Mercado de tecnologia oferece vagas, mas tem dificuldades em preencher

Mercado de tecnologia oferece vagas, mas tem dificuldades em preencher

Pode parecer estranha a afirmação diante do atual cenário do mercado de trabalho no Brasil, mas existem áreas com mais vagas disponíveis do que profissionais capacitados para as preencher.

É o que tem acontecido no segmento de tecnologia. Com o boom e o aquecimento ocorrido nos últimos anos e, especialmente, acelerado durante a pandemia da Covid-19, já que a necessidade de soluções tecnológicas em diversos nichos demandou o aumento da mão de obra, ocorreu a defasagem entre o crescimento na oferta de vagas e o número de profissionais preparados no mercado.

Simone Borges, coordenadora de RH na ACOM Sistemas, empresa de tecnologia que desenvolve Sistemas de Gestão Integrada para o ramo do Food Service, tem observado diariamente no perfil de candidatos que avalia para a empresa algumas características que chamam a atenção e dão indícios de como anda o mercado.

Simone Borges.

“É interessante notar no currículo da maior parte dos candidatos uma característica muito peculiar: a grande maioria deles fica em média seis meses em uma empresa. A migração é muito grande e isso nos alertou a entender os porquês”, diz.

Um levantamento feito pela Brasscom, a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais, estima que até 2025 o Brasil tenha uma demanda perto de 800 mil novos talentos na área de desenvolvimento, programação e suporte, o que aumentará ainda mais a dificuldade em encontrar profissionais altamente capacitados.

Perfil 

A coordenadora explica que a volatilidade do mercado foi amplificada na pandemia pelo aquecimento do segmento de tecnologia e aumento das demandas de soluções inteligentes.

Como as oportunidades foram crescendo, a busca por candidatos mais qualificados aumentou as disputas entre as empresas, o que levou à adoção de novas estratégias, seja na procura e até mesmo, na formação de profissionais que se adequassem às políticas da empresa.

Segundo análise dos inúmeros perfis que chegam diariamente para concorrer às vagas da ACOM Sistemas e após conversar com tantos candidatos, foi observado dois pontos quase unânimes, que justificam o porquê candidatos acabam trocando tanto de empresas em tão pouco tempo.

O primeiro deles, é claro, é a remuneração, já que muitos profissionais buscam e olham as oportunidades apenas com foco em maiores salários, e não levam em consideração fatores como desenvolvimento de carreira.

A busca pelo home office ou jornada híbrida, também tem sido uma requisição comum, e as vagas que oferecem apenas a possibilidade de trabalho onsite são preteridas. Simone cita que é comum ouvir nas entrevistas que candidatos estão abandonando empresas que exijam o trabalho presencial, já que o home office permite mais economia, pois não há gastos com alimentação em restaurantes e o tempo é mais bem aproveitado, porque não há a necessidade de deslocamento, por exemplo.

Adequação ao cenário

A ACOM Sistemas teve um ótimo crescimento nos últimos anos, o que levou a aumentar significativamente o número de colaboradores e, assim, entender o que pode ser feito para que esse crescimento seja sustentável e constante.

Uma das medidas foi, justamente, apoiar o desenvolvimento propondo capacitações e abrindo oportunidades para o crescimento dentro da própria empresa, o que de certa forma mostra o interesse em manter esse funcionário dentro do ecossistema da organização por mais tempo.

Assim como grande parte das empresas, a flexibilização para o home office e jornada híbrida também foi outra medida adotada. Na contramão de muitas delas, que têm obrigado os funcionários a voltarem para o presencial, a ACOM Sistemas tem investido para deixar os funcionários no home office. Isso ampliou o leque de possibilidades de funcionários que podem estar em qualquer lugar do Brasil. No futuro, a empresa pensa em expandir essa procura para outros países também.

“Hoje, o nosso processo de contratação está bem robusto e mesmo com a dificuldade de encontrar profissionais, conseguimos tornar a ACOM um lugar muito atrativo para o desenvolvimento de carreira”, explica Simone Borges.

Rubens Oliveira.

Rubens Oliveira, CEO da Roadmap, empresa especializada em assessoria financeira para bares e restaurantes, com foco na implantação de sistema e terceirização de rotinas administrativas e parceira da ACOM Sistemas em vários projetos, também vê o cenário de busca de profissionais qualificados cada vez mais desafiador.

Ele diz que, na Roadmap, a busca é sempre focada em profissionais que demonstrem interesse em crescer junto com a empresa e sejam interessados em ter em várias plataformas, a partir de conhecimentos multidisciplinares que os inseriram dentro do organismo da Roadmap, que oferece esse espaço para os profissionais.

Isso tem ajudado a empresa a entender o perfil do profissional que busca no mercado e, como citado por Simone Borges, evitar a contratação de profissionais que queiram apenas “surfar a onda” das oportunidades.

“Quando buscamos um profissional, queremos aquelas pessoas proativas, perspicazes e que estejam abertas a novos desafios. Mais do que um conhecimento técnico engessado, a vontade de absorver novidades é fundamental”, diz o CEO.

Crédito da foto: Pixabay

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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