Cartões de loja com “DNA de banco” ganham força no varejo brasileiro
O modelo bancarizado transforma o tradicional cartão de loja em uma estrutura com vantagens semelhantes às de uma instituição financeira
Em meio ao desafio de manter margens em alta e consumidores mais fiéis, uma alternativa vem ganhando espaço no varejo brasileiro: os cartões private label bancarizados. O modelo, que transforma o tradicional cartão de loja em uma estrutura com vantagens semelhantes às de uma instituição financeira, já conquistou grandes redes como a C&A e agora começa a atrair varejistas de médio porte em busca de mais autonomia, eficiência tributária e fidelização.
A movimentação ocorre num momento em que o varejo vive um cenário de juros ainda elevados, crescimento contido nas vendas e aumento da concorrência por canais digitais. Para muitos lojistas, o controle sobre sua própria operação de crédito se tornou um diferencial estratégico.
“Com o modelo bancarizado, o varejista deixa de ser apenas um emissor de faturas e passa a controlar taxas, limites e o relacionamento com o cliente“, explica Ronaldo Oliveira, CEO da GIRO.TECH, que oferece infraestrutura para esse tipo de solução. Segundo ele, o formato permite ganhos tributários relevantes — a carga sobre juros pode cair de mais de 40% para cerca de 15% — e ainda reduz a dependência de bancos e administradoras.
A lógica é simples: a dívida gerada nas compras com o cartão é vendida para um FIDC ou securitizadora, que financia a operação e repassa os valores ao varejista. Com isso, a empresa retém os ganhos com juros de forma legal e mais rentável.
“O cartão bancarizado transforma o varejista em protagonista“, afirma Marcelo Engel, CEO da ER Systems, empresa especializada no processamento dessas transações.
Estudos de mercado, como os da NielsenIQ e Serasa Experian, reforçam a vantagem competitiva do modelo: consumidores que usam cartões de loja costumam ter um ticket médio até 10% maior e maior frequência de compras. Com a estrutura certa, esse comportamento pode se traduzir em margens melhores e mais recorrência.
Com a digitalização do consumo e o avanço da regulação para fintechs e plataformas de crédito, o modelo bancarizado tende a se popularizar. “É uma solução legalmente estruturada e acessível até para redes regionais. Ao adotar este modelo, o varejista começa a tratar o crédito também como uma alavanca de crescimento“, conclui Marcelo Engel.
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