A realidade das pequenas empresas

Joseph Couri.

No segundo semestre de 2017, foi aprovada uma nova lei de reparcelamento de dívidas tributárias para empresas de todos os portes, Pert, como ficou conhecida. A iniciativa gerou expectativas entre os empresários, inclusive entre os micro e pequenos, que haviam sido incluídos no texto enviado pelo congresso ao executivo. Porém, o governo vetou a parte da emenda que se referia às empresas do Simples Nacional, excluindo-as da possibilidade de regularização via parcelamento de suas dívidas tributárias, com a alegação de que isso só poderia ser feito por meio de lei complementar.

Ainda em 2017, no final do ano, foi aprovada na Câmara e no Senado, uma lei complementar que novamente possibilitaria o reparcelamento de dívidas tributárias das micro e pequenas empresas. O texto foi enviado para sanção, porém, o governo federal o vetou integralmente, prejudicando os empresários e trazendo insegurança aos micro e pequenos.

O Pert vetado pelo governo previa a negociação dos tributos vencidos até novembro de 2017, com o pagamento à vista de 5% do valor total devido e descontos de até 90% dos juros e 70% das multas, além do parcelamento do montante restante em até 145 meses. Os empresários poderiam aderir ao parcelamento em até 90 dias após a Lei entrar em vigor.

Foi noticiado que houve uma negociação, entre o executivo e o legislativo, para a quebra do veto presidencial assim que o Congresso Nacional retorne do recesso. Porém, é necessário alertar que o retorno acontece em fevereiro, e que o prazo máximo para as micro e pequenas empresas, devedoras ou não, aderirem ao Simples Nacional e ao parcelamento ordinário atual é 31 de janeiro.

Portanto, mesmo que o veto seja realmente quebrado, tal medida será inócua, pois muitas micro e pequenas empresas serão excluídas do Simples, impossibilitando a opção pelo novo reparcelamento da dívida tributária que vier a ser aprovado.

Se essas empresas forem excluídas do Simples vão encarar ainda mais dificuldades para viabilizar sua operação, podendo até encerrarem suas atividades ou migrarem para a informalidade. Quaisquer das duas situações serão retrocessos inadmissíveis e prejudiciais para as empresas, mercado interno e, consequentemente, para o Brasil.

Neste vai e volta, falta ao governo considerar que as empresas deixaram de pagar os impostos por falta de capital e de linhas de crédito adequadas a um período de crise, e não porque assim o desejaram. Honrar as contas dentro dos prazos e manter o bom funcionamento da empresa é a vontade da maioria dos empresários. Cabe ressaltar que a resseção acentuou-se em setembro de 2014, e que foi gerada por uma crise política que afetou a economia Brasileira como um todo.

Os micro e pequenos empresários não vêm sendo beneficiados pelo governo e a melhoria do ambiente de negócios ainda é insuficiente. Estes empresários demandam o verdadeiro tratamento constitucional, pois são as molas propulsoras do desenvolvimento nacional. Mesmo diante de tantas dificuldades, a categoria continua em atividade na tentativa de superá-las.

Compreende-se o momento fiscal em que o governo está e a necessidade de arrecadar tributos. O Pert é, justamente, uma oportunidade para que se arrecade o que não foi possível obter no passado. O otimismo entre os empresários para 2018 aumentou, como aponta a 58ª rodada da pesquisa Simpi, principalmente por conta da recuperação estável do último trimestre, apesar de ocorrer a partir de uma base deteriorada. Ao todo, 67% dos micro e pequenos industriais preveem que alcançarão resultados positivos no ano que se inicia.

Para que essas expectativas de melhora se concretizem, são necessárias macro políticas públicas que permitam a melhoria contínua do ambiente de negócios para os pequenos empresários.

O artigo foi escrito por Joseph Couri, que é presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria (Simpi) e da ASSIMPI- Associação Nacional dos SIMPI.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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