Pesquisa mostra como ficou o branding da Barbie após a estratégia de lançamento do filme

Pesquisa mostra como ficou o branding da Barbie após a estratégia de lançamento do filme

Plataforma indica que força da marca Barbie cresceu muito, mas efeito ficou concentrado em quem assistiu o longa metragem

Barbie é o maior sucesso de cultura pop do ano. Faturando mais de US$1 bilhão em bilheteria apenas nas três primeiras semanas de exibição, o filme de Greta Gerwig se tornou o assunto mais comentado nas redes sociais. A nova pesquisa feita pela plataforma Valometry, criada pela agência Ana Couto e especializada no monitoramento de marcas, aponta que o Brand Value Score (BVS) de Barbie é de 55 – numa escala de 0 a 100 – mas chega a 85 para o público que assistiu o longa-metragem.

Foi conduzida uma pesquisa quantitativa com mais de 700 pessoas em todo o Brasil, neste mês, para analisar o impacto do fenômeno Barbie em 2023. O estudo Valometry considerou a imagem que a marca já tinha e o legado que o filme deixou.

Mesmo antes do filme, mais da metade dos entrevistados já havia consumido bonecas (57%) ou filmes (50%) relacionados ao mundo da Barbie. Como esperado, as mulheres já estavam mais próximas da marca, e 73% afirmaram ter tido a boneca na infância, sendo que para 63% delas esta era a brincadeira favorita.O segmento de roupas também esteve entre os destaques, tendo 41% do público já adquirido produtos.

Apesar do sucesso que a boneca já possuía, a Mattel tinha o desafio de se conectar a novos tempos, discussões, e assim expandir o público de Barbie. Dessa forma, se reaproximando de quem já a tinha consumido em outros momentos, que hoje compõem parte expressiva da população economicamente ativa.

“A Barbie é uma marca consolidada, que tem uma relação muito forte com o emocional e o imaginário das pessoas, especialmente para mulheres. O desafio da Mattel era reforçar essa relevância depois de quase 65 anos no mercado e atingir novas audiências”, analisa Ana Couto, CEO e fundadora da agência.

Desafios da Barbie

As pessoas que se identificam com a marca têm um perfil definido. Quase 70% das mulheres afirmaram que a Barbie era a diversão preferida ou que brincavam com frequência na infância. Entre elas, as classes sociais A, B e C são predominantes (64%), enquanto 36% das classes D e E nunca brincaram com uma Barbie na vida.

“Apesar de Barbie ser um sucesso inquestionável há décadas, a conexão emocional estava restrita à mulheres das classes AB. Era preciso expandir o público, atualizando a narrativa da marca para alcançar todas as classes sociais, gêneros e faixas etárias.” explica Igor Cardoso, sócio-diretor responsável da plataforma Valometry.

Condições sociais foram determinantes para o distanciamento da marca em relação a essa parcela do público. Para confrontar esse tema, o filme e toda sua estratégia de divulgação satirizam o ideal da perfeição, por meio da personagem “Barbie estereotipada” – interpretada por Margot Robbie – com longos cabelos loiros, pele branca e olhos claros.

O buzz gerado por memes e filtros de Barbie na internet colocava qualquer mulher ou homem como Barbie ou Ken, ampliando o espectro de identificação. Assim como o próprio live-action, que apresentou várias versões da boneca, de diferentes cores, corpos e profissões.

O sucesso foi tanto que 92% do público que assistiu se declarou satisfeito com o filme, até mesmo entre os Kens: os homens, que eram minoria entre os donos da boneca – apenas 7% afirmaram possuir uma na infância, mostraram um índice de satisfação de 91%.

Branding de sucesso

Parte desse sucesso pode ser atribuído ao grande projeto de marketing da Mattel por quase um ano antes da estreia do filme. Quase 60% de todos que assistiram ao filme se lembram de ser impactados por alguma campanha ou peça de marketing antes de ir ao cinema.

E o que levou esse público às telonas? O enredo do longa é apontado como o principal motivo por 65% do público, seguido pelo marketing do filme (63%) e o elenco (62%).

“Um buzz marketing que lidera a conversa nas principais plataformas digitais e na mídia offline foi essencial para a construção de marca do filme, trabalhando a criação de expectativa e preparando o público meses antes da estreia”, analisa Ana Couto.

Os virais estavam em toda parte, desde as fotos vazadas de Margot Robbie e Ryan Gosling correndo pelas ruas de Los Angeles, até várias ações da própria marca e outras empresas surfando na onda rosa. Para o público entre 18 e 24 anos – regularmente mais impactado pela mídia online – 58% se lembram de ver espaços físicos dedicados à divulgação.

Apesar de todo o esforço pago, o marketing orgânico com comentários nas principais páginas, perfis de influenciadores e sites foi um dos principais fatores de captura da atenção, com 66% do público sendo impactado por memes como os do gerador de selfies de Barbie e Ken.

E o que fica para a marca após esse boom?

Para 67% da amostra de espectadores do filme consultados, houve mudança na percepção da marca Barbie, com 92% relatando uma melhora nessa percepção. E mesmo quem não viu o blockbuster se diz impactado por essa sensação: para 39% da amostra que não viu o filme nos cinemas também houve uma melhoria na percepção da marca .

Para além da percepção de marca, 87% dos entrevistados que assistiram o filme se disseram mais inclinados a consumir produtos da Barbie e 30% já compraram itens relacionados, em especial roupas. O público masculino, mais distante da marca até então, também se mostrou interessado em consumir roupas e produtos relacionados (26%).

Com o lançamento, a Barbie também reafirma os seus atributos de marca. 82% dos jovens de 18 a 24 anos consideram a marca mais inspiradora e 27% do público que foi ao cinema automaticamente relaciona a cor rosa à boneca. Outros atributos de percepção também mudaram em relação a quem viu e quem não viu o filme.

O estudo revela que, para a construção do branding da Barbie, é necessário ter investimentos constantes em diferentes esforços, sempre de maneira integrada, de forma que uma iniciativa fortaleça a outra, assim como o filme contribuiu para a melhor percepção da marca entre aqueles que foram ao cinema. “O que fica de lição para quem quer trabalhar estratégias de percepção de marca é entender que esse é um processo contínuo e duradouro, e mesmo uma ação pontual muito bem feita necessidade de um projeto de continuidade”, finaliza Ana Couto.

 

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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