Crise e mudança nos hábitos de consumo afetam mercado de refrigerante. Para crescer, empresas lançam novos produtos

Crise e mudança nos hábitos de consumo afetam mercado de refrigerante. Para crescer, empresas lançam novos produtos

O mercado brasileiro de refrigerantes vem passando por grandes desafios nos últimos três anos e sentindo bastante a redução de consumo. Esta queda na demanda é atribuída a dois fatores: a opção de uma vida mais saudável com a retirada do açúcar da alimentação e a queda do poder aquisitivo, que obrigou os consumidores a abrirem mão de produtos supérfluos.

Em termos de faturamento, a indústria de refrigerantes sofreu uma perda de 30% em três anos. Em 2014, por exemplo, o consumo per capita de refrigerante era de 80 litros/ano. Em 2017 caiu para 62 litros/ano e, este ano, está em 60 litros per capita/ano.

Eu conversei com o diretor superintendente da indústria catarinense de bebidas Água da Serra, o executivo paranaense, Eymard Frigotto (foto), e ele me disse que a expectativa daqui para frente é que o consumo de refrigerantes deve se manter nos níveis atuais. Neste sentido, as indústrias têm buscado aumentar suas receitas através do lançamento de novos produtos como sucos, bebidas energéticas e chás.

Este é o caso da Água da Serra, que continua crescendo mesmo em meio à crise. A indústria que tem fábrica no município de Braço do Norte, a 170 quilômetros de Florianópolis, programou investimento de R$ 50 milhões até 2023. R$ 20 milhões já foram investidos no ano passado para dobrar a capacidade da fábrica e outros R$ 30 milhões estão previstos para a instalação de uma nova fábrica no Paraná, que por questões de logística, deve ficar na região metropolitana de Curitiba.

A Água da Serra, que é a maior indústria de bebidas de Santa Catarina, fabrica atualmente 60 produtos e tem como carro chefe o refrigerante Laranjinha. Ela está no mercado há 78 anos e emprega 130 pessoas diretamente e outras 300 indiretamente. O Paraná representa 22% do seu faturamento. Hoje, a empresa está presente em Curitiba, em municípios da região metropolitana e em algumas cidades do interior. Com o plano de expansão, a indústria chegará a todas as cidades paranaenses.

Só os competentes sobrevivem às crises

Indagado sobre os estragos na crise no setor industrial, Eymard Frigotto me disse que o Brasil sempre passou por dificuldades, mas para sobreviver é preciso ter competência.

O superintendente da Água da Serra não acredita em melhoria da economia brasileira antes de 2023. Na sua avaliação, nem mesmo a previsão de crescimento de 0,8% prevista para este ano se confirmará e o incremento positivo, caso aconteça, ocorrerá apenas em função do agronegócio. “A indústria está sofrendo cada vez mais o achatamento de margem. As reduções de preços que estão ocorrendo se dão pela crise, que tem obrigado as empresas a fazer promoções se quiserem vender. A Água da Serra diminuiu a margem de lucro e, com isso, tem que vender cada vez mais para manter seu faturamento, sem contar que os preços dos refrigerantes estão há dois anos sem reajuste”, explica.

Setor de forte concorrência

O setor de refrigerantes é bastante concorrido, principalmente quando se analisa as pequenas empresas regionais, onde mais de 300 indústrias brigam por uma fatia de 15% do mercado. Só a Coca Cola detém entre 65% e 70% do mercado, enquanto que a Ambev tem 20% de participação.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *