Caso Hurb: entenda as principais lições que a crise deixa para outras companhias

Caso Hurb: entenda as principais lições que a crise deixa para outras companhias
Wagner Moraes.

Especialista em estruturação de empresas destaca pontos de atenção que faltaram para a Hurb, mas que outras empresas podem avaliar

Também conhecido como Hotel Urbano, a plataforma de pacotes de viagem Hurb vem sofrendo forte crise de reputação após problemas com cancelamento de reservas e atrasos no pagamento mas, principalmente, por conta da postura inadequada do CEO João Ricardo Mendes, que renunciou ao cargo após acusação de ameaçar expor dados pessoais de clientes insatisfeitos com os serviços da empresa e xingá-los.

Com apenas o acúmulo de 7.737 reclamações neste primeiro trimestre, a situação da companhia está longe de ser cada vez mais desafiadora. De acordo com Wagner Moraes, CEO da A&S Partners, especializada em estruturação e reestruturação de empresas,  esta crise pode representar uma possível quebra ou falência iminente da companhia. A empresa está com incapacidade de caixa para honrar seus compromissos, como, por exemplo, o repasse para as empresas com as quais têm parcerias e vendeu os pacotes de viagens  para os seus clientes. “Quando a empresa faz uma venda, ela recebe os recursos dos clientes que compraram os pacotes de viagens e depois a empresa precisa repassar os valores para os hotéis, pousadas e demais parceiros que são responsáveis por acolher e hospedar os clientes. A partir desta situação, os hotéis e demais parceiros estão cancelando as reservas e pacotes comprados pelos clientes junto a Hurb, pois não estão recebendo. A empresa está tendo prejuízos e cancelamentos em larga escala, com pedidos de ressarcimento e devolução de valores para os clientes”, destaca.

Segundo o especialista, esses acontecimentos estão prejudicando de maneira bastante forte a reputação e a marca da companhia. Os volume de cancelamentos de compras e pagamentos de pacotes vendidos tem aumentado significativamente, o que pode atrapalhar a sua estrutura financeira e capacidade de pagamento, ou seja, a empresa corre um risco de insolvência bastante forte para poder honrar com os seus compromissos assumidos, a exemplo do que aconteceu com a Lojas Americanas. Com relação aos preços das ações, trata-se de uma empresa privada e não possui ações na bolsa de valores. “É inegavel que a empresa enfrentou desafios significativos durante o período de pandemia de COVID-19 – que  afetou fortemente o setor de turismo em todo o mundo e, mais fortemente, no Brasil. Isso reduziu a lucratividade e posicionamento das empresas e também tiveram retração nas suas receitas e queda no volume de vendas”, disse.

Wagner ainda pontuou as principais lições que a crise da Hurb deixa para outras companhias, entre elas:

Diversificação: a Hurb dependia fortemente do setor de turismo, o que a tornou vulnerável a interrupções econômicas. Outras empresas podem aprender com isso e buscar diversificar seus negócios, explorando novos mercados e oportunidades para reduzir o risco de exposição a fatores externos;

Adaptação: a pandemia de COVID-19 exigiu que as empresas se adaptassem rapidamente a novas formas de trabalho e atendimento ao cliente. A Hurb respondeu a isso reduzindo seus custos operacionais, porém de forma insuficiente e ineficiente. Outras empresas podem aprender com essa adaptabilidade, sendo ágeis e abertas a mudanças para atender às necessidades dos clientes;

Gestão financeira: a crise enfrentada pela Hurb destaca a importância da gestão financeira sólida em tempos de incerteza econômica. Empresas que possuem reservas financeiras e gerenciam suas finanças de maneira cuidadosa e estratégica estão mais bem preparadas para enfrentar períodos de instabilidade e incerteza;

Foco no cliente: a Hurb buscou manter seu foco no cliente durante a crise, oferecendo alternativas flexíveis de reserva e atendimento ao cliente para atender às suas necessidades, porém a um custo elevado e sem manter a qualidade no atendimento. Empresas que mantêm o foco no cliente, priorizando o atendimento e a experiência do usuário, são mais propensas a manter a fidelidade do cliente, mesmo em tempos difíceis.

Em geral, a crise enfrentada pela empresa destaca a importância de ser ágil, adaptável e bem gerenciado para enfrentar desafios imprevistos e manter a saúde financeira e operacional.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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