Indústria de café especiais busca novas formas de venda e quer crescer 50%

Indústria de café especiais busca novas formas de venda e quer crescer 50%

O mercado de cafés vinha em ritmo de crescimento constante nos últimos anos e, no inverno, a demanda chegava a aumentar entre 40% e 50%. Porém, este ano, a pandemia do novo coronavírus está fazendo estragos em toda a cadeia do setor cafeeiro.

Eu conversei com o diretor comercial da CCG Representações, que é responsável pela marca de café Bonblend, Carlo Gallinea, e ele me contou que com a quarentena e o consequente fechamento de shoppings, cafeterias e escritórios, as vendas de cafés especiais se retraíram. Aliás, levantamento realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) com seus membros apontou uma queda de mais de 70% na venda do produto desde que começou o isolamento social.

Novas formas de comercialização

Carlo Gallinea me disse que com os escritórios das empresas transferidos para o sistema de home office e as cafeterias tanto de rua quanto de shopping não podendo atender seus clientes no local, o mesmo ocorrendo com as padarias, a opção foi buscar novas formas de comercialização para não deixar o faturamento cair.

A Bonblend, indústria catarinense fundada há 10 anos pelo casal Valéria e Claudimar Zomer, reúne cafés premium, superior, clássico e tradicional. Antes mesmo da pandemia, a empresa tinha um plano de expansão, que previa crescimento de 50% no período de 12 meses.

Plano de expansão

Este plano foi antecipado em função de toda a situação que o mercado passa. E novos nichos estão sendo explorados para ampliar a rede de distribuição, bem como os canais de vendas, incluindo a presença em marketplaces. Até maio, as vendas online eram feitas apenas no site www.bonblend.com.br

Gallinea me contou que a indústria também está preparada para aumentar a fabricação de cafés especiais de marcas próprias. Segundo o executivo, não dá para se acomodar enquanto o mercado não volta à normalidade.

As variedades que compõem a Bonblend envolvem anos de experiência, padrões excepcionais de qualidade, paixão e dedicação pela bebida. A companhia, com sede em Joinville, se estruturou e por isso consegue repetir a mesma qualidade do café em toda produção. Vem daí o slogan ‘a combinação perfeita’, ou seja, a mistura perfeita de grãos selecionados e desenvolvidos para equilibrar e harmonizar o sabor e aroma dos cafés.

Consumo

Quanto ao consumo de café, apesar da anormalidade causada pela pandemia, pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Torrefação e Moagem de Café (ABIC) mostra que 98% dos brasileiros consomem o grão. A tendência é que até 2021 a procura cresça mais de 3% quando se fala no tipo comum.

O diretor comercial da CCG me disse que isso abre espaço para todo universo que gravita ao redor do produto, especialmente o segmento de cafeterias que gira em torno de 4 mil no Brasil e se soma aos outros 13 mil estabelecimentos como bares, lanchonetes e padarias que ofertam o chamado café especial.

Conforme a Organização Internacional do Café (OIC), o Brasil é o segundo maior consumidor mundial da bebida, logo atrás dos Estados Unidos, que possui 14% da demanda mundial. O Brasil representa 13% dessa procura, equivalente a 21 milhões de sacas ao ano.

Entre 2017 e 2018 houve um crescimento de 4,8% no consumo, comparado com período anterior. A projeção, segundo Gallinea, é que exista aumento pela busca de cafés mais exclusivos e pela experiência diferenciada do produto.

Quem bebe café?

Embora a maior parte do consumo doméstico ainda seja o produto tradicional, pesquisa da consultoria internacional Euromonitor mostra que o café premium tem ganhado espaço no Brasil, girando em torno de 70 mil toneladas – 5 a 10% do total no setor. Esse consumo também tem crescido com média de 15% ao ano, enquanto o do café tradicional sobe por volta de 3,5%. 

A pesquisa mostra ainda que dos consumidores de café premium, 20% pertencem à classe A, 50% à classe B e 30% à classe C. A maior parte desse público vive na região Sudeste (45%), seguida pelo Nordeste (22%) e Sul (17%).

O perfil de apaixonados pela bebida revela um público eclético: 40% deles tem acima de 40 anos, 25% está na casa dos 31 aos 40 e 35% tem entre 18 e 30 anos.

Em relação a preço, o café é uma commoditie e é cotado em dólar em bolsa de mercadorias. A Bonblend vem segurando os preços para não prejudicar as vendas.

Cafés de origem

A Bonblend também trabalha com os chamados “Cafés de Origem”, fornecendo grãos das principais regiões brasileiras e preservando as essências de cada terroir [extensão de terra cultivada e seu microclima], além de “Cafés de Edições Limitadas” – os chamados microlotes com perfis sensoriais únicos. Os microlotes são adquiridos em concursos de qualidade ou por meio do relacionamento direto com o produtor.

Diferenciais

Entre os diferenciais ofertados pela marca estão as embalagens da linha em grão, feitas em três camadas e válvula importada – o que garante o frescor, a qualidade, o sabor e o aroma do produto por muito mais tempo.

Outro cuidado da Bonblend – que garante o sucesso da marca e a diferencia dos cafés comuns – é o olhar sensível na produção e uma seleção qualificada dos grãos, controle da origem do produto in natura, certificado de qualidade e maior proximidade com os cafeicultores.

“Existe todo um conceito em volta dos nossos produtos para garantir sempre o mesmo sabor, acidez, corpo e fragrância. Isto nos permite atender clientes mais exigentes, que sabem apreciar uma bebida de mais qualidade e diferenciada dos cafés mais comuns do mercado”, finaliza Gallinea.

Mirian Gasparin e informações da Mem&Mem Comunicação

Crédito das fotos – Divulgação

 

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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