Mesmo cautelosos, 90% dos industriais paranaenses pretendem realizar novos investimentos em 2024

Mesmo cautelosos, 90% dos industriais paranaenses pretendem realizar novos investimentos em 2024

Crédito da foto: Gelson Bampi

Empresários demonstram estar mais confiantes em relação à produtividade e competitividade

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) divulgou nesta terça-feira (20) o resultado da 28ª edição da Sondagem Industrial – pesquisa que avalia as expectativas do setor para o ano que se inicia. O estudo também é uma ferramenta importante para que a Fiep possa conhecer as intenções, dificuldades e desafios dos empresários para apoiá-los com medidas convergentes, de acordo com as prioridades sinalizadas no estudo.

Quando perguntados sobre a expectativa de desempenho da indústria para 2024, 47% dos industriais se mostraram otimistas ou muito otimistas e 41% expressaram expectativa neutra para 2024. Este resultado está ancorado principalmente na perspectiva de crescimento das vendas (57%), na possibilidade de entrada em novos mercados (55%) e no aumento da produtividade e competitividade (48%). Já fatores como disponibilidade de mão de obra (43%), custos de produção (42%) e infraestrutura logística (41%) se apresentam como os principais entraves que podem interferir diretamente no desempenho dos negócios.

12% estão pessimistas

Apenas 12% dos respondentes se mostram pessimistas ou muito pessimistas. O motivo, segundo eles, são as previsões de redução nas vendas de suas empresas (80%), dificuldade com os custos totais de produção (74%) e para fazer investimentos (57%). A infraestrutura logística (54%), a questão da energia (51%), a impossibilidade de expandirem seus negócios para novos mercados (49%) e as dificuldades de encontrar mão de obra (49%) são algumas das causas apontadas por eles.

Em geral, mesmo com alguma cautela, os empresários demonstraram estar mais confiantes em relação à produtividade e competitividade (44%), com ações de PD&I (39%), investimentos (31%), disponibilidade de insumos e matérias-primas para produção (27%), com a cadeia de suprimentos (24%) e no que se refere à concorrência (19%), na comparação com a pesquisa anterior.

Na avaliação do presidente da Fiep, Edson Vasconcelos, os resultados mostram que, apesar de algumas incertezas que ainda pairam sobre o desempenho econômico do país, a indústria paranaense segue com boas perspectivas para 2024. “Muitos industriais ainda analisam o cenário com certa cautela e mantêm expectativas neutras, mas a disposição para novos investimentos mostra que a indústria do Paraná pode seguir crescendo neste ano”, afirma. “Entendemos que esse cenário pode ganhar em dinamismo se tivermos ações efetivas em prol de políticas industriais nas esferas federal, estadual e municipal, que melhorem nosso ambiente produtivo e impulsionem a competitividade das empresas. É colocando isso como prioridade que a Fiep vem pautando suas ações”, completa.

Impacto da economia

Justamente a conjuntura econômica nacional – envolvendo questões como inflação, taxa de juros e câmbio, entre outras – é o fator apontado como o mais relevante para o desempenho dos negócios da indústria em 2024, segundo a Sondagem Industrial. Para 75% dos entrevistados, esse item tem alto impacto para os negócios. Em seguida, como fatores mais impactantes, aparecem a agenda de reformas (58%) e a corrupção (51%).

“É importante destacar que a corrupção, além de todos os problemas que traz para a gestão pública, também tem um reflexo direto sobre o ambiente de negócios do país, por isso precisa ser combatida com seriedade em todas as esferas”, avalia o presidente da Fiep. Completam a lista dos cinco fatores com alto impacto sobre o desempenho das empresas a conjuntura econômica internacional (39%) e a segurança energética e hídrica (38%).

Investimentos

A boa notícia é que mesmo com intenções cautelosas para 2024, 87% dos empresários que responderam à pesquisa confirmaram disposição em fazer novos investimentos em 2024. Em torno de 30% pretendem fazer mais ou muito mais do que foi realizado em 2023. Outros 33% devem manter o nível feito em 2023. Já 24% devem reduzir os valores. E apenas 13% sinalizaram não vão investir no ano que vem.

As prioridades de investimento são em melhoria de processos, produtos ou serviços (55%), redução de custos de produção (48%) e prospecção de novos mercados (47%). Além destas prioridades, ampliação da capacidade produtiva, modelos de negócio e comercialização e programas de melhoria da qualidade da empresa também aparecem como principais intenções de investimento.

Quanto à principal fonte de financiamento, 61% afirmaram que utilizarão recursos próprios, 21% pretendem recorrer a bancos de fomento e desenvolvimento, e 12% indicaram que devem procurar bancos tradicionais.

O presidente da Fiep destaca que os investimentos são fundamentais para que as indústrias aprimorem seus processos produtivos e conquistem novos mercados. “Principalmente por termos, da porta para fora das empresas, um ambiente com muitos desafios, é essencial que as empresas aumentem sua competitividade por meio de investimentos em melhorias de processos e produtos”, diz. “Porém, para isso, é preciso melhorar as condições de crédito no país. Como mostra a pesquisa, o alto custo dos financiamentos faz com que as indústrias precisem utilizar recursos próprios, quando haveria um estímulo muito maior para investimentos se tivéssemos crédito mais barato e acessível”, conclui.

Fóruns regionais

Durante a apresentação dos resultados da Sondagem Industrial, a Fiep divulgou, também, a realização dos Fóruns Regionais da Indústria, que acontecerão a partir de março. O objetivo dos encontros é aproximar a Federação de suas bases, conhecendo de perto as demandas e expectativas da indústria das diferentes regiões do Paraná.

“Nossa intenção é conhecer as necessidades da indústria em todo o Estado e, com base nisso, incentivar a implementação de uma política industrial focada nas prioridades de cada região, com a participação também dos municípios, que são fundamentais nesse processo”, explica Vasconcelos. Uma das principais características dos Fóruns será o forte engajamento de empresários, entidades parceiras e poder público para fortalecer a atuação do setor.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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