Petróleo despenca no mundo, mas preço reduzido não chega ao consumidor

Petróleo despenca no mundo, mas preço reduzido não chega ao consumidor
A guerra nos preços do Petróleo entre Rússia e Arábia Saudita, dois dos maiores produtores do mundo, causou uma verdadeira turbulência na economia global. O barril do petróleo Brent despencou de 24,10%, chegando a US$ 34,6. Já o barril do petróleo WTI registrou baixa de 24,6%, alcançando US$ 31,13.

Acrescida a esta grande tensão está a reclamação do presidente Jair Bolsonaro sobre a redução do valor dos combustíveis nas refinarias, promovida pela Petrobras, que não chega no bolso do consumidor. Com isso, a cobrança elevada de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) tornou-se persona non grata para a população devido aos elevados preços da gasolina e do diesel nos postos.

A reclamação do presidente, inclusive, transformou-se num verdadeiro desafio aos governadores, já que o chefe do executivo federal sinalizou sobre a intenção de reduzir os tributos federais em troca da diminuição da alíquota do ICMS.

Mas será que a cobrança de tributos é único vilão para os preços elevados dos combustíveis? Para se ter uma ideia, em São Paulo, por exemplo, basta andar de um bairro para outro para ver a disparidade nos preços. Em zonas mais nobres da cidade, como o bairro do Morumbi, a gasolina chegou a ser cobrada R$ 5,86 na primeira semana de fevereiro. Já em áreas mais afastadas, o valor gira em torno dos normais R$ 4,60. Por que isso acontece? O erro está somente na tributação?

É fato que a realidade tributária brasileira possui sua complexidade e que temos inúmeros tributos, alíquotas e afins que respigam fortemente nos preços dos combustíveis. Estamos diante de um dos setores mais tributados do Brasil, no qual metade do valor pago pelo consumidor nas bombas é de tributos federais e estaduais (ICMS). É assustador se pararmos para pensar que a média nacional gira em torno de 48%, com todos os impostos somados, mas, em alguns estados, como no Rio de Janeiro, a carga chega próximo de 52%, porque a alíquota do ICMS é de 34%.

Os impostos são parte relevante na composição dos preços, porém não é justo dar os créditos negativos do combustível somente à volatilidade tributária. A grande questão é que o problema não é só do ICMS. Ao pagar valores díspares de um bairro para outro, como ilustrado acima em São Paulo, por que alguns postos operam com valores altos, mesmo quando há cortes de preço da Petrobras no fornecimento às refinarias?

Os postos de gasolina não aplicam essas oscilações para menores e, somado a isso, ainda há o custo de operar no comércio em um bairro nobre é maior e, além disso, há diferentes tamanhos de estabelecimentos, estruturas, números de empregados e instalações. Portanto, os encargos aos empregados para a manutenção da operação de venda de combustível no comércio varejista também causam impacto na variação de preço do combustível.

Não há como negar que alguns comerciantes praticam margens de lucro acima do razoável, mas não concorre com o peso da carga tributária incidente sobre as operações com combustíveis no Brasil. O repasse dos ajustes de preço nas refinarias para o consumidor final nos postos depende de diversos fatores, como tributos, margens de distribuição, revenda e mistura de biocombustíveis.

A solução para a diminuição dos preços dos combustíveis no Brasil passa pela revisão da carga tributária, pela redução dos custos operacionais e a atuação do Estado no sentido de conter a aplicação de margens de lucros em patamares que acarretam a sensível elevação dos preços, pressionando os índices inflacionários e a alta dos preços de todos os produtos consumidos no País.
 
O artigo foi escrito por Inácio Nogueirol, que é especialista fiscal na Taxweb, pioneira em Digital Tax para o Compliance Fiscal das empresas.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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