Shopping centers devem apostar em novos usos do espaço para diversificar receita e melhorar desempenho

Shopping centers devem apostar em novos usos do espaço para diversificar receita e melhorar desempenho

Utilização de inteligência artificial, intensificação de experiências do consumidor e desenvolvimento de complexos multiuso são tendências apontadas em estudo

O cenário econômico brasileiro tem atraído investimentos para o mercado imobiliário, em especial para o segmento de shopping centers. O levantamento “Panorama dos Shopping Centers no Brasil 2024″, realizado pela JLL, aponta que esse movimento se deve ao entendimento de que se trata de uma categoria de ativos com alta resiliência, tendo em vista a mitigação do risco de perdas proporcionada pelo grande número de locatários.

A redução da taxa de juros tem impulsionado os planos de investimento em expansões, remodelações e reposicionamento de shopping centers, previstos para serem implementados em 2024/25. “Isso cria oportunidades de ampliação para as redes varejistas e novos formatos de negócios dentro de um ecossistema que está constantemente inovando para criar novas experiências para o mercado consumidor brasileiro”, explica Simone Shoji, gerente de Consultoria da JLL.

De acordo com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o Brasil possui 639 shopping centers de diferentes perfis (veja o gráfico abaixo), com mais de 120 mil lojas, que movimentam quase R$ 125 bilhões em vendas. Neste ano, serão inaugurados mais 18 centros de compras.

O levantamento da JLL considera uma amostra de 117 empreendimentos presentes em 21 estados brasileiros. Isso representa 25,8% da ABL (área bruta locável) total de shoppings centers e 50,9% do valor total de vendas nacional.

Taxa de ocupação

A taxa de ocupação média dos ativos, analisados pela JLL no estudo, é de 96%. No entanto, ao analisar a variação do índice entre 2022 e 2023, observaram-se dois comportamentos opostos: 50% dos ativos

apresentaram aumento na taxa de ocupação, enquanto os outros 50% tiveram uma redução.

“A variação pode ser atribuída, em parte, às dificuldades vivenciadas por algumas redes varejistas brasileiras, que encerraram operações em alguns shopping centers. Essa vacância resultou em um processo de reposição e ocupação mais lento em alguns ativos do que em outros, o que contribuiu para a oscilação nas taxas de ocupação de alguns ativos”, avalia Lídia Gomes, gerente de Consultoria da JLL.

No geral, a vacância gerada pelas redes varejistas em dificuldades pode ter impactado a ocupação dos ativos de forma desigual, com alguns conseguindo preencher os espaços vazios de maneira mais rápida do

que outros.

“Com uma taxa de vacância mais alta, os proprietários e administradores podem aproveitar esse momento para testar novos modelos de negócio e inovações no mix de lojas”, aponta Gomes.

O futuro dos shopping centers

Assim como qualquer outro segmento, o setor de shopping centers é impactado pelas mudanças no comportamento dos consumidores. O estudo da JLL aponta algumas tendências para o futuro próximo desse mercado. “A perspectiva é que haja uma valorização da experiência individual, criando oportunidades para que as marcas e redes varejistas estabeleça maior relacionamento com seus consumidores”, sinaliza Shoji. Confira abaixo as principais:

●       Inteligência de dados: captura dados e análise de big data, como forma de obter informações comportamentais dos consumidores. Junto da Inteligência Artificial (IA), isso permite antecipar tendências de consumo, otimizar e gerir estoques e a geração de campanhas de marketing específicas e relevantes, com ofertas direcionadas;

●       IA a serviço da personalização: utilização de IA para promoção de experiências realmente personalizadas, pensadas para atender demandas específicas de cada consumidor, levando em conta suas preferências. Isso deve aumentar a satisfação dos clientes e, consequentemente as taxas de conversão e fidelização;

●       Gastronomia e mercados gourmets: experiências gastronômicas exclusivas e mercados gourmet devem continuar a ser um diferencial no mix dos shopping centers. Espera-se a ampliação da área bruta locável destinada a esse segmento, incluindo restaurantes fora da praça da alimentação e/ou reformulação das destas, para atender a um público cada vez mais interessado em um ambiente moderno e confortável, como os exemplos do Taste Lab do Shopping Tamboré, na região de Alphaville (SP), e da Alameda Gourmet do Shopping Lar Center, parte do Complexo Cidade Center Norte, em São Paulo (SP);

●       Um espaço, muitos usos: os complexos multiusos ganham força, especialmente, em terrenos que já possuem shopping centers e que conseguem ampliar o potencial construtivo com, por exemplo, a verticalização. Além de gerar receita direta com a venda ou a locação dos desenvolvimentos, as novas possibilidades ampliam a circulação de visitantes. Essa é uma tendência em linha com as novas dinâmicas urbanas, de viver melhor e mais próximo ao trabalho, com serviços e lazer próximos trazendo mais força para o varejo de moda.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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