Planejamento financeiro de 2024 deve começar agora

Planejamento financeiro de 2024 deve começar agora

Quanto antes a pessoa começar a planejar as finanças, mais fácil será para analisar calmamente os pontos falhos e atuar para mudá-los

O ano mal começou e o dinheiro já é um problema. As contas dos cartões de crédito utilizado para fazer as compras de final de ano não param de chegar, atrapalhando o equilíbrio financeiro da família. Sem falar no material escolar, na matrícula da escola, no IPVA e no IPTU que costumam cobrar seu preço logo em janeiro. Este cenário já é conhecido por muitos. Para a educadora financeira Simone Sgarbi, a solução para não passar apuros todo ano encontra-se na organização financeira.

Segundo a educadora financeira esse é o momento de planejar as finanças para 2024. “O próximo janeiro tem que ser projetado agora e não em dezembro. Não adianta, se a pessoa não se organizou durante o ano, o dinheiro não vai cair no colo dela em dezembro”, diz.

O raciocínio é simples: com mais antecedência fica mais fácil analisar calmamente hábitos e os gastos que eles proporcionam, compreender os pontos falhos e atuar para mudá-los, fazendo economias, conseguindo renda extra e juntando o dinheiro necessário para pagar as despesas quando elas vierem. Conforme Simone, quando o planejamento das finanças é feito meses antes, consegue-se “diluir” estes gastos nesse intervalo. “Então, por exemplo, se a pessoa já sabe que o IPVA de janeiro de 2024 custará R$ 1.200, ela pode, a partir de março de 2023, separar R$ 100 todos os meses para essa despesa, e não ser surpreendida quando a conta chegar”, explica.

É fácil, mas não tanto assim, porque cada tipo de conta exige uma estratégia específica para que o peso delas seja mitigado no orçamento familiar. Sempre lembrando que tudo deve ser feito com pelo menos 10 meses de antecedência. A educadora financeira explica que existem três tipos de contas: as fixas, que chegam todos os meses, sempre com o mesmo valor. Entram nessa categoria as contas de aluguel, internet e streaming, por exemplo. As variáveis, que também chegam todos os meses, mas cujo valor oscila de um mês para o outro. Contas de água, luz e gás estão nesta categoria. E as contas sazonais, que chegam em um determinado período do ano, presentes de Natal, renovação de seguros, datas comemorativas.

Conforme Simone, a organização das contas fixas é a mais fácil, já que ela pode ser feita uma vez só no ano. No entanto, ela contém uma pequena armadilha, onde a maioria das pessoas se prende. “No momento de listar as contas fixas, costuma-se esquecer de colocar as datas em que elas serão reajustadas”, diz. Segundo a educadora financeira, isso pode fazer muita diferença no orçamento familiar, porque impossibilita agir no período para negociar o reajuste. “Pelo menos uma vez por ano, todos os anos, você deve conversar com a prestadora do serviço para tentar evitar o aumento ou até conseguir um desconto”, sugere.

Diferentemente das contas fixas, as contas variáveis refletem o comportamento do indivíduo. Neste sentido, de acordo com Simone, o controle delas passa pela mudança de comportamento. Para entender melhor como funciona os hábitos de consumo e estar ciente do que é preciso fazer para economizar, a educadora financeira recomenda que, antes de tudo, faça-se uma compilação de pelo menos três meses dessas contas. “O ideal é 12 meses, mas nem todo mundo tem tempo e disposição para analisar todo este período de conta de supermercado, por exemplo”, explica.

Com o extrato deste período fica mais fácil ponderar um média dos gastos mensais com estas contas e saber o valor que é preciso economizar. Conforme Simone, a missão ficará um tanto mais fácil estipulando pequenas metas, como, por exemplo, diminuir em 10% a conta de luz. Aqui, ressalta a educadora financeira, dois pontos são essenciais:  definir um objetivo a ser alcançando com a redução e celebrar as conquistas. “Se a pessoa não tiver muito claro o motivo de suas ações, ela desistirá mais rápido, porque é muito difícil viver na escassez. O mesmo acontece com a celebração. A pessoa precisa ter a sensação de realização, se não acaba desestimulada”, diz.

Para as contas sazonais vale o mesmo do que para os outros tipos de contas: é preciso organizar-se com antecedência. Conforme Simone, se dar presentes em datas comemorativas é importante para a pessoa, ela deve programar-se para não ficar “atolada” em contas de cartão de crédito que não param de chegar a qualquer momento do ano. “Faça agora uma lista de todas as pessoas a quem você pretende dar presente neste ano e já vá guardando um dinheiro mensalmente para esse objetivo”, orienta.

A educadora financeira ressalta a importância de se criar e nomear investimentos financeiros para cada fim almejado. Isso vale tanto para o dinheiro que será utilizado para o pagamento de material escolar e matrícula no começo do ano, como para o que será dispendido na compra de presentes de Natal no final do ano. Sem falar naquele que custeará as contas correntes da casa. “Dar nome aos investimentos é imprescindível. O dinheiro precisa ter uma direção se não ele se perde. Ao fazer isso, você perceberá que durante o ano as finanças começarão a encaixar-se mais facilmente como peças em um jogo de tetris”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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