Juros altos são bombas de fragmentação contra o agronegócio

A manutenção da Selic em patamares muito elevados, conforme decisão do Copom nesta quarta-feira (16/03), que aumentou a taxa Selic em um ponto percentual (de 10,75% para 11,75% ao ano) vai provocar grande impacto no custos do agro, com reflexos inevitáveis nos preços dos alimentos, commodities, insumos e biocombustíveis. A avaliação é de Fábio de Salles Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp).

O dirigente lembra que o setor já vinha sendo seriamente afetado, nos dois últimos anos, pela escalada dos juros, pandemia, intempéries e crise hidroenergética. Agora, com a invasão da Rússia à Ucrânia, há o fator agravante do risco no fornecimento de fertilizantes minerais. “Nesse cenário, os juros altos têm o efeito de uma bomba de fragmentação contra o agro, atingindo todos os seus segmentos simultaneamente”, alerta.

O Brasil é dependente do insumo. Importa mais de 80% do total que consome. Em 2020, demandou 40 milhões de toneladas, dos quais 33 milhões foram comprados no exterior. Deste total, 23% são provenientes da Rússia e 3% de Belarus.

As sanções econômicas aos dois países em decorrência da crise geopolítica no Leste Europeu ameaçam a produtividade agrícola. Para manter os crescentes rendimentos no campo, o fertilizante é essencial, somado aos avanços genéticos das sementes, ao conhecimento técnico dos produtores e à tecnologia empregada no campo.

Além do problema dos fertilizantes, a majoração do petróleo, também decorrente dos embargos à Rússia e com imediato reflexo no preço dos combustíveis no Brasil, agrava os custos dos produtores rurais. O combustível das máquinas agrícolas e fretes está mais caro, onerando as operações. “Nesse cenário, os juros têm efeitos explosivos sobre o nosso setor”, afirma Meirelles.

O presidente da Faesp pondera que o Plano Nacional de Fertilizantes, que acaba de ser lançado pelo governo, é uma iniciativa importante, mas com resultados de longo prazo. “Neste momento, é prioritário garantir a produtividade agrícola, com a busca de novos fornecedores, como está tentando no Canadá a ministra Tereza Cristina, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Também é fundamental encontrar meios para que os produtores consigam crédito com juros mais baixos, pois a Selic como referência é explosiva”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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