Comprador de imóvel está mais preocupado com o valor da parcela do que com os juros

Comprador de imóvel está mais preocupado com o valor da parcela do que com os juros

Análise de mais de 3,6 milhões de conversas com inteligência artificial mostra que o interesse por crédito imobiliário permanece estável apesar das queda da Selic

Enquanto o mercado acompanha cada movimento da taxa Selic e seus possíveis impactos sobre o crédito imobiliário, quem está do outro lado da tela parece ter outra prioridade. Um levantamento da Morada.ai, empresa especializada em inteligência artificial para o mercado imobiliário, mostra que uma em cada dez conversas de brasileiros em busca de um imóvel já envolve financiamento ou condições de crédito, percentual que permaneceu praticamente estável ao longo dos três cortes da Selic realizados em 2026.

O estudo analisou mais de 3,6 milhões de conversas realizadas pela assistente virtual Mia desde outubro de 2023, em uma base composta por mais de 200 incorporadoras distribuídas por todo o Brasil. Os dados indicam que o interesse pelo crédito imobiliário é estrutural e não apenas uma reação às oscilações da política monetária.

“O ponto central está no financiamento imobiliário. Ele demora mais a baratear porque não depende só da Selic, é um mercado com dinâmica própria, não uma simples Selic menos spread. Para o comprador de imóvel, o impacto prático é que a aprovação pode melhorar antes da parcela cair muito. Uma queda pequena na taxa pode aumentar o valor financiável e reduzir a parcela. Mas enquanto a Selic estiver em dois dígitos altos, o financiamento continua restringindo a demanda, especialmente na classe média” , comenta o CEO da Morada.ai, Ramon Azevedo.

O brasileiro não pergunta sobre a Selic, mas quanto vai pagar

O levantamento mostra uma diferença importante entre o debate econômico e a realidade do consumidor. Entre as conversas relacionadas a crédito, 49% mencionam o preço do imóvel, 32% tratam de simulações de financiamento e 21% abordam o valor da entrada. Já as referências diretas à Selic ou aos juros aparecem em menos de 1% das interações.

Na prática, isso significa que o comprador não acompanha indicadores macroeconômicos para decidir a compra. Seu foco está em perguntas objetivas, como o valor da parcela, a renda necessária para aprovação do crédito e o montante da entrada.

“A redução da Selic ajuda a melhorar a confiança do consumidor, mas nossos dados mostram que a vontade de comprar um imóvel já existe antes disso. O financiamento aparece de forma recorrente nas conversas porque o comprador quer entender rapidamente se o sonho da casa própria cabe no orçamento”, afirma Luis Veloso, cofundador e CRO da Morada.ai.

É justamente nesse momento que atua a Mia, inteligência artificial da Morada.ai. Integrada ao WhatsApp, Instagram, chats e aplicativos das incorporadoras, a tecnologia conduz toda a conversa com o potencial comprador, realiza simulações financeiras em tempo real, coleta informações sobre renda e perfil, apresenta imóveis compatíveis, agenda visitas e encaminha o cliente qualificado para um corretor, reduzindo o tempo entre o primeiro contato e a negociação.

Interesse por simulação cresce

Outro dado do levantamento mostra que a intenção de contratar crédito está amadurecendo. Enquanto as buscas genéricas relacionadas à compra de imóveis permaneceram estáveis nos últimos cinco anos, o interesse por simuladores de financiamento cresceu cerca de 200% no período, indicando que o consumidor está cada vez mais próximo da decisão de compra.

O estudo também revela que 96% das pessoas que utilizam a simulação de financiamento da Morada.ai possuem renda dentro das faixas do programa Minha Casa, Minha Vida, sendo que aproximadamente 70% recebem até R$ 5 mil por mês. O dado reforça a importância da simulação financeira como etapa inicial da jornada de compra para esse público.

IA já movimentou mais de R$ 15 bilhões em vendas

Na prática, a Morada.ai já está presente em uma parte relevante da jornada de compra de imóveis no país. A tecnologia da empresa é usada por quase 200 incorporadoras em 17 estados, entre elas Direcional, Plano&Plano, Patrimar/Novolar, Emccamp e Pernambuco Construtora. Esse grupo soma mais de R$ 60 bilhões em Valor Geral de Lançamentos, o equivalente a cerca de 25% do VGL nacional.

Criada para atuar antes da venda, a Mia já fez mais de 3,1 milhões de atendimentos e processou mais de 71 milhões de mensagens. Em 2025, participou da comercialização de 15 mil imóveis e esteve envolvida em mais de R$ 15 bilhões em VGV. A IA responde dúvidas, simula financiamentos, coleta informações, apoia a aprovação de crédito e só repassa o atendimento ao corretor quando o comprador demonstra intenção real de avançar.

Crédito da foto: unsplasch

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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