Existe um setor de maior valorização no Ibovespa?

Existe um setor de maior valorização no Ibovespa?

O primeiro semestre foi marcado pelo avanço de ações ligadas principalmente ao setor aéreo, como AZUL4 e GOLL4

A bolsa de valores contempla variados setores da economia de um país, como agronegócio, siderurgia, energético, tecnologia, varejo, construção civil entre outros. Eles são representados por ações de empresas de capital aberto, inseridas em algum índice, como o Ibovespa. Essas ações podem valorizar ou desvalorizar, gerando fortalecimento ou enfraquecimento de um setor. Fatores políticos, fiscais, econômicos e internacionais podem causar essa variação.

O primeiro semestre foi marcado por alguns episódios que interferiram diretamente na performance acionária, como as expectativas em relação à diminuição da Selic, as políticas econômicas relacionadas às contas públicas do país e eventos externos –  mudanças na taxa de juros nos Estados Unidos – e o desempenho econômico da China.

O Ibovespa, principal índice brasileiro, indicou o setor aéreo como o principal destaque do primeiro semestre de 2023, com ações obtendo altas expressivas. O setor é representado pelas ações da Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4), que exibiram elevação de 98,55% e 79,43%, respectivamente.

Segundo Daniel Abrahão, assessor na iHUB Investimentos, dois fatores foram fundamentais para as altas registradas no setor. “As elevações foram impulsionadas, principalmente, pela queda dos custos operacionais de ambas as empresas, especialmente devido à diminuição do dólar e do preço do querosene, que representam altos custos para as companhias. Além disso, os incentivos do programa Voa Brasil e a normalização da demanda por passagens aéreas também ajudaram o desempenho positivo das ações”, comenta.

O setor aéreo segue na dianteira?

Dentro do universo do setor aéreo, as perspectivas para as ações da Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4), para o final do ano, são incertas e podem enfrentar desafios. Apesar do forte desempenho no primeiro semestre, o mercado mantém recomendação neutra em relação a essas ações. Isso porque boa parte dos dados do balanço das empresas aéreas evidenciam um elevado índice de endividamento.

Um indicador que chama a atenção é o P/L (Preço/Lucro) das empresas, que fica em campo negativo. Isso pode sinalizar que as ações estão sendo negociadas a um preço maior do que o lucro gerado, ou que pode ser um indicativo de sobrevalorização ou expectativas excessivas do mercado.

“É importante que os investidores estejam cientes desses fatores ao considerar investir nas ações da Azul e da Gol. As perspectivas para o final do ano dependem da capacidade das empresas de lidar com suas dívidas e implementar estratégias para um crescimento sustentável”, afirma o assessor de investimentos.

O que esperar para o segundo semestre?

É válido lembrar que, além de ações do setor aéreo, outros papéis se destacaram no 1S23:  Yduqs (YDUQ3), IRB (IRBR3) e Cyrela (CYRE3) obtiveram bons resultados. Mesmo com saldo  positivo, existiram também os destaques negativos no primeiro semestre, as principais quedas foram: Alpargatas (ALPA3), Meliuz (CASH3), Assai (ASAI3), Vale (VALE3) e Carrefour (CRFB3).

Caminhando para o futuro, a previsibilidade da valorização da bolsa de valores para o segundo semestre depende da conjunção de múltiplos fatores. As políticas econômicas, as taxas de juros, o crescimento econômico, o desempenho das empresas e a situação internacional.

Um outro ponto de atenção em relação a B3 é o fato dela continuar sendo considerada como “descontada”, uma vez que o índice preço/lucro atual (P/L) está em torno de 6,8x, o que representa uma média 40% mais baixa em comparação a um horizonte de 15 anos. Essa baixa relação P/L pode indicar que as ações estão sendo negociadas a um preço relativamente baixo em relação ao lucro gerado pelas empresas, o que pode ser visto como uma oportunidade de investimento.

“Ao considerar investimentos, os investidores devem levar em consideração não apenas fatores específicos do mercado financeiro, como índices de preço/lucro ou movimentações da taxa Selic, mas também fatores psicológicos, sociológicos e globais que podem impactar os mercados”, finaliza Abrahão.

Crédito da foto: Pixabay

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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