Criada rede para fomentar mercado de investidoras anjo e fortalecer o empreendedorismo feminino

Criada rede para fomentar mercado de investidoras anjo e fortalecer o empreendedorismo feminino

A cidade de Curitiba, que completa 328 anos neste dia 29 de março e é considerada uma das capitais mais inteligentes do país por contar com um forte ecossistema de inovação, ganha mais uma marca, a WIM Angels – Women Investment Movement. Uma rede que nasce com o propósito de incluir mais mulheres no universo de investimentos anjo e empoderar mulheres empreendedoras na construção de negócios de base tecnológica e inovação.

Como em qualquer rede de investidores anjo, o objetivo da WIM é aportar capital e conselhos estratégicos para o crescimento de startups. Sua atuação será por meio de mulheres protagonistas, tanto no papel de investidoras quanto no papel de empreendedoras, já que as startups que receberão investimento deverão ser fundadas e geridas por mulheres.

O investimento anjo em startups brasileiras mais do que dobrou na última década e passou a marca do bilhão aportados em 2019. Segundo a Anjos do Brasil, organização sem fins lucrativos que reúne investidores anjo e apoia o empreendedorismo no país, em sua última pesquisa publicada em 2020, o valor foi 9% maior do que no ano anterior. O número de investidores também apresentou um crescimento expressivo anual de 6%, chegando a 8.220 no final de 2019.

O aumento do valor total e valor médio investido em startups acompanha o crescimento do número de anjos no Brasil. No entanto, o que chama a atenção é a baixa presença de mulheres. Em termos de aporte efetivo, a Anjos do Brasil contabiliza que os aportes sejam feitos 93% por homens e apenas 7% por mulheres. Ou seja, a cada 100 investidores-anjo no Brasil, apenas 7 são mulheres. Números preliminares já apontam um crescimento de 7% para 11%, segundo pesquisa que será veiculada em abril.

Se em uma década tivemos um salto de 55% no número total de investidores anjo, na próxima década queremos que este salto ocorra também na evolução do número absoluto de mulheres investidoras, o que implica dobrar a marca das quase 600 atuais. A WIM quer contribuir ativamente para isso acontecer.     

Como a WIM nasceu? 

A WIM foi fundada por 13 investidoras, com experiências e background em diversas áreas, que se uniram pelo propósito de ampliar a participação feminina no ecossistema de inovação. A WIM atuará nas duas pontas: 1) para a empreendedora com a oferta de money e smart money, pois além do aporte de recursos financeiros oferecerá conhecimento e networking para o desenvolvimento de negócios e 2) para as investidoras, atuará no desenvolvimento do ecossistema de investidoras mulheres.

A origem de tudo aconteceu no evento Business Round e Empreendedora Curitibana no dia 06 de agosto de 2020 que falava da importância de potencializar e incentivar a participação feminina nas áreas de Investimento e Tecnologia. Na ocasião, quatro fundadoras da WIM, Adriana Karam, Cris Alessi, Linda Machado e Marcia Cavalcante discutiam as dificuldades para as empreendedoras e para as investidoras e resolveram fazer algo a respeito.

Em 2 meses elas agregaram mais mulheres com o mesmo propósito, selecionaram startups e realizaram o primeiro aporte. Isso prova que a WIM é uma rede de menos palco e mais ação. “Não há tempo a perder e sim a empreender, semeando empreendedoras e contribuindo com crescimento de novas investidoras”, afirma Marcia Beatriz Cavalcante, presidente da WIM Angels.

Ainda segundo Márcia, a WIM pretende se conectar com outros núcleos de investimento anjo feminino, através de parcerias e co-investimento.

O primeiro investimento

O primeiro investimento da WIM foi em parceria com a WE Impact, venture builder dedicada a mulheres líderes de startups. Além de investir capital financeiro e apoio no seu desenvolvimento em tecnologia, produto, time e receita, a We Impact oferece ainda às startups investidas uma rede qualificada de conexões que inclui grandes corporações como Microsoft, Multilaser e Porto Seguro. Desde a sua fundação, em 2019, a WE Impact, que tem como founder e CEO uma mulher, já investiu mais de R$ 1,5 milhão no empreendedorismo feminino tecnológico, impactando a vida de mais de 100 mulheres.

O coinvestimento foi feito na Pontue, uma plataforma SaaS de aprendizagem voltada para diretores, professores e alunos, fundada em 2017 pela professora de português Cris Miura, e pela bacharel em direito Livia Toledo. A startup conta atualmente com 201 escolas parceiras, 35 mil alunos de escolas públicas e privadas, e uma base com mais de 1,7 mil educadores de Ribeirão Preto – SP. Em 2020, a Pontue foi uma das 18 startups selecionadas, dentre mais de 900 inscritas, pela WE Impact.

Segundo a CEO da WE Impact, Lícia Souza, o uso da tecnologia a favor da educação, que já vinha se configurando como tendência, tornou-se uma necessidade e aposta em 2020. Na medida em que muitas escolas devem seguir com o ensino remoto ou híbrido até que possam retornar totalmente ao presencial, a incorporação de ferramentas com tecnologia de ponta no dia a dia das instituições de ensino tem se tornado cada vez mais essencial e promissora.  No último ano, durante a pandemia, a Pontue cresceu 322% e planeja crescer até 200% em 2021.

Com o propósito de melhorar a qualidade da educação, o modelo de negócio da startup é baseado em uma plataforma digital para escolas inovadoras que desejam potencializar a aprendizagem do aluno e permitir ao professor construir um plano de aula totalmente online, de forma rápida e descomplicada. O professor seleciona o objetivo da aprendizagem, escolhe a videoaula, apostila ou atividade que irá compor a jornada e libera para o aluno. A plataforma também agiliza a correção das tarefas com aplicação de Inteligência Artificial, oferecendo aos estudantes a possibilidade de feedback rápido e assertivo para que possam desenvolver sua aprendizagem de modo efetivo.

Como participar desse movimento? 

A WIM é uma rede de investidoras e a forma de fazer parte é por indicação, ou seja, é necessário que ocorra uma indicação por uma das mulheres que já seja membro da WIM. Os critérios utilizados para a avaliação é que a investidora tenha condições de contribuir com a rede não só com money, mas com um blend de smart e money. A WIM busca investidoras que possam contribuir com conhecimento específico, networking e acesso a capital.

“Mesmo sem fazer parte do grupo, as mulheres poderão conhecer o mundo e as boas práticas de investimento anjo, pois a WIM promoverá ações de apoio na formação e desenvolvimento de investidoras que estão iniciando sua jornada”, afirma”, afirma Linda Machado.

O WIM oferecerá com regularidade sessões de esclarecimento sobre investimento anjo, apresentação de suas investidas, compartilhamento de experiências de suas investidoras e de investidores convidados.

Como apresentar uma startup para ser investida? 

As startups podem encaminhar seus pitch decks através de um formulário disponibilizado no Linkedin da WIM. Todas as apresentações passarão por uma seleção e análise prévia antes de submeterem suas propostas. Essa seleção é conduzida mensalmente pelo comitê de seleção da WIM e os atributos de seleção dessa análise são:

1) A WIM busca startups com base tecnológica e inovação;

2) É necessário que o produto já tenha passado por um MVP e tenha um faturamento recorrente, mesmo que pequeno.

3) É necessário que a startup tenha sido fundada por mulheres que detenham ao menos 50% da participação societária e exerçam função executiva ou gerencial na empresa.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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