Aumento do ICMS pode provocar o fechamento de indústrias regionais e gerar mais desemprego no Paraná

Aumento do ICMS pode provocar o fechamento de indústrias regionais e gerar mais desemprego no Paraná

“Vai ser uma catástrofe, porque a nossa carga tributária já é pesada”, afirmou, nesta terça-feira (1º), o diretor da fábrica Refrigerantes Gold Scrin, Paulo Pagani, sobre o projeto de lei do Governo do Paraná que sugere aumentar o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços) de bebidas no Estado. Em entrevista ao Portal de Bebidas Brasileiras, o executivo ressaltou que o aumento da alíquota do imposto, de 18% para 29%, sugerido pelo Governo do Estado, poderá provocar o fechamento da indústria regional e gerar mais desemprego.

O projeto tramita em regime de urgência e poderá ser colocado em pauta ainda nesta semana. A alegação do governo é de compensar perdas de arrecadação, cujo déficit previsto para 2021 chega a R$ 3 bilhões e que foram agravadas pela pandemia da Covid-19. No entanto, segundo Pagani, a aprovação da proposta prejudicaria mais de 20 mil trabalhadores, que atuam direta e indiretamente em indústrias do setor.

A indústria Refrigerantes Gold Scrin fica em Cianorte, a 500 quilômetros de Curitiba. É a fábrica mais antiga da cidade e tem papel extremamente importante para geração de emprego e renda.

De acordo com Pagani, executivos do setor ainda alimentavam a expectativa de que o governo paranaense viesse prestar apoio a empreendimentos locais, em consideração à crise provocada pela pandemia da Covid-19, em 2020.

“Estamos passando o pior ano de nossa história. Fizemos esforços para não mandar gente embora. No fundo, tínhamos esperança de que, voluntariamente, o Governo do Paraná concedesse estímulo para que empresas pudessem continuar abertas, gerando emprego e renda”, destaca Pagani.

Se o projeto for aprovado, ressaltou o empresário, a probabilidade de fabricantes fecharem as portas é grande. “O ICMS é o maior imposto que a gente paga. É pesado, é violento. Nós, que somos indústrias regionais, não temos benefícios fiscais. O aumento da alíquota de 18% para 29% é fatal”, afirma o empresário. “Se aprovar a proposta, vamos fechar no dia seguinte”, lamenta ele.

16 empresas fecharão as portas no Estado

Segundo a Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras), que repudia a proposta do governo paranaense, no total, 16 indústrias do segmento deverão fechar as portas, caso a medida passe a vigorar. A Afebras prevê que esses fechamentos provocarão a demissão de mais de 2 mil pessoas empregadas diretamente por estas empresas, e mais de 20 mil pessoas empregadas indiretamente.

O projeto tramita em regime de urgência e poderá ser colocado em pauta ainda nesta semana. A alegação do governo é de compensar perdas de arrecadação, cujo déficit previsto para 2021 chega a R$ 3 bilhões e que foram agravadas pela pandemia da Covid-19. No entanto, o próprio governo do Paraná concedeu à Ambev incentivos fiscais que podem alcançar R$ 843 milhões até o final deste ano, o que, diz a Afrebras, só revela “uma política focada em privilegiar grandes empresas”.

‘Governo equivocado’

O economista Marcelo Sido afirma que o aumento da alíquota de ICMS para bebidas frias irá provocar uma total inviabilização do funcionamento das indústrias desse setor. “Se o Governo do Paraná acredita que dessa forma irá aumentar sua arrecadação, está totalmente equivocado, pois as empresas irão fechar as portas ou migrar para Estados vizinhos onde o tributo é menos oneroso”, analisa ele. As empresas também desenvolvem fazem doações para a comunidade.

O presidente da Afrebras também diz que a proposta do Paraná vai na contramão de medidas adotadas por Estados próximos. “Enquanto acompanhamos outros Estados fazendo as correções tributárias para o setor, como é o caso de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, o nosso Estado do Paraná toma uma iniciativa absolutamente preocupante”, afirma. Em maio, deputados estaduais se mobilizaram por menos tributos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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