Crescimento recorde de MEIs em 2025 reflete protagonismo da população diante da instabilidade econômica

Crescimento recorde de MEIs em 2025 reflete protagonismo da população diante da instabilidade econômica

Mais de 2,8 milhões de MEIs foram formalizados no primeiro semestre, mas 63% encerraram as atividades no mesmo período

O Brasil ultrapassou a marca de 2,8 milhões de microempreendedores individuais (MEIs) formalizados entre janeiro e junho de 2025, segundo dados do Simples Nacional. O número representa um crescimento expressivo de 24,9% em relação ao mesmo período do ano passado e consolida o MEI como principal porta de entrada para a formalização de negócios no país. Em maio, por exemplo, foram mais de 409 mil novos registros, evidenciando o apetite crescente pelo empreendedorismo.

O avanço está ligado a diversos fatores, incluindo a dificuldade de recolocação no mercado de trabalho formal. “Embora a taxa de desemprego tenha recuado para 6,6%, grande parte da geração de renda no país ainda ocorre por meio da informalidade. O MEI tem sido o caminho para transformar esses ‘bicos’ em atividades legais e sustentáveis”, explica Kályta Caetano, head contábil da MaisMei.

Atualmente, o Brasil soma mais de 16 milhões de MEIs ativos, representando cerca de 70% de todas as empresas registradas no país. Porém, a mortalidade desses negócios continua alta: só no primeiro semestre de 2025, mais de 1,8 milhão de MEIs deram baixa — o que corresponde a aproximadamente 64% das formalizações no mesmo período. Isso evidencia a fragilidade de muitos negócios recém-criados.

Na avaliação de Kályta Caetano, a elevada taxa de mortalidade dos MEIs não indica, necessariamente, o fracasso do empreendedorismo, mas sim os inúmeros desafios enfrentados por quem busca autonomia por meio da formalização. “Muitos microempreendedores esbarram na falta de planejamento, ausência de capital de giro, dificuldades para conquistar clientes com regularidade e desconhecimento sobre obrigações fiscais. Além disso, boa parte atua sozinha, acumulando funções e sem apoio técnico para tomar decisões estratégicas”, analisa a executiva. Ainda assim, ela ressalta que o movimento revela a resiliência de uma população que continua buscando alternativas legais para gerar renda. “Formalizar um serviço e emitir nota são sinais de protagonismo. O MEI não é milagre, mas é um instrumento real para conquistar autonomia e se organizar financeiramente”, comenta Kályta.

Entre os setores que mais impulsionam novas formalizações está o de serviços — responsável por cerca de 64% dos registros, segundo o Sebrae. Entregadores, motoristas de aplicativo, designers e especialistas em marketing digital encontram no MEI uma forma de atuação compatível com a economia sob demanda e o trabalho remoto.

Além disso, o processo de abertura totalmente digital, o baixo custo tributário e os benefícios previdenciários têm estimulado cada vez mais autônomos a migrarem para a formalidade. Por meio de plataformas como a da MaisMei, é possível abrir um CNPJ, emitir notas fiscais, regularizar dívidas e até acessar suporte gratuitamente.

Outro fator que tem contribuído para o avanço do modelo é a segurança jurídica e a inclusão econômica promovida pelo regime. Ao se tornar MEI, o profissional ganha acesso a direitos básicos como aposentadoria, auxílio por incapacidade temporária e salário-maternidade — sem abrir mão de programas sociais como o Bolsa Família.

Para a MaisMei, o aumento de MEIs em 2025 reflete menos um momento econômico favorável e mais a ação direta da população diante das lacunas deixadas pelo mercado formal. “O crescimento mostra que o brasileiro está buscando caminhos próprios, mesmo com poucos recursos. O que precisamos agora é de mais apoio e educação empreendedora para que esses negócios se sustentem no médio e longo prazo”, finaliza Kályta.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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