Funerais estão 5,79% mais caros em Curitiba

Funerais estão 5,79% mais caros em Curitiba
Luis Henrique Kuminek.

Preços tabelados pela Prefeitura subiram à zero hora desta terça-feira e famílias sem plano de luto gastam em média R$ 8 mil

Os funerais em Curitiba estão 5,79% mais caros desde a zero hora desta terça-feira, dia 16 de janeiro, com o reajuste pelo IPCA aplicado pela Prefeitura às tabelas do Serviço Funerário Municipal. Com isso, os sepultamentos passam a custar entre R$  2.368,39 e R$ 12.030,64 para adultos. O valor médio na cidade costuma ser de R$ 8 mil, podendo chegar a R$ 56 mil, dependendo do tipo de urna escolhida pela família e da contratação de outros procedimentos, como a preparação especial do corpo conhecida como tanatopraxia.

Nos funerais estão incluídos urna mortuária, paramentos, preparo simples do corpo (consiste na assepsia, tamponamento e colocação de vestimenta fornecida pela família) e transporte dentro dos limites de Curitiba. Os funerais gratuitos são exclusivos para carentes ou indigentes e a concessão de subsídio público também atende a critérios específicos.

“São valores altos que pesam no bolso das famílias. Em geral, elas já estão sobrecarregadas por gastos com tratamento de saúde anterior ao falecimento. Ou são pegas de surpresa, quando se trata de morte súbita ou por acidente. Quem não se planeja financeiramente com antecedência para esse momento recebe um adicional de tensão que torna tudo mais difícil e doloroso”, observa Luis Henrique Kuminek, diretor da Luto Curitiba, empresa que administra funerárias, cemitério, crematório e plano de luto, com experiência de 33 anos nessa área.

A Abredif (Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário) , explica que os planos funerários cobrem beneficiários de todas as faixas etárias e quem mais contrata o serviço está na faixa de 45 a 65 anos. Mas o número de jovens a partir dos 20 anos interessado em pagar mensalmente por um plano funerário está crescendo.

Para Kuminek, o acesso à informação vem reduzindo tabus e temores sobre a morte. “As pessoas leem mais, falam mais sobre o assunto, e percebem outras dimensões importantes, como a de que é preciso estar preparado financeiramente para o momento do luto. Tanto para proporcionar uma despedida digna a quem se vai, como para administrar os gastos sem depender de outras pessoas.”

Um aspecto do planejamento a levar em conta é que os planos costumam ter tempo de carência para uso. “Nós trabalhamos com 30 dias, mas em geral o mercado cobra 90 dias. Por isso adiar uma decisão como essa pode sair bem caro”, alerta Kuminek.

As empresas costumam oferecer vários tipos de planos, pensando em favorecer diferentes orçamentos, com opções que vão dos serviços básicos aos mais completos em termos de preparo do corpo, paramentação do velório e valor da urna. “Os planos também podem contemplar serviços de uso do jazigo ou cremação. E todos eles compreendem os serviços fúnebres de várias pessoas, indicadas pelo titular  do plano.”

Dicas para a escolha segura de um plano de luto

Saber escolher é essencial em todas as relações de consumo, para evitar prejuízos que às vezes dão origem a infindáveis demandas judiciais. O segmento de planos de assistência funeral vem se profissionalizando e há diversos tipos de cobertura disponíveis. No entanto, é preciso ficar atento às condições oferecidas e ao nível de  transparência praticado pelas empresas.

“Como em qualquer decisão de compra, é preciso pesquisar preço e qualidade, para evitar o famoso ´comprar gato por lebre´. E sempre desconfiar de valores muito abaixo das médias de mercado. O cliente pode ser surpreendido com gastos imprevistos no atendimento de um óbito ou ao tentar fazer o cancelamento de um plano”, alerta Kuminek.

Os planos de assistência funeral variam de cobertura e de preço para atender a variados orçamentos familiares. Alguns deles, como os da Luto Curitiba, incluem benefícios em vida, como clubes de fidelidade, que oferecem descontos na compra de bens e serviços.

1 – Leia atentamente o contrato. Solicite um arquivo digital para a empresa, a fim de examinar com calma e comparar com a concorrência.

2 – Consulte a reputação das empresas que está pesquisando: navegue em suas redes sociais, leia os comentários, veja as avaliações do Google, do Procon e do site Reclame Aqui.

3 – Verifique se existe taxa de adesão. Às vezes, o valor cobrado equivale a duas ou três mensalidades. Dê preferência a empresa que não cobre adesão para novos contratos.

4 – Certifique-se sobre o tempo de pagamento. Embora seja condenável, ainda é prática do mercado anunciar um número limitado de parcelas que dão a entender que a pessoa não terá mais despesa ao final desse pagamento. Mas todo plano de assistência funeral é pago ao longo da vida, enquanto o cliente tiver interesse nele, assim como um plano de saúde. Desconfie de planos do tipo 36 vezes de algum valor. Em geral, o cliente acaba surpreendido depois com “taxas de manutenção” periódicas que, na prática, representam o pagamento permanente.

5 – Verifique quanto tempo de carência a empresa oferece. A média do mercado é de 90 dias para óbitos naturais e 24 horas para mortes violentas/acidentais. Há quem imponha  carência ainda maior para doenças pré-existentes, que chegam a 180 dias. É um período bem longo para um serviço como esse, que tem característica de imprevisibilidade.

6 – Pesquise sobre a existência e os valores de taxas extras. Entre as más práticas do mercado, ainda existe a cobrança de valores adicionais a cada óbito de dependente do plano. Por outro lado, há procedimentos de alto custo que nem todos os planos de assistência funeral cobrem, como a tanatopraxia. Nesse caso, isso deve estar bem explicado no contrato.

7 – Verifique questões adicionais, como a quilometragem prevista no translado para outras localidades (a maior parte só até cobre 100 km de distância), se há cobertura nacional, se há benefícios em vida, se há facilidade para adquirir serviços adicionais ou realizar migração de plano.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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