Tarifa de 50% dos EUA a produtos brasileiros ameaça indústria

Tarifa de 50% dos EUA a produtos brasileiros ameaça indústria

Se efetivada, medida deve gerar impactos nas relações comerciais dos dois países

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) recebeu com surpresa o anúncio feito pelo presidente Donald Trump nesta quarta-feira (9), que impõe uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros. A medida passará a valer em 1º de agosto e, se efetivada, poderá gerar impactos relevantes nas relações comerciais entre dois países historicamente próximos.

Brasil e Estados Unidos mantêm uma longa e sólida tradição de relacionamento político, econômico e diplomático. Foi o governo norte-americano o primeiro a reconhecer a independência do Brasil em 1824, marco que inaugurou uma parceria de quase dois séculos, pautada pelo respeito mútuo e pela cooperação.

Os EUA, principal investidor estrangeiro em nosso País, tem presença expressiva em diversos setores da economia. Da mesma forma, o Brasil representa um importante parceiro regional para os interesses norte-americanos na América Latina.

Neste momento, a Abit reitera a importância de preservar esse relacionamento histórico e de buscar, por meio do diálogo, o entendimento entre as duas nações. Medidas unilaterais e intempestivas não servem aos interesses dos brasileiros ou dos estadunidenses, que compartilham valores democráticos, forte intercâmbio comercial e cultural, e aspirações comuns de desenvolvimento econômico e social.

É fundamental que os canais diplomáticos e institucionais sejam mobilizados para restabelecer o ambiente de confiança e previsibilidade que sempre caracterizou a relação bilateral. O caminho do entendimento sempre é o mais construtivo e duradouro.

Preocupação

Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) manifestou profunda preocupação com os efeitos dessa medida, que atinge diretamente as empresas brasileiras mais produtivas e inovadoras, responsáveis por exportações de alta complexidade tecnológica, geração de empregos qualificados e entrada de divisas no país.

“O mercado americano é estratégico para o Brasil. Exportar para os Estados Unidos significa competir em alto nível e acessar um dos mercados mais exigentes e bem remunerados do mundo. São empresas que investem em tecnologia, em qualidade e que sustentam empregos de melhor remuneração. Uma tarifa de 50% torna praticamente inviável esse tipo de operação, afetando diretamente o faturamento, a rentabilidade e os empregos de qualidade dessas empresas”, afirma José Ricardo Roriz, presidente do conselho da Abiplast.

Roriz também destaca que o impacto não se restringe apenas aos produtos finais exportados, mas a toda a cadeia produtiva. Nesse contexto, o setor plástico se mostra fundamental. “O plástico está presente em 95% do que é produzido no Brasil. Ele é parte essencial de embalagens de alimentos, componentes automotivos, fertilizantes, sistemas de irrigação, estufas e logística. Ou seja, além da exportação direta de produtos plásticos, como filmes e embalagens técnicas, nosso setor será afetado indiretamente pela retração de outros setores exportadores”.

A medida representa ainda um duro golpe ao ambiente de negócios brasileiro, segundo Roriz. “Estamos passando de um dos países com menores tarifas de importação para uma situação de isolamento comercial. Isso desestimula o investimento produtivo e compromete a credibilidade do Brasil como parceiro confiável. Empresas internacionais que atuam no país para exportar a partir daqui serão diretamente penalizadas. Estamos vendo crescer um clima de incerteza justamente quando deveríamos estar atraindo investimento estrangeiro”.

O presidente do conselho da Abiplast também faz um alerta à condução da política externa brasileira. “É preciso cautela. O Brasil não pode se colocar em disputas geopolíticas que não nos dizem respeito. Precisamos focar em abrir mercados, fortalecer nossas cadeias industriais e garantir segurança jurídica e diplomática. Neutralidade e pragmatismo devem orientar nossa atuação internacional”.

A Abiplast reforça que defender a indústria de transformação brasileira é lutar por empregos, inovação, equilíbrio na balança comercial e inserção global com responsabilidade. E reitera seu compromisso com uma indústria do plástico forte, integrada que atua para o crescimento competitivo do país.

Crédito da foto: Ari Dias/AEN

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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