Revisão da meta fiscal desafia economia brasileira

Rui Rocha, presidente da Partner Consulting.

Tentar colocar as contas do Governo nos eixos não tem sido uma tarefa fácil, ao contrário, este é um desafio diário e moroso do Ministério da Fazenda. No primeiro semestre deste ano, o país registrou o maior déficit primário da história. As receitas caíram 1,2% e as despesas subiram 0,5% com déficit de R$ 55,1 bilhões. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para este ano prevê déficit fiscal de R$ 139 bilhões.

A falta de dinheiro e o rombo nos cofres públicos é causa de frustração para o brasileiro, que se afoga em tantas taxas e impostos cobrados. O Governo Federal promoveu a mudança do Refis, no entanto a Câmara dos Deputados ofereceu desconto de até 99% em juros e multas. A esperança em arrecadar R$ 13 bilhões caiu para menos de R$ 500 milhões.

Diante dessa situação o Governo Federal busca alterar novamente a meta fiscal. Com a nova meta, o déficit de 2017 e 2018 fica estabelecido em R$ 159 bilhões. Quanto maior o déficit, maior a possibilidade de aumento de impostos para que o governo possa pagar suas dívidas, abalando a credibilidade da equipe econômica e gerando consequências, tais como: nota de crédito, títulos públicos, inflação, juros / taxa Selic, dólar, empregos, reformas e impostos.

Para Rui Rocha, presidente da Partner Consulting, se confirmada, a proposta não só valida o descontrole do Governo sob seus gastos, mas também o desinteresse pelas Reformas prometidas, que poderiam patrocinar o crescimento da atividade econômica e com isso o aumento de arrecadação. “Elas implicam numa redução de gastos e sinalizariam que hoje não se consegue segurar o rombo fiscal, mas que nos próximos anos isso será feito”, avalia.

Um tópico otimista para as empresas, é que se encarada de forma séria a revisão poderá ajudar na liberação de recursos para investimento da atividade industrial. “Por outro lado, se não for conduzida com austeridade pelo Governo pode implicar no aumento de impostos, quer seja pelo aumento das atuais alíquotas ou pelo surgimento de novos impostos, que normalmente acontece com o ressurgimento de antigos fantasmas como a CPMF e os famosos e ineficientes impostos compulsórios”, comenta Rui.

Além é claro, do aumento do gasto público, que demanda em desvio de recursos para a manutenção de investimento, que por sua vez causa mais retração da demanda de consumo. “É essencial que o Brasil deixe de enxergar a questão de forma simplista, já que o aumento da arrecadação do Governo deve se dar por meio do aumento da atividade econômica, o que é salutar, e não pelo aumento de impostos”, salienta Rui.

É importante ressaltar que a revisão não implica necessariamente no aumento da crise econômica, já que sabemos de indicadores que demonstram tímidas melhorias. Um exemplo é o aumento do número de emprego com carteira assinada, a redução da taxa de juros e a manutenção das metas de inflação.  “No entanto, se a equipe econômica restringir os investimentos essenciais para o aumento da demanda, receberá em troca a redução abrupta da atividade econômica, e aí sim, será muito difícil sair da crise até o final da atual gestão, em 2018”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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