comprar um carro ou sair da casa dos pais tem menos relevância frente à necessidade de se tornar profissionalmente competitivo.

Quando se trata de qual característica esses jovens gostariam de melhorar em seus perfis profissionais, a fluência em algum idioma estrangeiro é apontada como principal desejo: mais de 60% dos candidatos considera este “know how” mais importante do que aprimorar a oratória, as habilidades interpessoais ou o domínio de tecnologias. Essa aptidão é tão almejada pelos jovens que, dentre os que conseguiram investir em especialização no último ano, 21% apostou, justamente, em cursos desse tipo. Para Rafael Pinheiro, gerente de recursos humanos, isso acontece, pois “Além de dar um “peso” para o currículo, dominar uma língua estrangeira deixa o jovem mais seguro e autoconfiante, deixando-o mais preparado tanto para o momento da entrevista quanto para a carreira. E claro: essa aptidão também é muito valorizada pelas empresas, sobretudo por aquelas que possuem negócios internacionais. Essa habilidade deixa o jovem mais competitivo e, consequentemente, abre mais portas”.

Otimismo

Apesar dos diversos desafios enfrentados por essa parcela da população, boa parte dos jovens mantem-se otimista. Quase 80% dos participantes da pesquisa creem numa melhora do panorama. De acordo com Mavichian, tão importante quanto manter essa esperança, é se mobilizar “O jovem que, mesmo em meio a turbulências, conseguir se especializar, estará mais preparado para o momento em que o mercado tiver superado esta crise. É importante que ele saiba que mesmo diante das dificuldades é possível seguir aprimorando o currículo: trabalhos voluntários, oficinas digitais e cursos gratuitos, normalmente oferecidos por centros profissionalizantes, são alternativas para o jovem não ficar para trás devido ao orçamento apertado. Além disso, existem pontos que podem ser trabalhados sem precisar, necessariamente, de recursos: boa escrita, desenvoltura e, até mesmo, um bom networking são sempre oportunos no desenvolvimento da carreira.”- conclui o diretor.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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