78% das empresas sinalizam dificuldades na contratação de profissionais qualificados

78% das empresas sinalizam dificuldades na contratação de profissionais qualificados
Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half para a América do Sul. 

ICRH atinge o melhor resultado de 2023 para o cenário atual, mas detecta diminuição da confiança para o futuro

A versão de fim de ano do Índice de Confiança Robert Half (ICRH), estudo trimestral que monitora o sentimento dos profissionais qualificados em relação ao mercado de trabalho e à economia, acaba de ser publicada. Esta edição apresenta um ligeiro crescimento no indicador para a situação atual, que passou de 37,3 pontos para 38,2, e representou o maior nível de confiança do ano, mesmo que fora do patamar otimista. No entanto, a avaliação dos próximos seis meses diminuiu 1 ponto percentual e acende um alerta.

Confiança dos profissionais no mercado de trabalho – consolidado (em pontos)

MomentoDezembro

2022

Março 2023Junho 2023Setembro 2023Dezembro 2023
Situação atual41,735,734,837,338,2
Próximos seis meses44,844,745,047,446,4

“Apesar de vermos uma pequena melhora da confiança no cenário atual, é importante perceber que o pessimismo ainda está presente e aumentou quando pensamos no futuro. O nível de insegurança do brasileiro em relação aos dados macroeconômicos tem sido uma constante. Entretanto, mesmo diante das incertezas, é fundamental que as empresas não se acomodem, mas sim adotem medidas proativas para enfrentar os desafios, na construção de bases sólidas para o futuro”, analisa Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half para a América do Sul.

Além do resultado consolidado, o ICRH também apresenta os indicadores por categoria, que são três: profissionais empregados, profissionais desempregados e recrutadores. A situação atual melhorou apenas na perspectiva dos profissionais em busca por recolocação (+3,2 pp), enquanto empregados (-0,2 pp) e recrutadores (-0,3 pp) apresentaram quedas marginais. Na visão do futuro, os índices diminuíram, influenciados por todas as categorias: desempregados (-1,4 pp), recrutadores (-1,0 pp) e empregados (-0,7 pp).

Taxa de desemprego cai mais uma vez

Por outro lado, segundo resultados da PNAD, o nível de desocupação dos profissionais qualificados (a partir dos 25 anos e com graduação completa) foi de 3,3% no terceiro trimestre de 2023. No comparativo com o mesmo período do ano passado, a taxa está 0,5 pp mais baixa, além de 0,2 pp menor do que a registrada no último ICRH.

“Ao longo de 2023, observamos consecutivas quedas nas taxas de desemprego, principalmente entre os profissionais qualificados. Durante os primeiros trimestres do ano, surpresas positivas, como o crescimento econômico acima do esperado e a diminuição dos juros, contribuíram com esses números e aumentaram a demanda por trabalhadores, cada vez mais disputados”, explica Mantovani.

Para efeito de comparação, a porcentagem de desemprego da população geral, que inclui essa categoria de profissional (qualificado), foi de 7,7% no 23T3.

Oito em cada 10 empresas têm dificuldade para contratar

De acordo com o estudo, 78% dos recrutadores sinalizam dificuldades na contratação de profissionais qualificados. Entre os entrevistados, 67% acreditam que o cenário não deve mudar nos próximos seis meses, enquanto 25% creem que ficará ainda mais desafiador, o que representa um aumento de 5 pp na comparação com a última edição do ICRH, lançada em setembro.

Em paralelo, os desafios de retenção batem à porta. Dados do Caged revelam que os desligamentos a pedido do colaborador corresponderam a 40% do total de demissões do terceiro trimestre de 2023.

Os níveis de desemprego próximos dos 3% proporcionam um maior protagonismo para os profissionais em suas relações de trabalho, o que justifica o volume considerável de demissões a pedido do próprio colaborador.

Nesse cenário, cria-se a hipótese de dois movimentos: o primeiro envolve o aumento da busca por novos desafios, e, na ótica inversa, o segundo atrela as desistências à insatisfação com o trabalho, dado que os últimos anos trouxeram à tona questões sobre saúde mental e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

De olho em 2024

O mercado de trabalho brasileiro demonstrou resiliência ao longo de 2023, apesar dos desafios impostos. Para o próximo ano, planejamento deve ser a palavra de ordem, tanto para empresas quanto para profissionais.

“Dos profissionais, o cenário exige uma postura de constante aprimoramento. Em um mercado onde a competição por talentos é acirrada, investir em qualificação, atualização constante e habilidades diferenciadas é essencial”, destaca o diretor-geral da Robert Half.

“Às empresas, recomendo a revisão de processos para identificação de melhorias, a definição de metas transparentes e mensuráveis, além da busca constante por uma cultura de inovação e aprendizado”, completa.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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