Saiba como preparar bem uma empresa para ir a mercado
Uma das decisões mais difíceis de tomar é a de levar uma empresa a mercado. É preciso analisar bem os motivos, o melhor momento, precificar corretamente e, principalmente, prepará-la detalhadamente para a transação, afirma Osias Brito, sócio-fundador da BR Finance.
Em geral, a motivação dos empresários que visam vender seus negócios é a ausência de sucessores, a idade avançada de seus sócios ou desentendimentos irreconciliáveis entre eles, aumento da competição, vontade de repensar o modo de vida – fator que teve um peso maior com a pandemia de Coronavírus – e, mesmo, uma oferta extraordinariamente significativa.
Motivos à parte, uma boa venda é um modo adequado de remunerar a capacidade de criação e empreendedorismo que fizeram o negócio vingar e crescer até o ponto em que se encontra no momento.
É necessário considerar, também, o ponto de vista do investidor, que, em geral, busca ampliar seus negócios, aumentar sua participação no mercado em que atua, absorver um concorrente para tirá-lo do mercado, entrar em novos setores ou segmentos, elevar a produtividade ou atrair talentos, entre outros possíveis motivos.
Seja como for, ao fazer uma aquisição, o investidor está em busca de vantagens como, por exemplo, agregar uma via de crescimento rápido e o mercado do concorrente, gerar escala e sinergias de custos (economias em áreas centrais, por exemplo), receitas (novos clientes, novos produtos e mercados), além de compras (maior volume que leva a menor custo unitário).
Diante dessa análise, é preciso refletir qual a melhor forma de preparar a empresa para ir a mercado, em cinco etapas:
1. Formalizar a empresa: evitar pagamentos informais, compras e vendas sem nota fiscal e manter um ambiente formal na empresa
2. Contratar uma auditora externa, que se torna um diferencial relevante que gera confiança no investidor em relação à qualidade dos números e de seus processos internos e menor necessidade de provisionar ou contingenciar valores. Vale ressaltar que a empresa não precisa ter o balanço auditado para passar por um processo de M&A. No entanto, ter o balanço auditado significa um selo de qualidade;
3.Contratar um Financial Advisor, dada sua capacitação técnica para definição de valor econômico e negociação, ausência de sentimento no processo e coordenação das etapas de um processo de M&A. A escolha do Financial Advisor deve levar em consideração sua elevada experiência prática e acadêmica, seu histórico no mercado e no setor, a qualidade de sua equipe e as recomendações que lhe são feitas.
4. Estruturar junto com o Financial Advisor a operação almejada. Isso compreende: ( i ) Estabelecer um preço mínimo para o negócio, junto com os argumentos para sustentá-lo; ( ii ) Definir a participação a ser vendida, se vai ser 100%, controle ou minoritária; ( iii ) Caso a venda não seja de 100%, decidir se os recursos da venda da participação irão para o bolso dos sócios ou serão aportados na Empresa; ( iv ) Refletir se todos os sócios deixarão a empresa, caso ela seja negociada; e ( v ) Identificar se existem contingências não materializadas relevantes e quais garantias poderíamos oferecer ao Investidor.
5. Checar a necessidade de um planejamento tributário afim de se diminuir a carga de impostos, tais como: capitalização de lucros acumulados, titularidade de quotas (pessoa física ou jurídica), regime de casamento, etc..
Assim, chega-se ao momento adequado para ir a mercado, observando alguns sinais, tais como ondas de consolidação no setor, grande assédio por parte de investidores, a empresa estar em seu melhor momento (o que possibilita extrair seu maior valor econômico), e quando seus diferenciais estratégicos apresentam boas avenidas de crescimento.








