Ainda há riscos de uma crise no sistema financeiro global?

Ainda há riscos de uma crise no sistema financeiro global?
Daniel Abrahão.

Silicon Valley Bank e Signature Bank nos EUA; Credit Suisse na Europa anunciaram falência no início de 2023, gerando pânico ao mercado

No início do ano, o mundo foi surpreendido por uma crise financeira no sistema bancário. Dois bancos americanos de médio porte quebraram: Silicon Valley Bank e Signature Bank, além do gigante banco europeu, Credit Suisse. No caso dos bancos americanos, mais especificamente o SVB (Silicon Valley Bank), reconhecido por massificar investimentos no setor de tecnologia, em 2020, os executivos da instituição embarcaram em uma estratégia arriscada ao investir em ativos com prazos de vencimento longos em busca de maiores rentabilidades.

Essa jogada deixou de lado métricas de risco. Logo antes de quebrar, uma onda de resgates obrigou o banco a liquidar esses investimentos de longo prazo antes do vencimento, resultando em enormes prejuízos graças à aceleração da taxa de juros americana. Caso parecido aconteceu com Signature Bank.

Já o banco suiço, Credit Suisse, conviveu por décadas com uma má administração, inclusive com escândalos; não aguentou a onda de pessimismo na instituição, ocasionando vultosos resgates de seus correntistas e investidores, sendo levado a cabo mesmo antes de decretar falência.

Como medida de proteção financeira e contenção de uma crise em níveis alarmantes ao sistema financeiro, os bancos centrais americano e suíço agiram rapidamente e foram ao socorro das instituições. Programas de linha de crédito foram executados como injeção ao problema, mas mesmo com a ação de assistência, concorrentes dos bancos falidos compraram o que sobrou.

Para Daniel Abrahão, especialista em mercados financeiros e assessor na iHUB Investimentos, há uma força maior potencializando as dificuldades dos bancos. “Existe um grande vilão para as instituições financeiras de pequeno e médio porte: as atuais taxas de juros globais. Nos EUA, as últimas elevações do FED já registraram uma das maiores taxas da história americana. Com a permanência dos altos juros, muitas empresas solicitam ajuda ou iniciam processo de falência, graças à falta de liquidez”, comenta.

Quais os impactos dessa crise para a economia global?

Na luz dos eventos de quebra das instituições financeiras, uma imediata aversão ao risco se configurou para bolsas globais. A ajuda instantânea dos bancos centrais evitou, em certo modo, um efeito dominó.

No Brasil, não foram sentidos grandes impactos da crise pós “quebra bancária”, ficando as consequências restritas às regiões onde essas instituições financeiras atuavam. No cenário nacional, apenas episódios locais estão interferindo numa maior restrição de crédito, relembrando o caso “Americanas”.

A fusão dos bancos quebrados com outras instituições foi benéfica para o sistema financeiro ?

“O ponto de reflexão é: ‘existiria melhor alternativa’? Os reguladores acreditam que não. Instituições financeiras e não financeiras historicamente são incorporadas aos seus pares em momentos de crise aguda. A solução foi natural e plausível. No caso das fusões, os depósitos que tinham a segurança foram amparados, reguladores bancários garantiram que grande parte dos depósitos estão seguros”, afirma o assessor.

Todo processo de fusão é demorado, podendo levar anos para ser concretizado. Existem movimentos de liquidação de ativos e subsidiárias para acontecer. Nessa nova organização, clientes antes atendidos pelas marcas quebradas, passam a ter o amparo dos novos nomes. As ações remanescentes tendem a ser incorporadas às instituições que compraram.

“Apesar do momento quente e agitado que o sistema financeiro passou logo no início de 2023, o movimento de falência foi estancado. Além disso, não é algo incomum de acontecer, a grande preocupação que agora parece sanada era sobre um contaminação para o setor financeiro ou pior para o setor produtivo”, finaliza Abrahão.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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