Caso BRF: o impacto da governança na gestão

Viviane Doelman.

A importância da Governança Corporativa e o papel do Conselho de Administração têm sido subestimados. Até grandes corporações, como a gigantesca BRF, montam suas estruturas de governança, mas descuidam das melhores práticas que garantem benefícios para a gestão e a longevidade do negócio.

O caso BRF, e a reiterada tentativa de destituição de Abílio Diniz do cargo de presidente do Conselho, deixa claro o impacto que a Governança Corporativa pode ter nos resultados da empresa – positiva ou negativamente. Na produtora de aves e alimentos, que acumula prejuízos sem precedentes, há um claro desalinhamento entre os membros do Conselho – representantes de grupos acionistas – e entre o Conselho e os gestores. No centro do furacão, um dos mais conhecidos empresários brasileiros personifica a grande sombra projetada sobre o futuro da gestão do grupo.

O grupo vive um fenômeno muito comum: a falta de calibragem constante. Tem sido notória a falta de estímulo ao debate e ao diálogo em prol da companhia, como antídoto contra a defesa de interesses próprios. A ponto de, em reunião de Conselho em 5 de março de 2018, dia em que foi deflagrada a segunda fase da operação Carne Fraca e que resultou na prisão do ex-presidente da empresa, aliado do presidente do Conselho, o assunto que fez com que a empresa perdesse R$ 5 bilhões de valor de mercado sequer fosse colocado em pauta ‘por falta de informações’. O grupo caminha para um cenário em que o conflito estabelecido afasta a operação da estratégia do negócio e alimenta ainda mais os confrontos instalados.

Infelizmente, a Governança Corporativa ainda não é vista como elemento chave da gestão para a maioria das empresas. Acabou se banalizando por modismo. Obviamente por estar mais do que provado que empresas com uma boa estrutura de governança obtêm inúmeros benefícios, dentre os quais o atingimento consistente de resultados, a perpetuação da organização e a capacidade de atrair investidores e capital qualificado. Todas razões excelentes para se aderir às práticas de forma apropriada.

Para que se capitalizem os conceitos de Governança Corporativa na prática, em específico no que diz respeito aos Conselhos, é necessário que ao se constituir este fórum, seja ele de Administração ou Consultivo, avalie-se sua dimensão. Deve-se ponderar efetivamente se as pessoas que estão sendo consideradas são as mais adequadas, se são aquelas que irão conseguir levar a empresa para os resultados esperados, se têm a mentalidade certa para o momento que a organização está vivendo.

Este é um órgão que não pode servir para acomodar “ex-executivos da empresa, por gratidão”; familiares que precisam ter sua retirada justificada por alguma atividade; que querem por preciosismo estar ligados à empresa; ou ainda “figurões” que emprestam seu nome para a organização, mas que não trabalham por ela.

O Conselho deve trazer um misto de pessoas e perfis que trabalhem pela e para a empresa, conciliando interesses de acionistas, estabelecendo visão estratégica de longo prazo e auxiliando a diretoria executiva a atingi-la. Deve avaliar o funcionamento da companhia de forma holística para impulsioná-la em direção a sua missão.

Todo este cuidado e o uso devido da Governança certamente gerarão resultados que satisfarão acionistas e toda a comunidade que interage com a empresa, por meio do pagamento de dividendos para os primeiros, e a geração de oportunidades de negócio e empregos para todos os demais.

O artigo foi escrito por Viviane Doelman, que é sócia gerente da 3G Governança, Gestão e Gente, especialista em Governança Corporativa pela Fundação Dom Cabral (FDC)

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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