É possível ter dois trabalhos ao mesmo tempo?

Tudo bem que manter um único emprego já é uma grande tarefa, mas existem pessoas que conseguem ter mais de uma ocupação ao mesmo tempo. Mas será que dá para manter dois empregos com alta performance? Ricardo Huelsmann, analista de rotinas trabalhistas da Nossa Gestão de Pessoas e Serviços, afirma que legalmente é possível ter dois empregos na carteira de trabalho principalmente com jornada de seis horas de trabalho, mas faz uma ressalva. “Quando existe uma jornada de oito horas fica complicado no caso do trabalhador temporário, pois quando for fazer a prorrogação do contrato dele, o sistema do Ministério do Trabalho não permite. Neste caso, a jornada ultrapassa as 44 horas semanais”, explica Huelsmann.

Todavia, não há proibição sobre ter duas assinaturas expressa na lei da CLT e isso significa que ter duas (ou até mais) assinaturas na carteira de trabalho é permitido e vai depender da performance individual do trabalhador. Um ponto de atenção para Pedro Gonçalves, coordenador de Recursos Humanos da Nossa, é a questão do deslocamento entre um trabalho e outro – ou seja, a pontualidade. Para o especialista, é fundamental para o trabalhador cumprir com os seus horários, pois será impossível manter dois empregos se ao sair de uma jornada o mesmo chegar atrasado no outro. “Precisa haver um planejamento para este deslocamento. Analisar trânsito, linhas de ônibus, conciliar o almoço ou uma refeição entre as jornadas. Tudo requer uma logística que não afete este deslocamento”, aconselha Gonçalves.


Atenção com a dinâmica de cada empresa

Já Eliane Catalano, coordenadora de Seleção da Nossa, o trabalhador precisa conhecer e se adaptar às dinâmicas dos dois trabalhos. Se uma empresa pede ou tem o hábito de solicitar hora extra e este trabalhador não tem a disponibilidade justamente por ter outro emprego pode ficar complicado a sua estadia na segunda empresa. “Nestes casos o chefe começa a solicitar a presença em outro horário por alguma demanda extraordinária e o trabalhador nunca pode estar presente. O perigo é a própria empresa começar a buscar outra pessoa que possa estar disponível o tempo todo. Vale negociar muito bem esta questão para evitar situações embaraçosa”, explica Eliane.

Dosar a energia sempre

O coordenador de negócios da Nossa, Oseias Silva Jardim, lembra que é preciso que o trabalhador cuide para não se prejudicar por desperdiçar toda a sua energia e o seu tempo em um único emprego. “Tem duas ocupações? Então precisa ter mais energia ou até mesmo mais investimento. Não dá para fazer duas coisas mal feitas ou então o risco é que este trabalhador perca até mesmo os dois empregos de uma vez. É possível manter a energia total nos dois trabalhos, mas precisa ter um cuidado muito grande para não se prejudicar e nem prejudicar as empresas envolvidas.”
Oseias reforça que entre ser excelente em um trabalho e mediano no outro, o ideal é focar apenas no que está dando certo. Em muitas oportunidades um administrativo consegue um trabalho de pizzaiolo pela noite. Neste caso ele não consegue descansar direito e afeta tudo, como ilustra Oseias. “Os relatórios administrativos acabam errados em um trabalho e passa o tempo da pizza no outro, queimando a receita. Os gestores das duas empresas sentirão esses deslizes. Mais cedo ou mais tarde, estes mesmos gestores pensarão na contratação de uma pessoa que não tenha dois empregos para poder se concentrar direito na função.”

Tem exclusividade no contrato?

Geralmente quem trabalha com telemarketing, atendimento ou outra função que tenha até seis horas por dia de trabalho acabam buscando uma segunda ocupação, mas o funcionário precisa sempre olhar no contrato dele se há a questão da exclusividade como explica Eliane Catalano.  “Isso acontece com empresas do mesmo segmento, para não dar conflito. É muito comum com telemarketing e telecomunicações, até pelos dados de clientes e informações comerciais, mas vai depender do contrato assinado. Empresas que geralmente aceitam que seus trabalhadores façam a mesma função em outro local são empresas da área da saúde, como hospitais. Enfermeiros e técnicos em enfermagem geralmente são trabalhos com escalas diferentes e é possível trabalhar com dois hospitais em dias intercalados”, lembra Eliane.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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