Mercado imobiliário reage, mas baixo estoque deve contribuir para aumento dos preços em 2020

A queda histórica da taxa Selic projetada para 4,5% em 2020, vai dar um novo impulso ao mercado imobiliário, que já dá sinais de reação neste final de ano. O que preocupa, no entanto, é baixo estoque de imóveis disponíveis no mercado.
Eu conversei com o diretor da Brain Inteligência Corporativa, Fabio Tadeu Araújo, e ele me disse que o estoque de imóveis novos está no menor patamar dos últimos cinco anos. Em 2014, por exemplo, Curitiba tinha um estoque de 14 mil imóveis novos. Hoje, este estoque está em apenas 4.500. Com os juros menores tanto para as construtoras, quanto para o consumidor final, e a retomada gradual da economia, a procura por imóveis certamente aumentará e o número atual será insuficiente para atender a demanda, o que certamente forçará uma alta.
Só para se ter uma ideia do que representa a redução do juro, eu vou citar o exemplo de um apartamento no valor de R$ 200 mil financiado no prazo de 30 anos. Com o juro de 12% ano, a prestação inicial deste imóvel era de R$ 2.500 ao mês. Com a queda do juro para 7% ao ano, a prestação mensal cai para R$ 1.700. Isso significa uma economia de R$ 800 no mês, e quase R$ 29 mil no período, o que é uma boa quantia, e vai incentivar muitas pessoas a comprarem imóveis.
Agora, o que também já está se observando, é o retorno dos investidores para o mercado imobiliário. É que como os ganhos das aplicações financeiras estão cada vez mais reduzidos, os investidores estão comprando imóveis, principalmente, na planta, visando uma rentabilidade maior no futuro e também porque o imóvel é um investimento seguro.
Outro item que se observa é a mudança das tendências de consumo do mercado de imóveis. No caso dos jovens, hoje eles não se preocupam tanto com a aquisição de bens, pois as novas tecnologias possibilitam mais mobilidade e economia, principalmente quando se trata de adquirir um imóvel. Tal mudança de comportamento resulta em unidades menores; menos vagas de garagem e compartilhamento de áreas. Dez anos atrás, o padrão de mercado era de apartamentos de 100 metros quadrados. Atualmente, a maioria dos lançamentos são de imóveis de 60 metros quadrados. Mas, é importante ressaltar que essa evolução não está na diminuição dos espaços e sim na sua eficiência, como se vê na arquitetura modular, que é uma tendência forte na construção.
Também é grande a demanda de investidores curitibanos para comprar estúdios de área reduzidíssima. Um empresário da construção civil de Curitiba me disse que ele lançou recentemente estúdios de apenas 19 metros quadrados na Avenida Silva Jardim, para venda na planta e ficou impressionado com a velocidade no fechamento das vendas. Esses imóveis de área reduzidíssima são voltados para aluguel via Airbnb e jovens que vêm para Curitiba para fazer uma faculdade.
Mirian Gasparin








