Mercado imobiliário da região Sul do país registra alta de 13% nas vendas

Mercado imobiliário da região Sul do país registra alta de 13% nas vendas
Preço do metro quadrado em Curitiba é de R$ 11.555.

Estados do Sul têm demanda habitacional de 3,2 milhões de unidades até 2030

A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e a Brain Inteligência Estratégica realizaram nesta quarta-feira (24) o webinar “Expectativas do Mercado Imobiliário no Sul do Brasil”, que contou com as presenças de alguns dos principais players do setor na região.

Na abertura do evento, o presidente da Abrainc, Luiz França, reforçou a pujança desse mercado imobiliário, considerado um dos mais importantes do país. Segundo ele, em 2022 a região Sul contratou 64 mil unidades do programa Casa Verde e Amarela (atualmente, Minha Casa Minha Vida), um montante 7% acima do registrado no ano anterior, e, com isso, totalizou 17% de todas as contratações feitas de CVA no Brasil ao longo de 2022. Ainda, segundo o executivo, a região Sul possui um déficit habitacional de 1 milhão de moradias – o que representa 12% do déficit brasileiro -, e uma demanda habitacional de 3,2 milhões de unidades até 2030.

“O mercado imobiliário do Sul é muito forte e ainda por cima tem tido uma valorização acima da média de outros mercados brasileiros”, acrescentou Luiz França. De acordo com o Índice Geral de Preços do Mercado Imobiliário (IGMI-R) da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), a valorização imobiliária média no país é de 14%, mas Curitiba e Porto Alegre tiveram desempenhos acima desse patamar, com 16% e 15%, respectivamente.

Lançamentos cresceram 24%

Fábio Araújo, CEO da Brain Inteligência Estratégica, também trouxe dados recentes sobre o desempenho do mercado imobiliário. Em termos de lançamentos, a região Sul do país teve um crescimento de 24% nos lançamentos no 1T22 sobre o mesmo período de 2021. No 1T23, o número de lançamentos se manteve praticamente estável frente ao intervalo anterior (-0,2%).

Quanto às vendas, o 1T22 havia registrado uma queda de 4% sobre o 1T21, mas o bom desempenho do mercado na região nesse início de ano permitiu um aumento de 13% nas comercializações do 1T23 sobre igual período de 2022, com um total de 16.509 unidades vendidas.

Em termos de VGV (Valor Global de Vendas) do total comercializado, a região movimentou mais de R$ 12,6 bilhões no 1T23, montante 30% superior ao mesmo intervalo de 2022, que já havia registrado um aumento de 2% sobre o 1T21. Com isso, a oferta final no 1T23 nas capitais da região Sul correspondem a 7,4% do estoque no Brasil no período.

“É muito significativo. Isso demonstra que o mercado está muito pujante nas capitais do Sul, levando a uma queda natural do estoque de imóveis”, apontou Araújo. Em termos de preço médio do metro quadrado, os maiores patamares na região Sul foram registrados em Florianópolis (SC) com R$ 16.056,00, Porto Alegre (RS) com R$ 12.741,00 e Curitiba (PR) com R$ 11.555,00.

Também participaram do webinar o diretor de Assuntos Econômicos da Abrainc, Renato Lomonaco; o CEO da Prestes Construtora e Incorporadora, Breno Prestes; o CEO da Blendi Empreendimentos, Beto Justus; o CEO da Rottas Construtora e Incorporadora, Paulo Rafael Folador; o diretor comercial da Vascocivitas, Ricardo Prada; e o diretor comercial da Rôgga Empreendimentos, Thales Silva.

Compulsório

Luiz França reforçou também algumas medidas que estão sendo tratadas pela entidade voltadas à aquisição da casa própria pelo SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo). O executivo lembrou durante o webinar que do montante captado pelos bancos com os recursos da caderneta de poupança, as instituições são obrigadas a investir 65% desse volume no mercado imobiliário. A partir disso, as entidades do setor estão pedindo ao Banco Central que aumente em 5% essa obrigatoriedade (totalizando 70%).

“Essa diferença deve representar cerca de R$ 35 bilhões, que irão para o mercado imobiliário com dois aspectos importantes: mais dinheiro para investimento no setor e o impacto nos juros. Isso porque se os bancos direcionarem mais dinheiro para a área, a taxa de juros tende a ficar mais amena para o consumidor, trazendo um certo alívio para o mercado, uma vez que esse montante representaria o mesmo volume de recursos que tivemos em 2022”, acrescentou o presidente da Abrainc.

Mudança no FGTS

Outra preocupação levantada pelos empresários do setor durante o webinar foi a proposta de mudança na forma de correção do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), em julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal), que deve encarecer o crédito imobiliário e excluir o acesso de famílias de baixa renda da compra da casa própria.

“Estamos discutindo com o Governo e com o Supremo e esperamos que o FGTS não sofra mais ataques, como estamos vendo hoje, ataques considerados muito perigosos, já que o objetivo do Fundo sempre foi direcionado à moradia popular. Esperamos que o correto prevaleça e a habitação para a baixa renda seja preservada”, finalizou França.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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