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Comparações e classificações: que rótulo usar?

A explosão dos rankings e a necessidade de aparecer no mundo digital  sinaliza a realidade de que vivemos em um mundo líquido, em constante transformação, em que tudo vira post, tem alcance e é efêmero. A miríade de dimensões de fotos, de exposição, de conteúdos, de informações é uma marca do século 21, em que se compara e classifica. Bandeiras são erguidas para promoção de causas eternas e ganham diferentes tons no discurso com crítica, muitas vezes sem criatividade.

A classificação começa na base, com países sendo designados como do primeiro mundo, sonhado e esperado, do segundo ou do terceiro. Nova classificação para países desenvolvidos, em desenvolvimento ou menos desenvolvidos, com base em um conjunto complexo de indicadores. Mas todos seguem como classificação apenas. Porque este mundo tão sonhado do primeiro mundo, como nos Estados Unidos da América, de acordo com relatório de 2019 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, possui 17,8% da população em pobreza relativa e mais de 40 milhões de habitantes vivem abaixo da linha da pobreza. Uma estatística que pode, inclusive, ter sido alterada devido à pandemia que assola todo o planeta.  

Quando os refletores da nossa análise reluzem em terras tupiniquins, para além de números e estatísticas, é no andar pelas ruas que nos deparamos com realidades de pobreza multiplicadas pelas praças, marquises, pontes. A pobreza econômica assola e extrai de forma temporária, ou definitiva, a dignidade humana. No Brasil, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2012, a renda per capita era de R$ 1.304,00 por família. Passados nove anos, constatamos como renda per capita o valor de  R$ 1.406,00 que deve suprir todas as demandas de sobrevivência. Porém, entre 2012 e 2019, tivemos acumulo de 5,61% de inflação, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. 

Comparações e rankings  vão muito além do nível macro de mundos criados para sobrevivência e manutenção do status quo, pois estão presentes em nossas vidas e no cotidiano de nossos atos. E nessa sociedade em que tudo é comparado, somente seremos adeptos a partir da análise do ranking. Seja daquele produto, ou de determinado pensamento, ou ainda do número de seguidores.  

Nesse mundo líquido acredita-se que comparar cientistas, professores, nobres representantes da paz pode ser uma saída para uma sociedade em transformação. Muitos discursos de rankings e comparações são mascarados pelo conceito de globalização e, inclusive, guardam na mesma proporção as bandeiras de igualdade e equidade. Ao mesmo tempo, todas as catástrofes humanas são caracterizadas a partir do mundo globalizado, comparado e repleto de rankings.  

Compreender a totalidade da sociedade a partir do prisma da dialética, da relação interna de interação dos seres humanos, das conexões do singular com o plural, faz-nos ter vontade de revelar que a emancipação humana pelo trabalho e  educação constitui-se como elemento central para sociedade que busca por rótulo. E se, de repente, você assumir que seu rótulo é FIB (Felicidade Interna Bruta), mesmo não estando no Butão, olhará para os seus dias com a grandeza daquele que compreende que viver ultrapassa rótulos.  

O artigo foi escrito por Dinamara Pereira Machado, que é é diretora da Escola de Educação do Centro Universitário Internacional Uninter.

Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
https://www.miriangasparin.com.br

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