Empreender e Correr: cruze a linha de chegada com um planejamento consciente

Empreender e Correr: cruze a linha de chegada com um planejamento consciente
Márcia Tolotti.

Nos cansamos de ouvir que todo empreendedor precisa ter um plano de negócios antes de começar qualquer atividade. É uma bela teoria, mas nem sempre é praticada. Sabemos que muitas pessoas estão empreendendo não por vocação, mas por necessidade. A mudança nas relações de trabalho, os empregos cada vez mais escassos e a “economia de espasmos” estimula o surgimento de empreendedores em todas as áreas. No entanto, a maioria que se aventura no mundo do empreendedorismo não sabe onde está se metendo e isso, infelizmente, aumenta muito a possibilidade de fracasso e perda da reserva financeira.

Mas o que fazer com a angústia de quem perdeu o emprego ou não consegue uma colocação? Não se trata de abrir mão dos sonhos ou metas, mas sim de investir, organizar o tempo e elaborar estratégias. Mesmo que muitos não percebam, sempre existe um planejamento, seja ele consciente e estruturado ou inconsciente e caótico. E o que é melhor? Estruturar as suas ações ou seguir aquela intuição nebulosa que fica apenas na cabeça, quase sempre confusa?

O famoso “jeitinho brasileiro”, uma herança cultural perpetuada no Brasil até os dias de hoje, nos faz acreditar que somos bons no improviso. Acreditamos tanto nisso que acabamos ficando míopes. Podemos até sermos bons no improviso, mas, apesar de ser uma condição necessária para o sucesso profissional, é insuficiente. Independente de onde se quer chegar, os processos de decidir, planejar, mensurar e, principalmente, ter um rumo certo para seguir, continuam sendo as melhores alternativas para obter sucesso.

Vamos definir sucesso aqui como “atingir uma meta complexa”. É claro que a complexidade de algo depende muito de cada um, pode ser abrir uma empresa, lançar um produto, mudar de carreira ou até mesmo ter um desafio físico, como conseguir realizar uma maratona. Um empreendedor e um corredor de rua, por exemplo, se assemelham muito. Precisam encontrar tempo e recursos para cruzar a linha de chegada que estabeleceram. Há sete anos adotei a corrida como forma de me manter saudável e treinar foco e disciplina. Pouco tempo atrás, quando pensei em correr a ultramaratona TTT (Travessia Torres Tramandaí), conhecida como a prova mais “casca grossa” do sul do país, com 82 Km na areia em pleno verão, sabia que precisaria transformar o pensamento em ação e, para isso, o primeiro passo seria, genuinamente, decidir. E para tomar uma decisão que fosse consciente, precisaria enxergar o que representaria correr tantos quilômetros.

Minha primeira atitude foi migrar ensinamentos do mundo corporativo para o esporte. E, assim, utilizei a ferramenta 5W 2H para analisar de forma estruturada e depois decidir. Armada de papel e caneta, fui respondendo:

5 W: What (o que será feito?) – Why (por que será feito?) – Where (onde será feito?) – When (quando?) – Who (por quem será feito?). 2H: How (como será feito?) – How much (quanto vai custar?)

Talvez haja quem ache chato fazer isso e prefira calçar o tênis e sair correndo. Mas isso vai influenciar diretamente no resultado que deseja atingir. Chegou a hora de melhorarmos nosso desempenho naquilo que nos propomos a fazer. Pois bem, fiz um planejamento, treinei duro por oito meses e, apesar dos imprevistos, conclui a prova com muito mais sucesso que esperava, com direito a pódio em 1º lugar na minha categoria. O que aprendi? Muitas lições e diversos ganhos, como a ampliação da força mental, aumento da autoconfiança, diminuição da auto sabotagem. Além disso, ratifiquei que planejamento funciona sim e que a corrida também pode transmitir ensinamentos para os empreendedores. Como? Refletindo sobre as etapas abaixo e analisando os resultados:

Decisão: do sonho ao planejamento;
Treino: o exercício da força de vontade e a superação;
Equipe: mesmo que faça solo, você não está sozinho;
Mente: como superar crenças limitantes e evitar a escalada irracional;
Corpo: a saúde e o limite de cada um;
Apoio: escolha bem seus parceiros de jornada;
Prova: hora de continuar X momento de desistir;
Resultado: momento de analisar os próximos passos e reiniciar o ciclo.

Planejar não tira ou diminui a emoção, ao contrário, fortalece a decisão e aproxima a conquista. Focar no planejamento consciente é essencial para cruzar sua próxima linha de chegada.

O artigo foi escrito por Márcia Tolotti, que é palestrante e autora de diversos livros, entre eles: As Armadilhas do Consumo (Elsevier) e O Desafio da Independência. Também é professora, consultora e sócia executiva da Moddo Conhecimento Estratégico.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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