Mercado financeiro é o mais democrático quando o assunto é obter renda

Mercado financeiro é o mais democrático quando o assunto é obter renda

Diferente do que a maioria imagina, o setor não é nenhum bicho de sete cabeças e pode ser opção de trabalho e renda

Está à procura de um emprego e não acha? Já pensou em trabalhar no mercado financeiro? Pois é, ao contrário do que muita gente imagina, atuar com compra e venda de ações, com câmbio e outros tipos de operações na Bolsa de Valores, não é nenhum bicho de sete cabeças. Pelo contrário, o setor está entre os mais democráticos quando se trata de aceitar novos operadores porque não faz distinção de gênero, idade, nem mesmo de formação escolar. Claro que é necessário entender como funciona o mercado, o que não é difícil de aprender, já que existem muitos cursos gratuitos e pagos disponíveis.

O viés democrático não para por aí. Quem atua no mercado financeiro tem a liberdade de atuar em casa ou onde desejar, sem patrão para fazer cobranças e com flexibilidade de horário. Tem quem opere só algumas horas, dia sim e dia não ou o dia inteiro. É como se fosse um autônomo. Foram essas vantagens que convenceram a bióloga por formação, Tatiana Helena Rodrigues Lima, 38 anos, a abandonar o emprego em uma autarquia da Prefeitura de São José do Rio Preto (SP) para atuar como trader.

Tatiana estava entediada com a rotina do trabalho e procurava algo diferente, que lhe proporcionasse mais flexibilidade de horário e uma renda pelo menos no mesmo nível da que já possuía trabalhando de forma tradicional, com horário para entrar e sair diariamente. Seu primeiro contato com o mercado financeiro aconteceu em 2020. Alguns amigos faziam day trade e ela ficou curiosa. “O problema é que eles não operavam com muita seriedade, e eu tinha em mente que era preciso ser expert em matemática financeira. Por isso eu não me interessei tanto assim”, comentou.

Mas esse primeiro contato despertou nela o interesse de aprender mais sobre finanças de forma geral. Ela desejava pedir exoneração do trabalho para tentar algo diferente, mas não podia fazer isso sem saber cuidar do próprio dinheiro. “Eu não tinha nada em mente ainda, mas sentia a necessidade de mudança. Minha ideia era fazer o dinheiro render para que eu conseguisse me manter até encontrar esse novo desafio”.

Tatiana comprou um curso básico de finanças pela internet e começou a estudar. Além de aprender conceitos iniciais importantes para o cotidiano de qualquer pessoa, ela passou a obter mais informações sobre o mercado financeiro em si, ou seja, sobre o que era operar na Bolsa de Valores. A questão é que ela não podia arriscar o dinheiro que estava guardado. Foi quando ela descobriu o mundo das mesas proprietárias.

“Depois que eu comprei o curso, passei a receber muitas propagandas na internet sobre day trade. Até que, um dia, chegou uma sobre mesa proprietária. Fiquei curiosa e comecei a pesquisar. No começo, eu estava um tanto desconfiada. Somente em maio de 2023 é que eu resolvi fazer um esforço para entrar em uma mesa. Em setembro passei a operar nela, mas em janeiro de 2024 decidi mudar para outra, a Axia Investing, mesa pela qual opero atualmente”, conta.

Tatiana se deu bem. Em abril foi eleita a trader do mês da Axia, que conta com mais de 5 mil operadores, pelo seu ótimo desempenho. “Ela surpreendeu, considerando que ela começou apenas em janeiro. Até perguntamos se ela tinha bastante experiência, mas foi uma surpresa quando descobrimos que ela é novata”, comentou Antonio Marcos Samad Júnior, CEO da Axia Investing.

Pioneiro no segmento de mesas proprietárias no Brasil, Samad é um entusiasta do segmento que, para ele, oferece não só a oportunidade de se obter renda como preparar as pessoas para assumirem riscos, o que é bom para quem deseja empreender no futuro. Sua única ressalva é com relação àqueles que se deslumbram e se arriscam sem nenhum preparo.

“Como em tudo na vida é preciso aprender primeiro para só depois trabalhar. E isso vale para profissões de qualquer segmento e nível de escolaridade. Para ser engenheiro, médico, contador, biólogo, mecânico de automóveis ou qualquer outra coisa é preciso estudar. Então, o interessado não pode cair na conversa fiada de alguns influencers de que o day trade enriquece rápido, que é fácil e coisa e tal. É acessível, porém, exige preparo e o entendimento de que ganhar e perder faz parte e que no fim do mês dá para obter um bom rendimento”.

Samad elogiou Tatiana pelo fato de ela iniciar sua carreira como trader por meio de uma mesa proprietária. Pois dessa forma ela não arrisca o próprio capital e ganha algum dinheiro enquanto adquire experiência no segmento. “Antigamente não existia mesa proprietária então só dava para operar arriscando o próprio dinheiro. Mas agora isso não é necessário. O sistema de mesa proprietária democratiza ainda mais este segmento porque permite a qualquer um operar de forma segura e com acompanhamento”.

Tatiana está muito satisfeita por ter descoberto a mesa proprietária e pretende continuar atuando como trader nos próximos anos. Hoje ela opera dólar e índice e apesar de ter ido muito bem em abril ela não deixou de estudar. Continua se aprimorando e, mais do que isso, transformou-se em uma referência no bairro onde reside. “As pessoas me perguntam se é possível mesmo ganhar dinheiro com day trade e se a mesa proprietária paga corretamente. A resposta é sim para ambas as perguntas e eu busco incentivar, principalmente as mulheres, a entrarem neste mercado”.

E a quem deseja fazer day trade ela dá um conselho: “Busque conhecimento sério, não se baseie apenas em vídeo de Tik Tok, procure sites confiáveis. A Bolsa não é lugar para quem busca dinheiro fácil. Mas se a ideia é melhorar a renda, ser trader funciona bem. Por fim, comece por mesas proprietárias. Eu não operei por conta própria porque eu não queria arriscar meu dinheiro. Então, não passei pelo susto de perder. Estou engatinhando, mas estou feliz”.

Crédito da foto: Undplash

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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