Advogado dá dicas para formalizar um bom acordo extrajudicial trabalhista

Advogado dá dicas para formalizar um bom acordo extrajudicial trabalhista

Um ano após a Reforma Trabalhista, o Tribunal Superior do Trabalho registrou um aumento significativo no volume de acordos extrajudiciais. Dados recentemente divulgados, apontam que, até novembro de 2018, foram apresentados 33,2 mil acordos para homologação, um aumento, portanto de 1804%. Quase 80% deste montante foi homologado pela justiça, que chancelou as condições formalizadas entre empregador e empregado para colocar fim à relação de emprego.
Os acordos, até a Reforma, aconteciam sem a necessária homologação pelo judiciário, mas agora, contam com a obrigatoriedade da chancela da Justiça.

Segundo Renato Tardioli (foto), sócio do escritório Tardioli Lima Advogados, é uma boa alternativa para empregadores e empregados que ganham segurança jurídica, além de outras vantagens. “A Justiça do Trabalho foi tão protecionista no passado que, quando havia rescisão, por mais que a empresa pagasse o que era definido, sempre havia uma expectativa de que, nos dois anos seguintes, o colaborador poderia ingressar com ação trabalhista para requerer indenizações por alguma questão específica – doença ocupacional, horas extras, etc. Com a homologação judicial, os riscos são totalmente afastados, pois caso surja alguma ação trabalhista posterior, a empresa, munida do acordo já homologado, facilmente demonstrará que improcede o pedido do ex-empregado.

O que Tardioli recomenda é que estes acordos extrajudiciais sigam, rigorosamente, os requisitos determinados pela Lei: “É essencial que empregador e empregado estejam representados por advogados, e que apresentem uma petição conjunta. O mais importante, porém, é que a redação seja muito clara, com a discriminação de todas as verbas envolvidas evitando dispor sobre quitação ampla e genérica, que não é vista com bons olhos pelos tribunais e pode inviabilizar a homologação”.

A seguir, o advogado faz outras observações importantes:

– O acordo sempre é vantajoso para ambas as partes. Tanto empregador como empregado precisam entender que o acordo trabalhista extrajudicial, por si só, traz ganhos em relação a custos processuais e tempo do processo, além de outras situações que podem ser dispostas, como por exemplo, a liberação do fundo de garantia pelo empregador em favor do empregado que requer a rescisão do contrato de trabalho, o que em tese, não teria direito.

– No que tange ao empregado, ele pode evitar, num eventual processo, de acordo com a nova lei, o pagamento das custas processuais da parte vencedora, caso perca, bem como os honorários de sucumbência, que envolvem as perícias e despesas com os advogados da parte contrária. A possibilidade de perder dinheiro, além do processo, é algo a considerar antes de ajuizar uma ação. “Após a reforma, os Tribunais têm proferido diversas decisões e consolidado o entendimento que autores de reclamações infundadas são condenados em custas processuais e sucumbência“.

– Por parte das empresas, é recomendável que os acordos não contemplem cláusula genérica de quitação geral e irrestrita do contrato de trabalho, por isso, deve ser grande o cuidado com a redação do documento, pois o objetivo final é ter o acordo homologado.

No mais, Renato Tardioli adverte que nem todos os acordos são homologados pela Justiça. “O juiz vai analisar diversas questões para atribuir ou não a chancela do judiciário. Apesar da boa vontade demonstrada pelos dados divulgados pelo TST, nada que fira a lei ou que aparente conluio ou coação será aprovado ou deixará de ter sérias consequências”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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