Quando desistir de um empreendimento?

Quando desistir de um empreendimento?

A grande maioria, para não dizer quase todos os casos, do que é lido e comentado sobre empreendedorismo está associado a grandes histórias de sucesso e à realização de sonhos pessoais. Empreender significa fazer algo novo, correr riscos. Riscos que precisamos prever e monitorar, quando a ideia de ser dono da sua própria vida, no sentido mais amplo, vem à tona.

Se, por um lado, cases de sucesso sobre o tema alimentam a esperança de pessoas que querem lançar o seu negócio próprio, por outro, podem iludir aqueles que se encantaram com histórias vitoriosas. Para quem é novo marinheiro nas águas do empreendedorismo é também preciso saber a hora de parar com um projeto se, por exemplo, ele começar a se revelar um sem fim de investimento em horas de dedicação e dinheiro, sem que algum resultado efetivo surja no intervalo de tempo razoável ou previamente planejado.

Não foram apenas uma ou duas vezes que me vi aconselhando pessoas para que aplicassem o “parar de perder”, do inglês, “stop loss” para empreendimentos variados. Em muitos casos a ideia pode ser excelente, mas o momento daquele produto ou serviço não apresenta demanda, simpatia pelo público ou custo benefício adequado – preço que o mercado esteja disposto a pagar.

A primeira pergunta que faço para empreendedores que não estão tendo sorte (ou até mesmo não planejaram bem) no seu negócio é: você não vê mais futuro no seu projeto? Por quais motivos?

Se a resposta for positiva e bem embasada, logo vem o primeiro conselho: Caia fora! Você pode sim fazer essa escolha. Mas de longe é a mais fácil.

Desistir envolve o emocional. Quantas vezes você já não se sentiu impotente ou fracassado por ter que deixar algo em que acreditava de lado? E não é só isso! Envolve os outros. Sempre vem aquele pensamento: ‘o que os outros vão dizer?’

Bom, caro leitor, com relação a este último tópico tenho outra pergunta a fazer para você, caso você se preocupe com a opinião dos outros: essas pessoas participaram ativamente do seu plano de negócio? Elas sabem o que está acontecendo nos bastidores para você tomar essa sábia decisão de sair do projeto? Nem preciso dizer que se a resposta for não, pare de pensar nos outros! Você tem que pensar em você! Ninguém tem nada a ver (ou de fato se importa) sobre o que está acontecendo na sua vida pessoal e profissional.

É claro que você pode e deve pedir conselhos para amigos de sua confiança. Pode solicitar uma análise especializada – um mentoring ao longo dessa jornada ou quando surgir a grande dúvida – “o que fazer?” . Buscar uma análise especializada e racional sobre o que está acontecendo pode ser fundamental para esta tomada de decisão. Afinal, você está envolvido emocionalmente na criação e lançamento desse novo negócio e decidir com isenção sobre o futuro dele pode parecer um tanto quanto difícil.

Reinvente-se

Outro ponto que pode prejudicar essa questão de ‘quando parar’ é a questão do investimento – o montante de dinheiro e tempo gasto para colocar a sua ideia de pé. Você fica com aquela conhecida sensação de que precisa recuperar todo o investimento, recursos e esforços imediatamente, e que desistir disso ‘tudo’ deve ser a última opção. É apavorante a ideia de você perder a sua ideia por ‘nada’.

Mais uma vez, venho aqui nesse texto com outra verdade! Daquelas que dói, mas se faz necessária. Não, caro empreendedor! Você não está parando por nada! Você no mínimo adquiriu uma grande experiência ao longo desse projeto a que você se dedicou. Conhecimentos que inclusive podem te ajudar na construção de outro novo empreendimento.

Quanto aos recursos financeiros incorridos, são aqueles que chamamos de custos irrecuperáveis – não adianta tentar retorná-los ao seu bolso sob a ótica daquele velho jargão: “agora vai dar certo!”. Essa atitude pode levá-lo a perder mais dinheiro ainda! Lembra quando falei acima do “parar de perder”? Muito cuidado! Temos que saber a hora de parar para que sua vida financeira e pessoal não se torne um inferno e você venha a “queimar” toda sua economia ou ultrapassar a soma que você dedicou ao projeto no seu planejamento – muita disciplina nessa hora!

Você conhece aquela rede de restaurantes fast-food norte-americana Kentucky Fried Chicken, ou o KFC. Você pode até não saber quem é o seu fundador Harland Sanders pelo seu nome, mas certamente já viu a sua cara estampada nos característicos baldes de frango frito do restaurante.

Bom, trouxe a história dele aqui para mostrar o contrário para qualquer um que diz que não se pode recomeçar um projeto do zero. Em 1930, para completar a renda da sua família, ele passou a servir pratos para viajantes em um posto de gasolina na beira da estrada. Seu nome ficou conhecido não só em Kentucky, mas em outros estados americanos, e Sanders foi aprimorando a sua receita de frango.

Com apenas algum tempo atuando na área, o inevitável aconteceu: uma estrada próxima ao seu local de trabalho foi redirecionada, reduzindo o tráfego de automóveis. E não só: uma nova estrada seria construída, justo em cima do posto de gasolina.

Forçado a desistir do negócio naquele instante, o americano não desistiu do seu sonho. Apenas usou da sua expertise adquirida para reinventar outro negócio.

Fechou parcerias com restaurantes pelos Estados Unidos e estipulou acordos com negociantes: eles pagavam quatro centavos de dólar por frango vendido com a receita criada por Sanders. O sucesso foi tanto que a ideia virou a rede de franquias que conhecemos, a KFC.

Está vendo que uma situação que não estava nos planos de Sanders poderia ter colocado todo seu projeto de vida abaixo? Ele fez dos limões aprendidos no antigo negócio uma limonada. Daquilo que ele aprendeu em seu antigo e pequeno negócio, ele criou algo novo e com alcance muito maior. Portanto, coragem! Se tiver que desistir de uma ideia antiga, de um modelo de negócio que não está avançando, tome a decisão CERTA!

Troque o passado, que por algum motivo teve os planos frustrados, e mire no futuro com um mercado muito maior. Faça sua mente e seu coração vislumbrarem um cenário muito mais promissor. Pense nisso!

O artigo foi escrito por Uranio Bonoldi (foto), que é consultor, palestrante e oferece aconselhamento personalizado para empresários e executivos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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