Remuneração Fee-based ganha força no Brasil

Remuneração Fee-based ganha força no Brasil

Modelo, que já é padrão no mercado internacional, ganha espaço no Brasil com avanço regulatório

O modelo de remuneração fee-based, no qual o assessor de investimentos recebe uma taxa fixa pelo serviço de gestão patrimonial, em vez de comissões embutidas nos produtos financeiros, ganha espaço no Brasil, impulsionado por mudanças regulatórias e pela crescente demanda por transparência. Em alguns mercados como Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, o modelo já é predominante há mais de uma década.

Segundo Rodrigo Godoy, sócio e assessor de investimentos da Monte Bravo, o modelo se baseia em um pagamento direto pelo serviço prestado, normalmente calculado como um percentual do patrimônio sob gestão. Com isso, quaisquer rebates ou comissões obtidas em produtos financeiros voltam para o cliente, eliminando conflitos de interesse.

“No modelo tradicional, as comissões muitas vezes não são visíveis ao investidor. Com o fee-based, o interesse de ambas as partes se alinha: quanto mais o patrimônio do cliente cresce, mais o assessor também se beneficia”, explica Godoy.

A lógica do modelo promove relações de longo prazo, reforça a confiança e permite que decisões de investimento sejam tomadas com base na performance do patrimônio e não na remuneração do assessor.

Um estudo recente da Vanguard sobre o custo total de investir em diferentes mercados revelou diferenças significativas no exterior. A pesquisa, que analisou Alemanha, Itália e Reino Unido, mostrou que investidores atendidos no modelo de comissionamento variável pagam, em média, cerca de 2,25% ao ano, enquanto no modelo fee-based o custo cai para aproximadamente 1,52% ao ano, uma redução próxima de 50%. Essa diferença de custos, segundo simulações do próprio estudo, pode representar até 23% a mais de patrimônio acumulado em um horizonte de 30 anos.

Avanço no Brasil

O fee-based ainda é embrionário no país, mas a adoção cresce rapidamente. Um dos fatores-chave é a Resolução CVM 179, que entrou em vigor em 1º de novembro de 2024, exigindo que assessores divulguem detalhadamente todas as taxas, comissões e possíveis conflitos de interesse, além de enviar extratos trimestrais aos clientes.

“Historicamente, o investidor brasileiro não estava acostumado a pagar diretamente pelo serviço de assessoria, já que a comissão está embutida nos produtos. Agora, com a exigência de transparência, o cliente passa a entender exatamente quanto paga e por que”, observa Godoy.

De acordo com o especialista, o modelo tende a se consolidar primeiro entre clientes dos segmentos alta renda e private, além de investidores institucionais, que demandam um a um alinhamento bem personalizado aos seus interesses. A expectativa é que o fee-based se torne cada vez mais comum em todo o mercado, seguindo padrões internacionais. “A tendência é que, à medida que o modelo se consolide, se torne dominante, oferecendo maior confiança e previsibilidade ao investidor”, conclui Godoy.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *