Varejo eletrônico cresce 26,7% no primeiro trimestre, mas tíquete médio cai 4,5%

Varejo eletrônico cresce 26,7% no primeiro trimestre, mas tíquete médio cai 4,5%

O Compre&Confie, empresa de inteligência de mercado com foco em e-commerce, apresenta os resultados do varejo digital no Brasil durante o primeiro trimestre de 2020 na nova edição do relatório Neotrust. Considerado o ‘censo’ do varejo online brasileiro, o levantamento é considerado o mais abrangente do país, desenvolvido periodicamente com a parceria do E-commerce Brasil.

A edição atual mostra que o e-commerce cresceu de forma significativa durante os primeiros três meses do ano. O faturamento atingiu R$ 20,4 bilhões (alta de 26,7% em relação ao mesmo período do ano passado), um reflexo do aumento expressivo do volume de compras realizadas pela internet: 49,8 milhões, número 32,6% maior do que o do primeiro trimestre de 2019.

Apesar da alta significativa, consumidores estão gastando menos em suas compras online. De acordo com o estudo, o tíquete médio dos pedidos realizados no primeiro trimestre foi de R$ 409,50 – valor 4,5% menor do que o registrado em 2019 –, um fator já relacionado à chegada do coronavírus ao Brasil.

“A Covid-19 já provoca mudanças estruturais no hábito dos consumidores de varejo digital. Com as medidas de isolamento implantadas no fim do mês de março, cada vez mais pessoas optam por adquirir pela internet itens de necessidade básica, como produtos de supermercado ou de farmácia. Enquanto isso, itens de maior valor agregado, como eletrônicos, ficam em segundo plano. Essa conjuntura ajuda a explicar a queda do tíquete médio no período”, explica André Dias, diretor executivo do Compre&Confie.

Além do aumento expressivo das vendas de produtos de higiene e saúde, especialmente no mês de março, outras categorias ligadas ao momento de quarentena de grande parte da população brasileira no primeiro trimestre do ano também apresentaram crescimento nas vendas como: Artigos para Casa, Eletrodomésticos/Ventilação, Suplementos/Esporte e Lazer, Móveis/Construção e Decoração.

Outro fator que destoa das tendências observadas anteriormente é a redução do valor do frete, mesmo em meio ao aumento significativo do número de compras. O preço médio do serviço teve redução de aproximadamente 6% em relação ao mesmo período de 2019, totalizando R$ 21,06.

“Esse é um comportamento atípico, que pode ser explicado pelo sucesso das promoções realizadas no primeiro trimestre. ‘Saldões’ e a Semana do Consumidor, que, por vezes, usam do frete grátis como estratégia de venda, tiveram resultados significativos no início do ano. Somente esta última data movimentou R$ 1,89 bilhão em março, crescimento de 19% em relação às vendas nos mesmos sete dias de 2019”, completa André Dias.

Em meio a tantas mudanças, o relatório também traz conclusões alinhadas às perspectivas mostradas nos trimestres anteriores, como: o fato de que a maior parte das compras realizadas em 2020 foi feita no Sudeste (responsável por 66,6% dos pedidos); as mulheres continuam sendo o público que mais compra em volume no e-commerce; e a idade média dos compradores, que permanece em 37 anos.

Cross Border

Fora das fronteiras nacionais, o e-commerce também tem boas perspectivas, se depender do consumo dos brasileiros. De acordo com uma pesquisa conduzida pelo Compre&Confie com 2.397 consumidores, no último ano, sites estrangeiros faturaram R$ 6,1 bilhões. O resultado reflete as 59,5 milhões de compras realizadas durante todo o ano e o tíquete médio registrado, de R$ 102,00.

“Apesar de significativos, os números ainda não trazem preocupações para os varejistas locais. No mesmo período, o e-commerce brasileiro movimentou R$ 75,1 bilhões e concentrou mais de 178 milhões de pedidos de compra”, destaca Dias.

No último ano, 14,1 milhões de consumidores fizeram pelo menos uma compra online em sites estrangeiros. A média é de quatro compras por consumidor nessas plataformas durante todo o ano. Entre as categorias mais compradas, estão: Eletrônicos (destacada por metade dos compradores), seguida por Telefonia (28,7%) e por Moda e Acessórios (21,4%).

Ainda segundo dados da pesquisa, a principal motivação de compra em plataformas fora do país está em preços menores (apontada por 82,7% dos entrevistados). Em seguida, está a busca por produtos não encontrados no Brasil (36,4%) e por maior variedade de produtos (29,9%).

Apesar do volume significativo de compras, a principal preocupação dos consumidores na hora de visitar sites internacionais é o tempo de entrega (apontado por 67,5% deles).

“As preocupações com a COVID-19 ainda estavam longe de chegar ao ápice no período ao qual a pesquisa se refere. Ainda assim, 57% dos entrevistados declararam terem medo de se contaminarem por futuras encomendas estrangeiras ao longo deste ano”, finaliza Dias.

A terceira edição do relatório foi divulgada nesta quarta-feira (8) e está disponível para download no site: www.compreconfie.com.br/relatorios. O estudo traz um panorama completo do trimestre e mais detalhes a respeito do consumo online dos brasileiros no varejo digital.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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