Eternit inicia novo ciclo e tem lucro de R$ 40 milhões no terceiro trimestre

Eternit inicia novo ciclo e tem lucro de R$ 40 milhões no terceiro trimestre

A Eternit registrou lucro líquido de R$ 40 milhões no terceiro trimestre de 2020 graças a um conjunto de fatores positivos. O primeiro foi estrutural, com a conclusão de todo o processo de reestruturação, iniciado há três anos, que culminou no ‘turnaround’ (mudou o desempenho e voltou a crescer).

Ao longo desse período, houve redução de estruturas administrativas e de custos fixos, além da revisão do portfólio de negócios, deixando de atuar em louças, reservatórios e metais. Houve também uma grande mudança tecnológica, com o fim do uso de amianto na produção das telhas de fibrocimento, que foi substituído pelas fibras de polipropileno, produzidas em uma unidade da empresa em Manaus.

Reestruturação

A reestruturação foi concluída no 2T20 e, no 3T20, a empresa passou a operar apenas com os negócios que quer manter. “Assim, foi possível reduzir custos e eliminar operações não rentáveis, o que culminou numa concentração nos negócios voltados para cobertura, claramente as telhas de fibrocimento, a produção de fibra de polipropileno e as telhas de concreto comercializadas pela marca Tégula”, afirma Luis Augusto Barbosa, presidente do Grupo Eternit.

Outro fator que contribuiu para o resultado do 3T20 foi o aquecimento do mercado de construção civil, beneficiado a partir do plano do governo federal, que injetou uma grande quantidade de dinheiro na camada da população mais carente com o benefício emergencial. Como as pessoas ficaram mais tempo em casa, acabaram utilizando boa parte desses recursos para melhorar o ambiente onde vivem. Segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, o segmento de materiais de construção é um dos que mais crescem desde março, início da disseminação do novo coronavírus no país. Em agosto, por exemplo, a variação positiva para as vendas frente ao mesmo mês de 2019 foi de 24,1%.

A receita líquida totalizou R$ 201,1 milhões, aumento de 58% frente ao 3T19, reflexo do crescimento das vendas de telhas de fibrocimento e da retomada das exportações do crisotila.
 

“Tivemos um 3T20 muito positivo em vendas e que nos permitiu recuperar o que tinha sido perdido no 2T20. O 1T20 foi razoável, muito em linha com o que estava no plano operacional da companhia. O 2T20 foi fortemente impactado pela pandemia, principalmente a última semana de março e a primeira quinzena de abril, maio começou a mostrar uma reação e em junho estávamos operando num nível bastante bom. As vendas então tiveram um resultado muito bom em volume. Por conta do aquecimento da demanda, recebemos vários aumentos de preço em nossas matérias primas, e tivemos que fazer repasses desse impacto para nossos preços de venda. Havia uma depressão de preços por conta de um excesso de capacidade e no momento em que houve um aumento na ocupação dos ativos de toda a indústria, houve também uma acomodação de preços em toda a cadeia”, explica o executivo.

O EBITDA Ajustado, excluídos itens não recorrentes, totalizou R$ 41,7 milhões, representando um aumento de 157% frente ao mesmo período do ano anterior. “O 3T20 marca o início de um novo ciclo da Eternit, em que as questões de lucratividade estão equacionadas. É claro que não é possível afirmar que esta situação de mercado irá prevalecer. Já houve uma redução do auxílio emergencial por parte do governo federal, ao mesmo tempo que outros ramos da economia foram reabertos, o que volta a dar um leque de opções ao consumidor para alocar o seu dinheiro.

 
Por outro lado, há uma percepção de que depois da pandemia, ou na fase final, a construção civil ainda será favorecida. Primeiro, porque houve mudança no comportamento do consumidor, que irá ficar mais tempo em casa. É possível trabalhar, produzir, mesmo estando dentro de casa. Então haverá uma valorização de tudo aquilo que é investimento no lar, seja uma casa um pouco maior, ou itens de conforto e decoração ou serviços para a casa. Todos os ramos da economia que se destinam a este segmento serão favorecidos”, avalia Barbosa.

Mineradora Sama

O resultado do 3T20 também foi positivamente impactado pela Sama, que está operando com fins exclusivos para exportação. “Neste momento, nós estamos trabalhando de acordo com a legislação estadual de Goiás que permite a exploração da mina para fins exclusivos de exportação. Não usamos mais amianto em nossas fábricas de telha, assim como nenhum outro fabricante de telhas no Brasil.
 
O produto da Sama é embalado automaticamente na mineradora em Goiás e de lá vai diretamente para os clientes no exterior. Nós entendemos que essa situação tende a se perenizar, mas ainda dependemos do julgamento de um questionamento da constitucionalidade dessa lei, o que está em análise no STF, pondera o presidente do Grupo Eternit.

Resultados e Conjuntura

A Eternit está com uma taxa de ocupação bastante elevada em todos os ativos de fibrocimento e na planta de Manaus. Já a Sama, como está operando exclusivamente para exportação, trabalha parcialmente, com um terço de sua capacidade nominal.

“É importante salientar que estamos concluindo um processo de turnaround, em um momento em que o mercado também está aquecido. É claro que o resultado é muito bom por conta dessas duas situações concomitantes. Mas, independentemente disso, concluímos um processo de reestruturação, temos uma nova tecnologia estabilizada, com um portfólio de negócios enxuto e rentável. A Eternit voltou a ser rentável por si só, pois seu principal negócio, as telhas de fibrocimento, voltou a ser rentável”, ressalta o gestor.

Recuperação Judicial

A respeito da Recuperação Judicial, a empresa vem cumprindo todas as etapas do plano de recuperação judicial, que foi aprovado pelos credores; inclusive algumas foram até antecipadas. Vale destacar que o plano praticamente não conta com resultados operacionais para o pagamento de credores. Todo o plano é baseado na venda de ativos não operacionais. Não dependendo do fluxo de caixa dos negócios. Isso foi um dos pontos que ajudou a empresa a ter o plano operacional aprovado rapidamente ao demonstrar que havia ativos não operacionais suficientes para honrar com todos os compromissos.

“A alienação desses ativos demanda um certo tempo. A justiça é muito rigorosa e muito zelosa com o direito dos credores, então cada processo de venda de um ativo exige uma série de medidas comprobatórias e rigor para garantir os interesses dos credores. Nós fizemos alguns primeiros movimentos mais rápidos, que eram basicamente dações em pagamento. Outras etapas que dependem de leilão dos ativos são mais demoradas, exatamente por essa preocupação e zelo da justiça com os interesses dos credores. Mas essas etapas estão sendo cumpridas e estamos agora com a fase de leilões em curso, com editais já publicados, com prazos já correndo e podendo ser concluídos em um futuro próximo. Por isso, estamos muito satisfeitos e muito otimistas com o cumprimento de todas as etapas”, finaliza Barbosa.

Telhas fotovoltaicas

A telha fotovoltaica é uma inovação, mas dentro do core business da companhia. Esse novo produto será fabricado nas unidades já existentes, gerando um maior valor agregado. É um produto ainda em desenvolvimento que está caminhando bem. A Eternit vem cumprindo as etapas do plano de desenvolvimento com sucesso, e a previsão é iniciar a comercialização no primeiro semestre de 2021. Neste último semestre de 2020 ainda é necessário concluir algumas etapas importantes do projeto:

– Homologação dos produtos no Inmetro e em órgãos internacionais, com parte já concluída. A telha fotovoltaica de concreto (sob a marca Tégula Solar) já tem a homologação e agora a empresa está trabalhando na homologação da telha de fibrocimento, e ambas serão testadas em laboratórios internacionais quanto à durabilidade. Essa é uma etapa a ser cumprida até o fim do ano;

– A conclusão de instalação e estabilização do processo industrial. Já foram instaladas as máquinas no primeiro semestre em Atibaia e agora está sendo definida uma série de ajustes para garantir um processo industrial que dê repetibilidade;

– A terceira e última etapa é a instalação dos projetos piloto. Serão instalados os projetos em aplicações reais de clientes específicos, que foram selecionados nos diferentes setores: residencial, comercial e agronegócio, onde há potencial no produto.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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